Por que se ouve o trovão depois de ver o raio?

Toda vez que chove muito é a mesma coisa: a cada raio que cai, eu tomo dois sustos, o do clarão e o do trovão. Às vezes, os dois vêm juntos, quando um raio cai muito perto. Porém, na maioria das vezes, são dois pulos. Mas, por que será que eles vêm separados?

Primeiro de tudo, há a pergunta ainda mais importante que essa: por que existem raios e trovões?

Comecemos do princípio, então: raios são as luzes que saem do meio das nuvens e trovões são os barulhos que eles, os raios, fazem. Certo? Bom, mais ou menos.

Dito isso, vamos responder a pergunta primária. Os raios e os trovões só caem quando está chovendo ou para anunciar que vai chover, não é? Provavelmente você, que sabe que os dragões moram nas nuvens, acha que eles têm alguma coisa a ver com isso. Bom, não está de todo certo, mas também não está de todo errado.

Acontece que quando começa a cair raios, os pobres dragões ficam com medo. Imagine, se já é assustador para a gente aqui embaixo, lá em cima, no meio das nuvens, do ladinho dos raios é mais do que qualquer um pode agüentar.

Para não ficarem com tanto medo, eles fazem que nem a gente. Nós, quando cai um raio que nos acorda no meio da noite e nos assusta não corremos para a cama dos nossos pais? Os dragões também não gostam de ficar sozinhos quando têm medo, por isso eles se juntam e contam histórias legais e piadas engraçadas uns para os outros. Mas, quando cai um raio, todos se assustam juntos e se abraçam com medo.

Você já ouviu berro de dragão medroso? Você acha que não, mas o trovão é exatamente isso: um monte de dragão morrendo de medo berrando junto. Aquele barulhão estrondoso que nos assusta tanto foi feito por todos aqueles dragões se tremendo, abraçados e com medo dos raios.

Eles ficam juntos, de uma nuvem para a outra, fugindo dos raios. Por isso, quando um raio cai longe e demora para escutarmos o trovão, é porque os dragões estavam lá longe junto com o raio. Mas, quando o raio cai pertinho da gente e nós ouvimos quase que ao mesmo tempo o trovão, é porque os dragões estavam numa nuvem bem em cima da nossa casa, com medo, coitados.

Mas o que é o raio, então? O raio é uma travessura das estrelas. Elas sabem que os dragões são muito medrosos e que têm medo dos raios, por isso elas saem lá de longe de onde moram, se escondem no meio da chuva e, do nada, passam voando bem rápido, parecendo um raio. Aproveitam que, no meio do temporal, a Lua não consegue identificar direito qual foi a estrela travessa que soltou o raio e não pode punir ninguém. Então elas passam a chuva toda assustando dragões, bichos e a gente.

Tadinhos dos dragões (e da gente também)!

Pedro e a Lua

Pedro, o serelepe
Triste, sai do colégio sério
Sua mãe tira seu quepe
E tenta resolver este mistério

– Pedro, o que acontece?
– Ai, mãe, algo me entristece
– Conte-me, filho, se é que consegue
-Ai, mãe, é a Lua que me persegue

Pedro, o inventivo
Deixa a mãe perplexa
Que situação complexa
A de ter um filho criativo

Pedro, a face franzida
Mostra à mãe divertida
Que é séria a situação
E não para gozação

Pedro, o perseguido
Pelo terceiro dia seguido
Acusa o rosto redondo da lua
De acompanhá-lo pela rua

Pedro, cheio de medo
Aponta para atrás da escola
E a mãe, com ar surpreso
Vê o satélite que descola

Pedro tinha razão
Diz a mãe olhando o edifício
Parece um espião
Pensar distinto é difícil

Pedro e a mãe, de mãos dadas
Seguem seu caminho, calados
Disfarçadamente dando olhadas
E ficando sempre espantados

Pedro jantou sem fome
E a mãe o deixou cedo dormir
Não queria o filho insone
Para a sua cisma diminuir

Pedro acorda assustado
Com o luar invadindo seu quarto
A mãe, quase tendo um infarto
Escuta o filho revoltado

Pedro, com a Lua, se exalta
E com ela a educação falta
Deixa a mãe, atrás da porta
Ruborizada enquanto o exorta

Pedro fez por onde
E espantou o celeste astro
Que atrás das nuvens se esconde
Some sem deixar rastro

Pedro, o exitoso
Dorme o sono descansado
A mãe, feliz com o vitorioso
Beija sua testa com um orgulho danado.

Para Pedro, meu xará super criativo de 3 anos
e sua mãe Juliana

Publicado originalmente em Contos que nem te conto

Vencedor da semana

De acordo com a votação dessa semana, o conto ganhador de uma ilustração foi o “Por que os cachorros cheiram os rabos uns dos outros?”, com 54,17%. É só clicar aqui para conferir!

A contribuição foi feita por Gerardo Martinez. Gracias, Gerardo!

Se você também quiser contribuir com o site, é só me avisar pelos comentários ou por ê-mala.

Como as pessoas aprenderam a falar?

Há muitos e muitos anos atrás, ninguém sabia falar. Os homens todos só sabiam grunhir. Nem os bichos sabiam falar. Quem ensinou todo mundo a falar foi o Palavrôncio.

O Palavrôncio é um desses seres fantásticos que habitam o nosso mundo. Ele é primo dos Lúcios mas, ao contrário dos Lúcios que tem um montão por aí, só tem um dele. Ele é único e com características muito especiais: ele come sons.
Não só ele come sons, como ouve cheiros, cheira cores e luzes e vê o sabor das comidas.

Como assim? Para ele, os cheiros podem estar agudos ou graves, afinados ou como um leve sussurro. As flores têm um cheiro bem agudo. O prato preferido que a mamãe faz quando a gente está doente é super afinado. Pão fresquinho que acabou de sair do forno é um sussurro muito do ritmado.

Ele gosta muito do cheiro do raio de sol que escapa por entre as nuvens. Arco íris tem um cheiro todo misturado e delicioso. Azul cheira meio mal, mas cor-de-burro-quando-foge tem um cheiro ainda pior. Um horror!

E quando ele vê uma comida, já percebe na hora se falta sal ou outro tempero só de olhar. Não pode ver a foto de um jantar que logo fica babando de saborear aquela imagem.

Enfim, o Palavrôncio é bem estranho, mas é um grande amigo de todos os homens e animais. Tudo começou quando ele se percebeu cansado de comer sempre os mesmos sons da natureza: o som da chuva caindo já não interessava tanto, o burburinho do riacho estava meio insosso e só de ouvir o vento ficava enjoado. Já tinha comido demais desses sons, precisava de uns novos.

Foi quando ele percebeu que os homens e animais também estavam fazendo sons, grunhindo. Ele achou aquele som gostoso e decidiu que ia ensinar novos sons para todos. Foi quando ele ensinou as palavras, que ganharam esse nome em sua homenagem. A primeira palavra inventada foi “Oi”, que ele achou tão divertida que ensinou para todo mundo que seria a primeira palavra a ser dita sempre que alguém encontrasse com outra pessoa.

E foi assim, aos poucos e sob os ensinamentos do Palavrôncio, que as palavras se juntaram e viraram a “fala”. De uma hora para a outra, o mundo ficou todo falado. E todo mundo batia papo com todo mundo: homens com antílopes, onças com tatuís, girafas com ornitorrincos. É claro que teve gente que falou mais do que outros – como, por exemplo, os pombos-correio que são os maiores leva-e-traz do mundo – e outros que são bem quietinhos e gostam do silêncio, como as tartarugas, principalmente o Senhor Tartaruga. Mas, em geral, todos se entenderam muito bem e começaram até a inventar formas de falarem mais e de mais longe.

O Palavrôncio ficou tão feliz que não conseguia parar de comer. Depois de um tempo, ficou tão fominha que achou que uma só “fala” não era mais suficiente para a sua fome por palavras. Assim, ele começou a inventar e a ensinar diferentes palavras e “falas” para os diferentes bichos.

E foi a maior confusão! Ninguém conseguia se entender mais. Mesmo bichos da mesma espécie não conseguiam se entender, pois falavam cada um uma “fala” diferente.

O Palavrôncio percebeu que aquilo não estava mais dando certo, mas não queria perder aqueles deliciosos sons novos que ele tinha inventado. Por isso, decidiu que cada espécie de bicho falaria uma palavra diferente e teria a sua própria “fala”. Dessa forma, pelo menos os familiares poderiam se entender entre si. Cada animal ficou com as suas próprias palavras.

E é assim até hoje, com cada bicho com as suas próprias falas, bem diferentes umas das outras. Demorou bastante tempo até que eles voltassem a entender um o que os outros falavam, mas isso já é outro “por quê”.

Por que rimos quando fazem cócegas na gente?

É incontrolável. Sentir os dedos de alguém fazendo cosquinha é ficar rindo, gargalhando sem parar. Muitas vezes, só da pessoa ameaçar e ficar mexendo os dedos no ar e na minha direção eu já me retorço e começo a risada.

É incrível como fazer cócegas na gente é garantia de a gente perder o controle e cair na gargalhada. Parece até que estão apertando botões mágicos que a gente tem, como se nós fôssemos robôs com o botão risada bem à vista para todo mundo ver e apertar quando quiser.

E é isso mesmo que acontece! Não, não somos robôs, mas temos botões mágicos que nos fazem cosquinhas e, por causa disso, rimos. Não há como resistir aos nossos botões; e eles estão por todos os lados. É verdade que tem gente que só sente cócegas com seus botões nas axilas, debaixo do braço, mas os nossos botões estão pelo pescoço e nos pés também. Aliás, os dos pés costumam ser os piores de resistir.

Mas, por que isso, porque a gente tem botões mágicos no corpo que nos fazem rir? Quem pôs isso na gente?

As fadas. Quem? As fadas! Pois é, as fadas colocaram esses botões mágicos na gente quando ainda éramos bebê. Tem uma fase, quando somos ainda nenéns, em que tudo é uma graça só, tudo nos faz rir à toa. Esse é o momento em que as fadas aparecem e ficam vendo onde são os melhores lugares para colocar os botões em cada bebê. E, por conta desses “testes” das fadas, os nenéns ficam rindo com gosto e do nada.

Acontece que as fadas se alimentam de risadas. Uma boa e forte gargalhada é tudo que uma fada precisa para ficar bem forte e poder fazer suas coisas de fada. Para uma fada, não há risada mais gostosa do que uma que sair da mesma boca de onde a própria fada nasceu. Por isso, as fadas que nasceram dos nossos dentes de leite ficam por perto da gente quando estão com fome. Elas ficam escondidinhas, só esperando uma risadinha.

Os botões mágicos são uma forma que as fadas encontraram para garantir sempre um riso bem gostoso. Muitas fadas estavam famintas porque tem gente que é muito séria e nunca ri. Nós mesmos, depois que crescemos e viramos adultos, diminuímos muito a quantidade de risos que damos. Assim, é só apertar os nossos botões que até mesmo os mais sérios caem na gargalhada e as fadinhas têm um banquete completo.

Por isso, sempre que você sentir cócegas, ria e gargalhe com vontade. Dessa forma, estará alimentando um montão de fadas.

O que é o soluço?

O soluço, muita gente diz, acaba se a gente tomar água de cabeça para baixo, prender a respiração ou tomar um susto, certo? Mais ou menos. A maioria das pessoas tenta todas essas técnicas sem perceber que a única que funciona de verdade é a última: tomar um bom susto.

Por que elas tentam as outras, então? Bom, as pessoas não sabem direito o que é um soluço, então não sabem como se curar dele. Como assim “se curar”? O soluço é uma doença? Não, o soluço não é uma doença. Mas é uma infecção, sim. Uma infecção de Lúcio.

Muito antigamente, as pessoas descobriram que era um Lúcio quem causava o soluço e diziam: “Ah, não se preocupe. Isso é só um Lúcio.” Daí que veio o nome: “só Lúcio”, soluço.

Mas não se preocupe que um Lúcio não é aquele seu amiguinho da escola. É só uma coincidência de nomes. O Lúcio de quem eu estou falando não é gente, não. Ele é um daqueles seres fantásticos que habitam o nosso mundo com a gente e ninguém percebe.

O Lúcio de quem estou falando é como se fosse um vento. Ele não pode ser tocado nem visto, apenas sentido. Ele gosta de procurar bocas abertas para entrar. Sua mãe já deve ter falado para você que se ficar com a boca aberta, vai entrar uma mosca, não é? Na verdade, o que vai entrar é um Lúcio!

Uma vez que entra pela boca, o Lúcio fica fazendo as pessoas terem um “só Lúcio”, ou um soluço. É assim que ele se alimenta: das palavras que a gente tenta falar, mas não consegue por causa do soluço. Ele come essas palavras e é por isso que elas somem da nossa boca quando estamos com soluço.

Eu já vi uma menina ficar dias sem conseguir falar uma palavra direito. Mas isso aconteceu porque a mãe dela não sabia o modo infalível de se livrar dos Lúcios: um bom susto. Os Lúcios são muito, mas muito medrosos mesmo. Qualquer sustinho que ele leva, logo se evapora e vai embora. O problema é que, quanto mais tempo ele fica dentro de uma pessoa, mais forte ele fica. Por isso, o susto tem que ser o melhor e mais inesperado possível. Tem que ser caprichado.

Então, se você vir um amigo soluçando por aí, chegue bem de mansinho pelas costas dele e aplique um susto muito bem dado para ele se livrar do Lúcio. E cuidado para não ficar de boca aberta dando mole por aí! Pode ter um Lúcio passando bem na hora e te pegar. Em boca fechada, não entra Lúcio.

Tá ficando chique! Ou quase…

Eu não sei desenhar nem homenzinhos de palitinho que sai tudo troncho. Se minha vida dependesse de eu conseguir traçar uma linha reta (quantas tentativas quisesse), eu morreria fácil. Fui a criança que ganhava 5 na aula de artes da escola “pelo esforço, tadinho”.

MAS…

Tenho amigos que sabem desenhar, são ótimos e entraram na minha loucura de blog para crianças. E um deles me mandou um desenho para um post: Por que algumas aves voam e outras não?

E ficou muito maneiro! Tipo, tá bom, eu sou suspeito para falar alguma coisa (O quê? Só porque o blog é meu, o amigo é meu e o desenho é para mim? Chatos!), mas eu realmente achei que ficou legal.

Eu já tenho outras imagens de outros amigos que também se empolgaram de desenhar as minhas palavras malucas. E, para direcionar seus esforços criativos, eu decidi fazer uma enquete semanal. Toda semana vou perguntar qual é o post que vocês gostariam de ver ilustrado (tá ali, na barra lateral). Ao final da semana, o post que ganhar receberá sua imagem bonitinha.

Como são pessoas diferentes, com visões diferentes dos contos e traçados diferentes, os desenhos devem ter estilos bem diferentes uns dos outros. Espero que curtam e me ajudem a escolher qual o post a ser ilustrado a cada semana.
Ah! Aproveito para dizer mais três coisas: vou abrir uma “caixa de recados” no menu lateral para, como diz o nome, deixar recados de coisinhas legais.

A segunda coisa é que o blog está aberto para contribuições, sem cobranças e sem restrições. Quem quiser mandar um desenho legal para ilustrar um post – mesmo que seja um post que já tenha um desenho, não tem importância – pode deixar um recado aqui que eu entro em contato. (Embora eu não esteja respondendo os comentários no momento, eu leio todos. Obrigado pela força a todos!)

A terceira coisa é, ainda no tema “quem quiser ajudar, levante a mão”, esse blog só é possível se for alimentado com perguntas. A maioria das perguntas eu inventei, outras tantas foram ajuda de amigos e leitores. Se você quiser contribuir também com uma pergunta, será mais do que bem-vinda. Se a sua pergunta foi feita pelo filho, sobrinho, neto, parente do periquito que é vizinho do papagaio do cachorro da esquina, melhor ainda. Criatividade de criança não tem igual.

Bom, beijos para quem é de beijo e abraços para quem é de abraços.
E espero que estejam curtindo essa loucura aqui.

Pedrin

O que são as estrelas no céu?

Aqueles pontos luminosos que aparecem no céu de noite são as estrelas. Quer dizer, se você está vendo uma muuuuuuito grande, deve ser a Lua. E se a estrela estiver se movendo, pode ser um avião, um alienígena ou um dragão perdido.

O quê? Eu nunca contei que os dragões brilham no escuro? Isso é muito importante quando voam de noite, para não baterem uns nos outros. É por isso que, quando está uma noite nublada, às vezes dá para ver uma estrela no meio das nuvens. São os dragões escondidos lá.

Mas, bom, voltando, à resposta da pergunta, se aparece de noite, não é grande como a Lua e não se mexe, é uma estrela. As estrelas que aparecem de noite são todas que nem o Sol. Só que estão tão longe que parecem pequenas.

De resto, o Sol é uma estrela igualzinha às outras todas. São temperamentais, manhosas, choronas e gostam de tudo do jeito delas senão batem o pé e prendem a respiração. São bem complicadas mesmo.

Quem cuida das estrelas é a Lua. Ela passeia pelo céu de noite conferindo se estão todas comportadas e satisfeitas. Quando acontece de alguma estrela fazer birra ou uma travessura, a Lua vai lá para perto dela e brilha bastante. Isso impede que a estrela malcriada apareça e não há castigo pior para uma estrela do que não poder aparecer no céu. E não adianta chorar, fazer manha, bater pezinho nem nada, a lua só tira do castigo a estrelinha travessa depois que esta pede desculpas. Aí tudo volta ao normal e todas brilham juntas e muito bonitas no céu.

Por que as estrelas estão brilhando lá no céu? Ora, elas estão lá para brincarem de fazer desenhos no céu. Elas se juntam e formam lindas imagens.

Tem gente que diz que elas fazem os mesmos desenhos todas as noites, mas eu tenho certeza de que não é assim. É porque toda vez que olho para o céu cheio de estrelas, eu vejo uma forma nova e mais linda que a anterior.

É por isso que, toda noite, eu passo um tempo olhando para o céu e descobrindo os novos desenhos que as estrelas fizeram. É a minha forma de agradecer e valorizar o esforço das estrelinhas e deixar todas contentes pelo excelente trabalho.

Por que algumas aves voam e outras não?

Houve um tempo em que nenhum bicho voava. Nenhum mesmo. Vivam todos para cima e para baixo e era a maior confusão. Tinha bicho demais andando por aí. Todos se esbarravam, passavam na frente ou iam muito devagar e engarrafava tudo.

Um dia, uma galinha estava andando de um lado para o outro, preocupada com todo esse trânsito pelo mundo. E a gente sabe como as galinhas ficam tensas quando têm um problema, certo? Ficam dando voltas pelo galinheiro, andando sem parar, começam a gaguejar enquanto cacarejam e sai pena para tudo quanto é lado.

A essa altura do campeonato, a galinha já estava sem voz de tanto cacarejar gaguejando, quase sem penas e bastantes cansada de tanto andar. Foi aí que aconteceu: ela ia dar só mais uma volta no galinheiro e parar quando tropeçou numa pedra.

Você já viu alguém tropeçar, como abre os braços para tentar se equilibrar de volta? Pois bem, a galinha fez o mesmo. Só que ela não tem braços, tem asas.

Naquele tempo, as asas nem se chamavam assim ainda. Todo mundo chamava de “aqueles braços estranhos”, o que deixava quem tinha os tais “braços estranhos” muito triste.

Bom, acontece que, ao abanar seus “braços estranhos” para não cair, a galinha voou! Ela ficou super animada com a invenção que foi correndo contar e ensinar para todos os seus amigos que tinham “braços estranhos” como fazer.
“É só cair e mexer as… as… as… os braços!”, disse a galinha. Cansada e nervosa como estava, mas ansiosa pra contar logo pra todo mundo, ela gaguejava e se enrolava toda para explicar. Ficava lá repetindo “agora mexe as… as… as… O braço!” O pessoal que tava aprendendo, que não sabia que a galinha estava confusa e gaguejante, achou que ela tinha dado nome pros seus “braços estranhos” e gostaram. Ficou “as asas”, e é assim até hoje.

O nome que a galinha voadora propositalmente inventou foi “voar”, isso sim. Ela pensou bastante e decidiu que essa palavra queria dizer tudo o que ela queria fazer: “eu vou no ar”, voar!

Mas bem, a galinha foi contando para todos os pássaros, um grupo de cada vez: os rouxinóis, os sabiás, as gaivotas, as corujas, as águias etc. No final da fila, estavam os pingüins, os avestruzes e as outras galinhas.

Só que a voz da galinha voadora estava se acabando de vez. Então ela avisou para o pessoal que sobrou que só conseguiria continuar no dia seguinte e foi descansar um pouco. Mas, assim que os pingüins e avestruzes foram embora, as outras galinhas foram para cima da galinha voadora e pediram para ela ensinar logo, naquele dia mesmo, como fazia para voar. A galinha voadora estava super cansada e sem voz, mas acabou cedendo às insistentes amigas.

A aula acabou sendo a pior do dia, cheia de mímicas e de má vontade, feita às pressas para poder ir logo dormir. No dia seguinte, as galinhas acordaram e não conseguiram voar direito – nem mesmo a galinha voadora, quem tinha inventado o voar. Acontece que as galinhas têm uma memória muito pequenininha, do tamanho das suas cabecinhas. Então elas não se lembravam mais como voar, nem mesmo a galinha voadora que, depois de ter dormido tão pesado pelo cansaço, não se lembrava nem de ter sido a inventora do vôo.

Quando os pingüins e avestruzes chegaram para a aula de voar, ficaram chateadíssimos com as galinhas, que não sabiam voar e muito menos ensinar para eles como fazer. E as outras aves, que sabiam voar e tinham ótimas memórias, já tinham ido cada uma para um canto voando e cantando alegremente. Não sobrou um para contar o que fazer para os que ficaram por último.

Tristíssimos com aquilo, os pingüins resolveram morar nos pólos, um lugar bem longe e bem frio onde nenhum outro pássaro queria ficar – principalmente as galinhas.

Os avestruzes, por usa vez, resolveram ficar onde estavam, mas fazem questão de mostrar seu descontentamento com todos enfiando sua cabeça num buraco no chão sempre que vêem alguém de quem não gostam, principalmente as galinhas. Os avestruzes podem ser muito temperamentais assim mesmo.

E as galinhas? Até hoje elas não aprenderam direito como se voa. Para falar a verdade, se você contar para uma galinha que foi uma companheira dela quem inventou o vôo, ela vai rir na sua cara e dizer o que toda galinha fala quando não se lembra de alguma coisa: “có co córicó córicó có-có.” Vai entender, né?

Desenho fantástico feito por Rafael BrandãoGalinha Voadora – by Rafael Brandão

Se eu colocar as mãos sobre os meus olhos, alguém pode me ver?

Esta é uma ótima pergunta que muitas crianças fazem. E a resposta para ela é, na verdade, “pode ser”.

Como assim “pode ser”? Bom, acontece que, sozinhas, as pessoas não conseguem sumir dessa forma. Isso só é possível na presença e com a ajuda da Cuca.

A Cuca é um desses seres fantásticos que habitam o nosso mundo junto com a gente. Os adultos e muitas crianças mais velhas acham que ela não existe. Mas isso só acontece porque a Cuca evita se mostrar para esse pessoal. Na verdade, a Cuca gosta mesmo é de brincar com bebês e crianças bem pequenininhas.

A Cuca gosta de brincar de sumir e de aparecer do nada na frente das pessoas. Os bebês e as crianças pequenas adoram essa brincadeira e riem um montão. Só que, depois de certa idade, a gente perde a capacidade de curtir esse joguinho e começa a se assustar. E isso não é legal. A Cuca também não gosta de dar sustos nas pessoas. O dia mais triste na via de uma Cuca é quando a criança se assusta pela primeira vez. Tadinha.

Bom, para poder sumir, a Cuca põe suas mãos sobre o rosto e simplesmente some. Ela pode aparecer de novo em qualquer lugar, mas ela sempre aparece na frente da criança. Ela também pode ensinar uma criança a sumir rapidamente. Ela faz isso para a menina ou o menino também poder brincar da mesma forma que ela.

Embora a criança só consiga sumir rapidamente e por pouco tempo, isso já causou confusão com os pais das crianças sumidas. Principalmente porque a Cuca não tem hora nem lugar para brincar, podendo ser dentro de um supermercado cheio, no meio do carnaval ou em pleno parque de diversões. Mas não fiquem chateados, não, papais. É só a Cuca e seus filhos brincando. Logo, logo eles aparecem.

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