Quem inventou o pique-esconde?

Uma das minhas brincadeiras preferidas sempre foi o pique-esconde – ou esconde-esconde, como preferir. Poder me tornar invisível no meio do recreio, andar que nem um ninja para não ser descoberto e, por fim, me salvar é pura emoção. Ou ser quem procura e pegar todo mundo, um por um, em seus esconderijos. É divertido demais!

Na última vez que brinquei, fiquei pensando em quem teria inventado essa brincadeira tão legal. E, por conta disso, acabei sendo descoberto. Isso que dá ficar viajando enquanto brinca de algo tão sério…

Mas, voltando à questão, de onde será que veio essa brincadeira?

Parece que, a muitos anos atrás, quando ainda não existia gente e só tinha bicho falando por esse mundão afora, na floresta não se falava de outra coisa se não do Camaleão. Era um bicho que tinha acabado de chegar no bosque. Era meio estranho, tinha os olhos virados para lados diferentes, parecia uma lagartixa e seu rabo vivia enrolado.

Porém, o mais incrível dele, na verdade, não era nada disso. Ele dizia que quando se escondia, ninguém podia encontrar. Um verdadeiro mestre de esconder.

Vários animais o admiraram muito pelo que disse, mas outros tantos desconfiaram do que ele havia dito, achando que não podia ser verdade aquele bicho estranho ser mestre de qualquer coisa.

O Camaleão então desafiou quem quisesse para que tentasse encontrá-lo em um concurso. Nesse momento, o Seu Tartaruga, que passou a ter medo de concursos, já foi logo saindo de perto e se escondendo. Mas vários animais aceitaram o desafio, enquanto outros só se animaram por ver um evento tão incrível acontecendo.

Entre os desafiantes, estava o Falcão, tido como os melhores olhos de toda a floresta; o Cachorro, não havia cheiro que seu nariz não encontrasse; e um passarinho que, na época, se chamava Joaquim.

O Falcão e o Cachorro todo mundo entendia acharem que podiam encontrar aquele convencido do Camaleão, mas o Joaquim? Ele era um pássaro pequeno, de bico pequeno, olhos pequenos e só. Como ele poderia querer encontrar qualquer coisa daquele jeito?

Acontece que o Joaquim só queria mesmo era se divertir, participar da brincadeira. Achar o Camaleão não importava, o legal era a busca.

Bom, o Camaleão então combinou com os três desafiantes que deveriam fechar seus olhos e contar até 10 para só então saírem à procura dele. Todos aceitaram e assim foi criada a primeira regra do pique-esconde.

Voltando à história, os três fecharam os olhos e contaram. O resto dos animais, para não estragar a brincadeira, também fecharam os olhos e contaram. Quando abrira, o Camaleão tinha sumido! Ninguém sabia para onde tinha ido ou onde tinha se escondido.

O Falcão logo levantou voo e ficou circulando a área lá de cima, usando seus olhos de falcão para encontrar aquela lagartixa metida a besta. Girou, girou, girou e nada de encontrar o Camaleão. Acabou caindo, zonzo e com os olhos tortos de tanto procurar; e nada de achar.

O Cachorro rapidamente botou o focinho para funcionar e rapidamente encontrou o cheiro do Camaleão. Assim, foi seguindo seu odor até chegar em um momento em que não tinha mais para onde ir. Segundo seu nariz, o Camaleão tinha que estar ali, mas ele não estava! O Cachorro procurou e cheirou e deu voltas e cheirou mais um pouco, mas nada de encontrar o Camaleão. Por fim, o Cachorro caiu exausto no chão e desistiu também.

O que ninguém sabia é que o Camaleão era um mestre de esconder não era à toa: ele podia mudar de cor e ficar igualzinho ao que ele estiver por cima. Se estiver sobre o tronco de uma árvore, ele fica marrom igualzinho. Se estiver sobre uma flor, ele fica da cor da dita cuja. Se estiver sobre uma pedra, fica cinza e é impossível percebê-lo sobre a rocha.

E foi exatamente isso que o Camaleão fez, mudou de cor sobre um galho de árvore e ficou quietinho assistindo aos desafiantes procurá-lo e nada encontrar. Ele só ria por dentro.

O Joaquim tinha visto o que tinha acontecido com o Falcão e com o Cachorro e ficou preocupado. Não é que aquele tal de Camaleão era bom mesmo de se esconder? Ora, mas já que ele estava ali para procurá-lo, melhor era pelo menos tentar, né?

Ele deu uma voada por onde o Falcão procurou e não achou nada. Aí deu uma procurada por onde o Cachorro farejou e também não encontrou nada. Já cansado – lembre-se que ele era um pássaro pequeno, de olhos pequenos, bico pequeno, mas também de asas pequenas -, ele decidiu pousar em um galho perto para descansar.

No que ele encostou a pata no galho, percebeu que tinha algo errado bem do seu lado. O galho tinha um caroço estranho, parecia uma verruga. Era da cor do galho, mas muito estranho, de um jeito que ele nunca tinha visto antes.

Então ele percebeu o que era: o Camaleão! Aí ele começou a gritar “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”

Todo mundo foi ver o que o Joaquim tanto falava e encontraram o Camaleão vermelho de vergonha por ter sido encontrado por um passarinho tão pequeno, com bico pequeno, olhos pequenos e asas pequenas. E o Joaquim, este continuava bem orgulhoso a gritar “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”

A partir daquele dia, ninguém mais duvidou dos bichos pequenos em nenhum concurso. Ninguém mais queria brincar de esconde-esconde com o Camaleão, já que ele não se escondia, só mudava de cor, o que não é o espírito da brincadeira.

E o Joaquim? Ninguém nunca mais chamou o passarinho daquele nome. A partir daquele dia, ele ficou conhecido como Bem-te-vi. E ele continua bradando até hoje para quem quiser ouvir seu triunfo sobre o Camaleão com altos e sonoros “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”

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Cada Pedroca no seu Galho

Pedro, visitando a vó
Logo inventou brincadeira nova
Que na cabeça dela deu nó
Mas que é digna de uma trova.

Pedro viu que na fazenda
Os macacos só andavam na árvore
Resolveu virar uma lenda
Se libertar do chão, esse cárcere.

Pedro, quando a vó viu
Já alcançava a folha mais alta
Seu coração pela boca quase saiu
“Mas que menino mais peralta!”

“Pedro, vou te puxar com um laço!
É perigoso, vai se machucar!”
“Tudo bem, vó, sei o que faço.
O chão nunca mais vou tocar.”

“Pedro, deixe de dizer asneira!
Pois virou menino-mico?”
“O vó, não é brincadeira
Agora, só em galho fico.”

Pedro a vó deixou preocupada
E aos pais decidiu ligar
Pois aquela macacada
Precisava terminar.

“Pedro n’árvore está trepado
E de lá não quer descer!”
“Tudo bem. Quando estiver cansado,
O braço dará a torcer.”

“Pedro sua mãe deixou louca!”
Com seus botões a vó pensou.
“De gritar já estou rouca
E ela nem se alterou.”

“Pedro é menino esperto
Mas é claro que posso enganá-lo.
Preciso que chegue bem perto
Ou meu plano desce pelo ralo.”

“Pedro-mico, olha que bacana
Tenho pra você algo fabuloso
Será que gosta de torta de banana?
Ninguém resiste a algo tão cheiroso!”

Pedro, ao sentir tal cheiro
Já começou a sorrir
Mesmo o menino mais arteiro
À torta da vó não pode resistir.

Pedro, de galho em galho,
Rumo à casa ia
Como um castelo de cartas de baralho
Sua louca aventura ruía.

Pedro entrou pela janela
E atacou direto a torta
A vó assistiu à cena bela
Com risinhos atrás da porta.

Pedro comeu freneticamente
E logo um sono bateu
“O que será que passa nessa mente
Enquanto está nos braços de morfeu?”

Pedro tangido foi
Pela vó orgulhosa
Até a cama feito boi
“Que vó maravilhosa!”

Pedro, agora só em sonhos.
A vó quase deu enfarte
Mas fez um dia bem risonho
“Que menino pra inventar arte!”

Por que a Aranha tem oito pernas?

Muita gente faz essa pergunta, principalmente as pessoas que têm medo de aranhas. “Ai, por que tinha que ter tanta perna? Socorro!” Mal sabem essas pessoas que as aranhas são supersimpáticas.

Mas, afinal, a aranha tem oito pernas ou oito braços? Isso é um discussão que, não só a aranha, como o polvo, a lula, a centopeia e vários outros bichos têm entre si. E tudo começou quando eles perceberam que tinham um pouco mais de pernas ou braços do que a maioria dos bichos.

O polvo, por exemplo, só foi perceber que tinha oito seja-lá-o-que-for-isso num dia que se sentia muito só. O porco-espinho, reconhecidamente o animal mais carinhoso da floresta, percebeu que o polvo estava triste e foi fazer companhia para ele. O polvo ficou tão feliz que, no calor do momento, deu um grande e forte abraço no porco-espinho. Não preciso nem dizer que ficou todo espetado, coitado. Foi tirando todos os espinhos, um por um, de cada um dos braços/pernas que ele percebeu que tinha um montão!

Com a aranha, foi um pouco diferente. Por aquela época, ela já adorava tecer com suas teias, coisas como meias e tocas pro frio. Todo mundo adorava tudo o que a aranha fazia e viviam pedindo mais para ela. Assim, ela começou a ousar mais nas coisas que fazia, deixando de fazer só meias e passando a fazer casacos, inclusive para elefantes!

Vendo que estava dando certo, ela decidiu ir além: construir uma casa de teia. Ela fez a primeira pra si mesma para testar – e adorou. Os outros animais também acharam muito interessante, e pediram para ela fazer uma casa assim para eles também.

Só que seus amigos começaram a aparecer reclamando da casa de teia. Todos se enrolavam completamente e quase não conseguiam sair. A aranha, que não entendia o porquê daquilo, já que andava na sua casa de teia sem o menor problema, ficou perdida com aquela reclamação toda.

Quando apareceu o papagaio reclamando, ela não se conteve e disse que a culpa era deles, que eram atrapalhados. Ela mesma, não tinha problema nenhum com sua casa de teia. O papagaio, irritado por ter ficado horas pendurado na teia até que a maritaca apareceu para ajudar – não sem antes ter rido por uma boa meia hora – rebateu imediatamente: “também, com todos esses braços!”

Os outros bichos todos concordaram e acabaram indo embora, entendendo o que tinha acontecido. Mas a aranha ficou cheia de vergonha e decidiu não usar mais sua teia para ajudar ninguém, só para ela mesma. O que é uma pena, já que suas teias são muito lindas!

E, para entender melhor aquele monte de braços ou pernas, ela juntou todos os outros animais que também tinham mais pernas do que o comum e formou o grupo dos multibraços. Só que, como dito antes, eles nunca conseguiram sair da discussão de se tinham muitos braços ou se eram muitas pernas. Então nunca conseguiram chegar na parte de por que tinham mais do que o resto dos bichos.

Acho que quanto mais braços, mais falam pelos cotovelos. Eu, hein!

Por que os gatos têm sete vidas?

Você já ouviu alguém dizer que seu gato tem sete vidas? E você sabe o porquê?

Bom, muita gente acha que é uma brincadeira, apenas uma forma de dizer que os gatos são muito safos e escapam de qualquer enrascada. Mas a verdade é que os gatos têm sete vidas de verdade!

Tudo começou há muitos anos atrás quando ainda havia poucos animais no mundo. Os bichos que havia vivam tranquilamente na floresta, todos muito educados e respeitosos.

Só que, um dia, apareceu o Papito. Papito foi o primeiro gato no mundo! Todos os outros animais o receberam super felizes por terem um novo companheiro na floresta.

Mas rapidamente os bichos começaram a se incomodar com ele. Acontece que o Papito não conseguia parar quieto. Ele vivia pululando de um lado para o outro, correndo e saltando, uma energia infinita. Os outros animais eram todos calmes e passavam seus dias comendo e descansando.

Não preciso nem falar que o Papito deixou os outros bichos loucos, né? Imagina, você lá relaxando e curtindo uma sonequinha quando aparece alguém pulando de um lado para o outro sem parar e ainda falando pelos cotovelos. E o pior: causando todo tipo de confusão.

Sim, confusão! Uma vez, o Sr. Tartaruga estava calmamente tomando seu chazinho e lendo um livro quando o Papito de um pulo do nada com uma bexiga que acabou estourando bem no ouvido do coitado do Sr. Tartaruga. Suspeito até que foi aí que o pobre Sr. Tartaruga começou a ficar meio surdo.

E a vez com a Dona Preguiça? Ela estava tranquilamente se dedicando à soneca do pós-lanche de meio da manhã na sua rede preferida. Sim, a preguiça tinha várias redes espalhadas por toda a floresta. Mas essa era a sua preferida: com pouca luz o dia todo, com uma leve brisa do leste que fazia o gostoso barulho de folhas roçadas pelo vento.

Só que o Papito não sabia de nada disso. Aliás, ele não queria saber de nada disso e sim da brincadeira de pique-pega com o vento em que ele estava. Quando a brisa passou “correndo” pela rede da Dona Preguiça, o gatinho sapeca saltou para por fim agarrá-la e acabou agarrando a rede.

A coitada da Dona Preguiça ficou tão enroscada na rede que foi preciso uns 10 siris cortando com suas pinças para ela se livrar do apuro. Depois disso, ela rapidamente aprendeu a se pendurar nas árvores dormindo com as mãos mesmo.

Isso sem contar os casos com o Seu Tamanduá, a Sinhá Galinha d’Angola e com o Pavão. Basta dizer que o Seu Tamanduá não usa mais canudinho para comer, só a língua, que a Sinhá Galinha d’Angola, antes tão confiantes, depois do trauma com o gato, só faz repetir “Tô fraca! Tô fraca!”, e que o Pavão, de susto, ficou todinho branco.

A situação chegou a tal ponto que teve até uma assembleia de bichos para definir o que fazer com o Papito. Afinal, os animais estavam ficando com medo de sair de suas casas – e isso não era legal.

Acontece que, no meio da reunião, começou a chover. Mas não era uma chuvinha qualquer, era a Lua chorando por causa do Sol. Era uma chuva que não parava mais e começou a inundar tudo!

Os animais começaram a fugir todos, desesperados com o que acontecia, mas não estava dando tempo e alguns bichos já começavam a se afogar.

E foi quando chegou o Papito. Ele começou a resgatar os animais mais pesados, os que tinham ficado para trás e estavam se afogando. Um por um, o Papito ia lá, tirava da água e levava para um lugar seguro. Apenas para, em seguida, voltar para a água para salvar outro bicho.

No entanto, apesar de todo o esforço do bravo gato, eram muitos para ele sozinho e toda a sua energia começou a se esgotar. Quando ele já estava morto de cansaço sem conseguir dar nem um passo mais, o Sol interveio. Sabendo que tudo aquilo foi causado por ele e, sem conseguir a Lua, resolveu que tinha que ajudar o Papito em sua tarefa. Para isso, foi e lhe deu um novo fôlego, uma nova “vida”.

Com as energias restauradas, Papito rapidamente pôs-se a trabalhar no grande resgate. E toda vez que ficava a ponto de não poder dar uma miada sequer de cansaço, o Sol ia lá e ajudava.

Lá pela sétima ajuda do Sol, o Papito finalmente conseguiu salvar o último bicho: exatamente a Dona Preguiça, que se pendurou numa árvore e, achando que estava salva, aproveitou para tirar um cochilo. Só foi acordar quando a água já cobria sua cabeça.

E ela foi a primeira a pedir desculpas ao Papito por estar chateada por ele ter tanta energia, seguida por todos os outros bichos.

Por conta de seu fôlego de sete vidas, Papito ficou famoso por ter sete vidas de verdade. Mas ele, depois desse episódio, ficou bem mais calmo, ainda cansado de todo o trabalho. Hoje em dia, o Papito – e todos os outros gatos – só fazem um esforço sobre-humano é para fugir de água.

Pedro e o Hipopomonte

Pedro deita na cama
À espera da mãe vir
Ao apagar da luz reclama
Pela história de dormir.

Pedro, a mãe consente
E junto à estante esperando
Qual história o filho tem em mente
E a adivinhar fica tentando.

Pedro responde confiantemente
Após a mãe esperar um monte
“Não quero ouvir história de gente.
Quero a história do Hipopomonte!”

Pedro a mãe perdida deixa
Enquanto ele se anima, fanático
“Que maluquice é essa?”, se queixa
“É gente bicho ou ser fantástico?”

Pedro, risonho, a mãe responde
“Nem gente, nem fantasia; é bestial.”
“Filho, e esse bicho é de onde?”
“De um reino distante, o Reino Animal.”

Pedro, a mãe percebeu, que o que queria
Mais que ouvir, era contar a história
Decidiu que apenas o questionaria
E permitiu ao filho seu momento de glória.

“Pedro, esse Reino é importante?”
“É o maior Reino que existe!”
“E esse bicho é grande como elefante?”
“Grande, esperto e rápido, acredite”.

Pedro, ao final da história, dormiu
A mãe o acomodou na cama e se deitou
Ao acordar no dia seguinte sorriu
Com Hipopomonte a noite toda sonhou.

Pedro e o Hipopomonte :: Respostas Fantásticas para Perguntas Intrigantes :: Ilustração: Jomar Serpa
Ilustração by Jomar Serpa

Pedro no Zôo

Pedro está todo animado
Porque é fim de semana, lógico
E a mãe prometeu que neste sábado
Passariam o dia no Zoológico!

“Pedro, não saia correndo na frente!
Espere sua mãe como um comportado garoto.”
“Ai, mãe, essa lerdeza me deixa doente!
Entra logo e veja o macaco com sorriso maroto.”

Pedro, a felicidade não pode conter
Pulula de jaula em jaula, que emoção!
Quantos bichos diferentes pode ter?
Eles mexem com a sua imaginação.

Pedro, o tipo de cada animal repete
“Arara, jacaré, bode, lobo guará”
“Joaquim, Vicente, Juliana e Anete”
Pois nomes para cada um também dará.

“Pedro, que bicho é esse do lado do Elefante?”
“Ai, mãe, aqui a girafa e lá o rinoceronte.”
“E qual é aquele lá mais distante?”
“É o Monomelo depois do monte.”

“Pedro, o que é um Monomelo?”
“É um camelo que perdeu uma corcunda.”
“É Dromedário e não um flagelo.”
“Quer saber o nome do Monumelo, por que não pergunta?”

Pedro, entre bichos, nomes e maquinações
Aproveita o passeio e faz a mãe rir
Quem diria que entre tantas confusões
Seria ela a tanto se divertir?

Pedro no Zôo :: Respostas Fantásticas para Perguntas Intrigantes :: Ilustração: Jomar Serpa
Ilustração by Jomar Serpa

Por que o Leão e o Mico-Leão Dourado têm juba se não são parentes?

Você já deve ter notado como o Mico-Leão Dourado tem uma juba muito parecida com a do Leão, não é? Não? Pois preste atenção! Viu como é igualzinha? Será que eles são irmãos, primos ou algo assim?

Bom, para poder responder essa pergunta, primeiro preciso contar de onde surgiram as jubas. Afinal de contas, é isso que eles têm em comum, então merece um destaque.

Há muitos anos, quando ainda não existiam jubas, o Sol e a Lua se separaram. Eles tinham namorado por um tempo, mas por um desencontro o namoro acabou.

O Sol estava muito triste com o ocorrido. Tão triste que às vezes chorava escondido atrás de alguma nuvem ou montanha alta. Quando isso acontecia, suas lágrimas douradas se esparramavam pela terra.

Só que lágrima de Sol não é que nem lágrimas minhas, suas nem mesmo iguais às da Lua. A lágrima do Sol é como se fosse luz em forma líquida, muito brilhante e dourada. É um líquido grosso, quase como se fosse geleca.

Mas, acima de tudo, a maior diferença é que as lágrimas do Sol são mágicas. Isso mesmo: mágicas. Por onde caía, nasciam lindos e enormes girassóis. É possível perceber os lugares onde o Sol preferia se esconder para chorar quando tem muito girassol junto, um do ladinho do outro. É muito bonito; e muito triste ao mesmo tempo.

Só que, um dia, uma lágrima de Sol caiu sobre o Leão. Isso nunca tinha acontecido antes e o Leão ficou com muito medo do que poderia acontecer. Já pensou se nasce um girassol na sua cabeça, que estranho e assustador isso seria? Pois é, o Leão tinha motivos para estar amedrontado. Mas o que aconteceu foi que, na mesma hora, cresceu uma linda juba ao redor de sua cabeça.

Acontece que, naquela época, ninguém conhecia jubas. Mas conheciam girassóis. E , por isso, os outros leões começaram a zoar com o Leão de juba. Diziam que mais parecia um girassol ambulante. Porém, quando as leões viram o pelo brilhante e macio da juba do Leão de juba, todas acharam lindo. O que deixou todos os leões sem juba com inveja.

E realmente tinha ficado muito bonito. Tão bonito que o próprio Sol gostou e passou a mirar suas lágrimas nos leões. Os bichanos foram ficando todos bonitões e os outros animais ficaram todos muito admirados.

Até que um pequeno macaco chamado Mico resolveu que ele queria ser como os leões. Acontece que o Mico era o menorzinho dos macacos e ninguém levava ele muito a sério. Assim, quando o Sol já tinha posto juba em todos os leões e tinha acabado de decidir que ia colocar também nas leoas, o Mico aproveitou a lágrima dourada seguinte e pulou na cabeça da leoa ia recebê-la antes que tocasse nela.

Na mesma hora, a juba cresceu ao redor da cabeça do Mico, que ficou muito bonito. Não preciso nem dizer que a leoa não gostou nem um pouco daquilo e botou o Mico para correr.

Mas o Sol achou aquilo incrível! Ele, que já vinha se sentindo um pouco melhor da tristeza da separação por conta da beleza da juba dos leões, ficou rindo à toa com a juba do Mico. Por isso, logo se esqueceu das jubas das leoas e decidiu que poria jubas era nos micos, isso sim.

Só que os micos são muito pequeninos e ariscos, sendo muito difícil de acertá-los. O Sol está até hoje tentando pegar todos, mas ainda não conseguiu. É por isso que tem micos normais e sem jubas e tem os Micos-Leões Dourados.

Então atenção em dia de Sol e chuva porque umas das gotas que estiverem caindo pode não ser água; mas uma lágrima de Sol. Já imaginou você com uma juba também?

Por que há pessoas de cores diferentes?

Você provavelmente já reparou que a pessoas de todas as cores no mundo, né? Não estou falando de cor de cabelo – isso sim tem todas as cores do arco-íris e mais um pouco. Estou falando de cor de pele mesmo.

Só que essa, na verdade, não é a história de quais cores de gente há no mundo, mas a história das travessuras de um macaco chamado Julião.

Julião era um macaquinho muito esperto e sapeca. Vivia inventando novas brincadeiras e acabava provocando muita confusão na floresta.

Quando o Julião soube que a zebra agora era listrada, a onça pintada e a vaca malhada, ele achou divertidíssimo. “A floresta fica muito mais divertida e bonita assim”, ele pensou.

Imediatamente foi perguntar para elas como fazia aquilo e elas contaram tudo. Acontece que o Julião morria de medo de sustos. Tanto que, mesmo quando era ele quem tentava assustar os outros, ele sempre tomava um susto junto. Mas, pior que medo de susto, era o medo que ele tinha de Leão.

Então ficou trepado num galho, triste por não poder pintar o mundo e enchendo a pança de amoras. De repente, ele percebeu que a sua mão estava toda vermelha. As amoras tinham sujado ele e agora sua mão tinha outra cor!

Apesar de a cor sair quando tomava banho no rio, isso deu uma ótima idéia para ele. Julião procurou todas as frutinhas de todas as cores e testou quais tinham cores para usar. Ele descobriu que as frutas davam muitas cores muito lindas e guardou todas bem arrumadinho para o seu projeto especial.

Depois de juntar tudo, saiu por aí pintando seus amigos macacos. Pintou os orangotangos todos de laranja, pintou os babuínos com a cara azul e o bumbum vermelho, pintou uma juba dourada no mico porque o pequenino queria ser mais valente, e muito mais.

Um dia, o macaco Julião estava andando quando avistou uma aldeia. Ele entrou muito escondidinho e ficou observando como as pessoas cobriam seus corpos com roupas. Aí pensou “Ora, se eles tivessem o corpo pintado bonitão, não precisariam usar roupas para ficarem coloridos e bonitos”.

À noite, Julião entrou de mansinho em cada casa e pintou todos os bebês da vila. Depois, foi de vila em vila por todos os lados até pintar todos os bebês de gente no mundo.

Quando amanheceu, foi uma surpresa enorme para todo mundo ver os bebês todos pintados. Tinha neném pintado de branco, de preto, de marrom, de amarelo, azul, vermelho, laranja, violeta e várias outras cores mais.

O coitado do Julião apareceu numa aldeia para ver as pessoas felizes e percebeu todo mundo irritadíssimo, procurando o culpado pela travessura. O Julião, que não é bobo, não disse nada. Escondeu suas tintas e nunca mais brincou de pintar nada nem ninguém.

Só que ninguém sabe o porquê, mas os bebes ficaram pintados para sempre. Eu tenho para mim que eles foram os únicos que entenderam a intenção do Julião e acharam legal ter cores diferentes. Eles cresceram e tiveram seus filhos, que também nasceram pintados.

Às vezes, quando pessoas de cores diferentes tinham filhos, criavam uma terceira cor ou também estampas, tipo verde de bolinhas roxas ou xadrez amarelo e azul. Era tanta mistura de cores que depois de um tempo, ninguém mais sabia qual era a cor original que nos tínhamos antes de sermos pintados.

Por muitos anos, houve gente de tudo quanto é cor no mundo. Mas aconteceu de algumas cores sumirem sem mais nem por quê. Aparentemente, chegou uma hora em que os bebês se cansaram de tanto carnaval de cores e foram escolhendo as que mais gostavam. Agora, só temos algumas poucas pessoas com cores diferentes espalhadas por aí.

Mas tenho certeza de que ainda tem gente com cores diferentes em algum lugar. Deve ter algum menino listrado de laranja e cinza ou alguma garota todinha rosa e só com a pontinha do nariz cinza. Elas só estão perdidas nesse mundão enorme e é preciso prestar muita atenção para poder encontrar alguma.

Enquanto não achamos nenhuma dessas pessoas, o jeito é aproveitar e curtir as pessoas com diferentes cores que temos ao nosso redor.



Ilustração by Jomar Serpa

Por que a Zebra é listrada, a Onça é pintada e a Vaca é malhada?

A Zebra, a Onça e a Vaca eram grandes amigas que vivam juntas desde pequenininhas, elas eram inseparáveis e adoravam ir a shows e festivais juntas. Elas foram, inclusive, no Festival de Canto e ficaram tentando adivinhar quem ganharia.

A Zebra, muito esperta, logo percebeu que o mesmo lado estava sempre ganhando, não contou para ninguém e acabou acertando tudo. Por conta disso, a Onça e a Vaca, sempre que os cantores que a Zebra escolhia ganhavam, diziam “deu Zebra”, ao invés de dizer que tinha dado o grupo vencedor.

O pessoal em volta, que só ouvia elas falando “deu Zebra” quando o grupo preferido deles perdia, acabou adotando a expressão para indicar um resultado inesperado – tudo por conta das três amigas.

Quando elas souberam que teria o Campeonato de Sustos, logo se animaram para ver também. Naquela época, a Zebra era apenas preta, a Onça era alaranjada e a Vaca era toda branca. Elas tinham a pele lisinha e sem manchas e, por isso, usavama vários cordões, brincos, cintos e pulseiras para irem às festas.

Assim que chegaram para o Campeonato, estavam tão bonitas que rapidamente chamaram a atenção de três girafos. Mas elas não deram nem bola para eles e foram procurar um lugar legal para se sentaram.

Conforme o Campeonato foi acontecendo, elas foram se divertindo tanto que nem perceberam os tais girafos sentados na fileira de trás. Eles passaram o tempo todo tentando chamar a atenção delas, mas nada de elas olharem.

Quando eles estavam quase desistindo – e o Campeonato acabando – um girafo viu que o casal de hipopótamos que estava sentado na frente delas se levantou. “A única forma de elas notarem a gente é se ficarmos entre elas e o palco”, pensaram. Rapidamente os três se levantaram e foram correndo ocupar o lugar do casal de hipos. Enquanto andavam, arrumavam o cabelo, passaram perfume e ajeitaram a pelagem – tudo para agradar às três amigas.

Quando o Leão subiu calmamente no palco e a platéia começou a rir, os três se sentaram na frente da Zebra, da Onça e da Vaca. Elas ficaram extremamente chateadas porque eles bloquearam a visão que elas tinham do palco com seus pescoções e nem notaram que eles tinham se arrumado para elas.

Num acesso de raiva, a Vaca empurrou o girafo na sua frente para o lado e conseguiu abrir espaço para ela e para a Onça poderem ver a hora em que o Leão rugiu. Muito espantadas, assim como o resto da platéia, nem notaram que a Zebra tinha ficado atrás dos três girafos juntos.

Só que a Zebra também tinha conseguido ver o rugido do Leão; ou parte dele. Acontece que ela espiou tudo por entre uma fresta e outra daquela floresta de pescoços. Acho que porque não viu tudo, apenas pedaços do Leão rugindo, a Zebra foi a primeira a reagir na platéia. Viu todo mundo paralisado de medo e achou graça. Só que quando olhou para a sua barriga, notou que estava com listras brancas por todo lado. Não só a sua barriga, como todo o seu corpo tinha listas brancas. E deu um berro.

Foi o primeiro grito na platéia paralisada e que fez todos gritarem também e depois aplaudirem. Enquanto todos subiam no palco para falar com o Leão, as três amigas saíram do lugar espantadíssimas com o que tinha acontecido com a Zebra.

Elas chegaram em casa e tentaram lavar as listras, mas elas não saíam de jeito nenhum. Logo, a Zebra desistiu e resolveu ir ao médico. A caminho do Doutor Lontra, as amigas perceberam que os bichos não paravam de olhar para a Zebra. Ela achou que era porque estava estranha, até que eu um tamanduá falou: “Que linda que você está, Zebra! Adorei suas listras!” A Zebra achou que ele estava louco, mas os outros animais começaram a elogiar também. O próprio Doutor Lontra, quando a viu, elogiou suas listras antes de perguntar qual era o problema.

A Zebra se deu conta de que estava fazendo um maior sucesso e decidiu continuar com as suas listras. A Onça e a Vaca se entusiasmaram com a idéia e resolveram ter manchas também. A Onça combinou com um grupo de aranhas para ficarem penduradas na frente dela enquanto o Leão a assustava. Com isso, ela ficou com lindas pintas pelo corpo todo.

Mas a Vaca, muito medrosa, não queria ser assustada de novo pelo Leão. Ela também queria muito umas manchas, mas nada de sustos. E não adiantou as outras duas amigas tentarem convencê-la.

Porém, um dia, a Vaca, que era muita da fofoqueira, estava no meio dos arbustos só fuxicando uma discussão de um casal de maritacas escandaloso. A Onça estava passando, viu a amiga ali e foi pé ante pé por trás dela. De repente pulou e “BU!” o casal de maritacas saiu voando assustado enquanto a Vaca caiu para trás e começou a chorar. A Onça levantou a amiga, pediu desculpas e mostrou que ela, agora, estava toda malhada.

E foi assim que as três amigas fizeram – e ainda fazem – o maior sucesso pela floresta. A Zebra listrada, a Onça pintada e a Vaca malhada.

Como o Papai Noel faz para saber se a gente se comportou o ano inteiro?

Todo mundo sabe que o Papai Noel só dá presente para as crianças que se comportam. Ele sempre sabe quem foram as crianças, ou bichos, ou seres fantásticos que fizeram travessuras ao longo do ano. Ele não perde ninguém de vista o ano inteiro.

Mas como será que ele faz para saber de todo mundo? É claro que ele tem ajudantes, como os duendes que o ajudam na sua casa para montarem os brinquedos e embrulhá-los, mas não são os duendes que ajudam a ficar de olho nas crianças.

Na verdade, são os insetos que ajudam. Como assim? A barata e o mosquito são ajudantes do Papai Noel? Exatamente! Eles e muitos outros mais. Os insetos têm várias formas e, por isso, conseguem estar em quase todo canto do planeta. Para cada lugar, um grupo de insetos.

E para cada tipo de ser vivo também. Um bom exemplo disso são os vaga-lumes. Eles ficam piscando de noite e isso serve para eles se esconderem no meio das estrelas sem serem percebidos. O brilho que emitem faz com que também pareçam estrelas e possam vigiá-las de pertinho. Nem mesmo a Lua consegue controlar tão bem o que as estrelas fazem. É por isso que quase nenhuma ganha presente de natal, essas travessas.

Para as fadinhas, praticamente não seria necessário ter alguém vigiando. Elas são tão boazinhas sempre que dificilmente alguma não recebe presente. Só que, às vezes, tem algumas poucas fadinhas que são muito comilonas. Por conta disso, elas ficam apertando os nossos “botões de risadas” o tempo todo. Nós não percebemos que são elas, só achamos que estamos tendo um ataque de bobeira e ficamos rindo à toa. É por conta dessas fadinhas que os mosquitos vigiam.

Agora, tem seres fantásticos que são bem mais difíceis de vigiar. E, por isso, costumam ser os mais travessos. A Coisa no Armário, por exemplo, é mestra em se esconder. Para vigiá-las existem as traças que ficam dentro dos armários junto com a Coisa. Os Lúcios, que são invisíveis, são vigiados pelas moscas. Aquilo que nossos pais falam, “em boca fechada, não entra mosca”, é porque as moscas estão dando uma conferida para ver se não entrou algum Lúcio na nossa boca.

Assim, todos os insetos ajudam o Papai Noel de uma forma ou de outra: debaixo das camas com os Fofis ou no céu com os dragões. Todo mundo recebe um vigia adequado e, no final do ano, recebe ou não o seu presente. É por isso que eu me comporto direitinho o ano todo – nunca se sabe quem pode estar vigiando.

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