Por que as bexigas às vezes sobem e às vezes murcham?

Você já parou para pensar por que esses balões que compramos na pracinha às vezes sobem até sumir no céu e às vezes murcham no nosso quarto? Eu também! Esse é um mistério que me deixa pasmado. Por que será?

Eu imagino que seja pelo que tem dentro desses balões. Ar, é claro que não é, já que quando a gente enche uma bexiga com a boca, não sobe para o céu.

O problema é que eu nunca consegui descobrir o que é que tem dentro. Sempre que eu tento abrir para ver, o que tem lá dentro escapa e vai todo embora. Só dá tempo de ver que é transparente.

Tem gente que diz que é bafo de Bicho Papão. Mas eu não acho que seja porque não tem cheiro e o bafo de um Bicho Papão é horrível. Outras pessoas acham que é pum de dragão. Além de achar um pouco nojento, duvido que um dragão peidaria dentro de um balão; eles são muito educados para isso.

Depois de ficar um tempão tentando imaginar o que pode ser que está dentro dos balões, imaginei que poderia ser um Lúcio. Ele é transparente que nem o ar e sabe voar. Aí, esperei ficar com um soluço e pedi para um amigo me dar um susto bem forte enquanto enchia um balão. Tudo isso para ver se conseguia prender um Lúcio dentro da bexiga.

Só o que consegui foi levar um baita susto que me deixou sem ar e me fez soltar a bexiga, que ficou voando pelo quarto até se esvaziar. Lúcio no balão, que é bom, nadica de nada.

Independente de conseguir pegar um Lúcio dentro de um balão, eu tenho certeza de que é um deles que está lá dentro. Acho que ele tenta subir para o céu para pedir ajuda para os outros Lúcios para se soltar. E eles murcham quando estão muito fracos para se sustentarem sozinhos, por fome ou por cansaço mesmo.

Então, o que eu sugiro são duas coisas: primeiro, se perceber que a sua bexiga está murchando, estoure ela rapidamente. Assim, o Lúcio poderá ir embora e recuperar suas forças. E, segundo, se você tentar pegar um Lúcio da mesma forma que eu tentei, não se esqueça de não soltar o balão por causa do susto, hein!

De onde vêm as flores?

Existem diversos tipos de flores, dos mais diversos tipos e tamanhos. E das mais incríveis e variadas cores também. Elas estão em praticamente todos os lados embelezando a nossa vida. Mas, como foi que elas surgiram?

Tem algumas flores, aquelas que alimentam as borboletas, que nascem dos dentes que caem dos nossos vovôs e vovós. Mas essas flores são muito especiais. Há muitas outras mais além dessas e são dessas outras que eu quero falar.

Bom, você já se perguntou o que fazem as fadas? Quero dizer, além de nascer dos nossos dentes de leite, colocar “botões mágicos” para a gente rir e se alimentar de nossas risadas. Acontece que as fadas passam seu tempo ajudando bichos, pessoas e outros seres fantásticos.

Lembra as vezes em que você estava louco procurando seu dever de casa que você tinha deixado largado sobre a mesa e a Coisa no Armário foi lá e escondeu? E aí você encontrou dentro da sua mochila ou sobre a cama? Pois é, foi uma fada quem ajudou.

Elas passam toda a sua vida ajudando quem estiver com problemas, sem descansar. Mas tem um momento em que elas param. Ninguém sabe muito bem quanto tempo vivem as fadas, mas sabemos muito bem o que acontece com elas depois que deixam de ser fadas.

“Deixam de ser fadas”? Como assim? Pois é, as fadas, depois que vivem toda a sua vida ajudando os outros e ficam cansadas, não morrem. Elas se transformam. Elas viram flores.

Você já deve ter percebido que há pessoas dos mais diversos tipos, né? Altas, baixas, gordas, magras, loiras, morena etc. Bom, as mais diversas pessoas fazem as ainda mais diversas fadas, de tudo quanto é cor e formato de asas. E são essas fadas que viram essa imensidão de lindas flores que temos pelo mundo, com todas as suas formas, cheiros e cores.

Aposto como você não esperava que aquele seu dente que caiu fizesse tanta coisa legal nesse mundo, né?

O que é a coceira?

A coceira é algo que me intrigou por muito tempo e eu tentei decifrá-la por completo até conseguir. Ao contrário do que possa parecer, a coceira pode não ser causada por um bicho ou ser imaginário. É claro que há piolhos, pulgas, falta de banho e ervas daninha. Mas, muitas vezes, são causadas, na verdade, por defeitos.

Como assim? Pois é, defeitos. Coisas no nosso corpo que deveriam estar funcionando direitinho e que, às vezes, falham e causam coceira. É claro que depende de onde é a coceira para saber que coisa é a que está falhando. As diferentes partes do nosso corpo funcionam de formas diferentes. Por isso, aqui vai um guia para saber o que está acontecendo para você sentir coceira e o que fazer.

Tronco, braços e pernas: Você, às vezes, sente uma coceirinha debaixo do braço ou na perna que vem do nada e que passa tão rápido quanto veio? E a sua mãe diz que é porque você não toma banho há três dias? Bom, pode ser que a sua mãe tenha mesmo razão (afinal de contas, três dias sem tomar banho não é pouco) e você precise de um bom banho. Mas, se depois do banho, essas coceiras doidas continuarem, isso só pode significar uma coisa: seus botões mágicos estão com defeito.

Hein? Botões mágicos? Sim! Lembra dos botões mágicos que as fadinhas colocaram na gente quando éramos bebê? Pois é, eles podem estar com defeito e, ao invés de fazerem cócegas, estão dando coceiras.

Se este for o caso, não se preocupe: as fadinhas já devem estar sabendo do que aconteceu e provavelmente vão consertar tudo enquanto você dorme. O que você pode fazer é dar umas boas gargalhadas sempre que se lembrar. É para que as fadinhas não fiquem morrendo de fome enquanto não arrumam seus botões mágicos e enchem a pança de risos.

Costas: As coceiras nas costas são as piores. Principalmente se você não consegue alcançar a parte que está coçando. É como se a coceira ficasse te zombando até você conseguir uma forma de dar fim nela.

Bom, é claro que também pode ser pela falta daquele banho de três dias (De novo? Você, hein!). Também pode ser por conta de algum mosquito chato. E até mesmo devido a algum defeito nos botões mágicos. Mas, na verdade, na maioria das vezes a coceira nas costas é causada por uma Cuca brincalhona.

As Cucas realmente não costumam procurar crianças grandes ou adultos para brincar, mas tem vezes que elas se lembram de como era divertido quando a gente era pequenininho. Elas olham para gente e vêem aquela criança pequenininha que já fomos (tipo nossa mãe quando nossos amigos vêm na nossa casa e elas decidem mostrar os álbuns de fotos da gente bebê e peladões). Aí elas não conseguem resistir e decidem brincar de novo.

Para não assustar a gente e não termos medo, elas cutucam as nossas costas e ficam dando voltas para não as vermos. Até ela desistir, fica aquela coceira chata fora do alcance incomodando a gente.

Para conseguir que a Cuca pare, tem que dar um susto nela. Grite bem alto cada vez que sentir a coceira chata “Para, Cuca!” Depois é torcer para ela te ouvir, se assustar e ir embora.

Garganta: Quem já não sentiu uma coceira na garganta? Não digo no pescoço, que pode realmente falta de banho (Chega! Vai tomar banho de vez!) ou os botões mágicos com defeito. Eu digo na garganta, daquele tipo que a gente faz “rum-rum” para limpar.

Muita gente acha que é exatamente o tal do “bichinho do rum-rum”. Pode até ser que haja o tal do bichinho, mas eu nunca o encontrei na minha garganta. Sempre que deu coceira na garganta, quem encontrei foi um Lúcio.

Para ser mais correto, encontrei um filhote de Lúcio. Pois é, os seres imaginários também têm filhinhos. E, até eles crescerem, ainda não sabem fazer direito o que os adultos fazem.

É por isso que o filhote de Lúcio não dá soluço. Ele dá é coceira na garganta. Mas não se preocupe que é fácil de tirar um “Lucinho” da garganta: é só tomar um copo de água bem refrescante. E não precisa nem ser de cabeça para baixo, viu?

Cabeça: As coceiras na cabeça, se você perguntar para a sua mãe, ela vai dizer que é piolho, caspa ou falta de banho. Para algumas pessoas, eu até concordo (Você não, que já tomou banho, né? Muito bem!), mas muitas vezes pode ser outra coisa completamente diferente.

Eu entendo as mães acharem que é um piolho. Afinal de contas, nossas cabeças podem estar cheias de bichos mesmo, dentro e fora dela: piolhos, pulgas, nhonhos etc. Mas a verdade é que essas coceiras são causadas por outra coisa que nossas mães dizem que temos nas cabeças: caraminholas.

O que são “caraminholas”? São idéias! Mais precisamente, idéias malucas. São idéias muito loucas, criativas, fantásticas que estão presas dentro das nossas cabeças e que precisam sair. Se não saem, dão coceira.

Para fazê-las sair, só é preciso brincar. Ou ler. Ou escrever. Ou cantar. Enfim, é só deixar a sua imaginação solta. E quando a sua mãe falar para você deixar de ter caraminholas na cabeça, explique para ela que você precisa brincar, então. Senão coça.

Como o Papai Noel faz para saber se a gente se comportou o ano inteiro?

Todo mundo sabe que o Papai Noel só dá presente para as crianças que se comportam. Ele sempre sabe quem foram as crianças, ou bichos, ou seres fantásticos que fizeram travessuras ao longo do ano. Ele não perde ninguém de vista o ano inteiro.

Mas como será que ele faz para saber de todo mundo? É claro que ele tem ajudantes, como os duendes que o ajudam na sua casa para montarem os brinquedos e embrulhá-los, mas não são os duendes que ajudam a ficar de olho nas crianças.

Na verdade, são os insetos que ajudam. Como assim? A barata e o mosquito são ajudantes do Papai Noel? Exatamente! Eles e muitos outros mais. Os insetos têm várias formas e, por isso, conseguem estar em quase todo canto do planeta. Para cada lugar, um grupo de insetos.

E para cada tipo de ser vivo também. Um bom exemplo disso são os vaga-lumes. Eles ficam piscando de noite e isso serve para eles se esconderem no meio das estrelas sem serem percebidos. O brilho que emitem faz com que também pareçam estrelas e possam vigiá-las de pertinho. Nem mesmo a Lua consegue controlar tão bem o que as estrelas fazem. É por isso que quase nenhuma ganha presente de natal, essas travessas.

Para as fadinhas, praticamente não seria necessário ter alguém vigiando. Elas são tão boazinhas sempre que dificilmente alguma não recebe presente. Só que, às vezes, tem algumas poucas fadinhas que são muito comilonas. Por conta disso, elas ficam apertando os nossos “botões de risadas” o tempo todo. Nós não percebemos que são elas, só achamos que estamos tendo um ataque de bobeira e ficamos rindo à toa. É por conta dessas fadinhas que os mosquitos vigiam.

Agora, tem seres fantásticos que são bem mais difíceis de vigiar. E, por isso, costumam ser os mais travessos. A Coisa no Armário, por exemplo, é mestra em se esconder. Para vigiá-las existem as traças que ficam dentro dos armários junto com a Coisa. Os Lúcios, que são invisíveis, são vigiados pelas moscas. Aquilo que nossos pais falam, “em boca fechada, não entra mosca”, é porque as moscas estão dando uma conferida para ver se não entrou algum Lúcio na nossa boca.

Assim, todos os insetos ajudam o Papai Noel de uma forma ou de outra: debaixo das camas com os Fofis ou no céu com os dragões. Todo mundo recebe um vigia adequado e, no final do ano, recebe ou não o seu presente. É por isso que eu me comporto direitinho o ano todo – nunca se sabe quem pode estar vigiando.

Por que temos que comer vegetais?

Essa é uma pergunta que eu já me fiz várias vezes. Toda vez que vejo um espinafre ou uma couve-flor, eu penso nela. Mas a resposta sempre me faz comer tudo direitinho até o final.

Bom, você sabe que fome e vontade de comer são coisas bem diferentes, certo? Não? É verdade! A vontade de comer vem de dentro da nossa cabeça, enquanto a fome vem da nossa barriga. E cada uma tem sua razão de ser.

A vontade de comer é o que faz a gente comer mais do que precisa. É o que nos dá desejo de comer a comida favorita, o bolo da avó, o sorvete da esquina. Ela não tem hora para aparecer e só para depois de saciada. E é tudo culpa do Nhonho.

De quê? Do Nhonho, um bichinho gordinho e de olhos grandes que vive dentro da nossa cabeça. Ninguém sabe direito onde dentro da nossa cabeça que ele mora, mas eu suspeito que seja entre os olhos e o nariz. Ou, pelo menos, é onde fica o meu, porque ele não pode ver nem sentir o cheiro de comida que já cria a vontade de comer. Fica enchendo minha boca de saliva e minha cabeça de desejo até eu comer o que ele quer e ficar satisfeito.

Como o Palavrôncio, ele não come com a boca, ele come com os olhos. Isso significa que ele se alimenta de ver a gente comer. Tem gente que tem Nhonhos muito gulosos que comem muito com os olhos e fazem com que essas pessoas comem muito também. É preciso aprender a controlar o seu Nhonho para que ele não controle você.

A fome, como eu já disse, vem da barriga. Ela costuma ter hora para aparecer. Às vezes, ela aparece junto com a vontade de comer, mas, geralmente, a vontade de comer aparece muito mais vezes no dia que a fome. Foi a fome que, com seus horários regulados, organizou as nossas refeições e disse para a gente para comermos café da manhã, almoço e jantar.

O responsável pela fome, na verdade, é ela: a Cricri. Ela mora dentro da nossa barriga, bem atrás do nosso umbigo. A Cricri é um bichinho bem magrinho que tem uma cabeça com váááárias bocas, cada uma com um formato diferente. Ela passa a maior parte do dia dormindo, mas, quando acorda, ruge que nem um leão!

Sabe aquela sensação de fome que temos? É a Cricri dando cambalhota na nossa barriga, esperando para ser alimentada.

Aliás, alimentar a Cricri não é fácil, não. Com o monte de bocas que ela tem, cada uma precisa de uma comida diferente. Eu ainda não consegui contar quantas bocas uma Cricri tem. Só sei que o melhor para alimentá-la é comer o maior número de cores e formas diferentes.

Como assim? Ora, a Cricri vive dentro da nossa barriga, atrás do umbigo. E é para lá que vai a nossa comida depois que engolimos tudo. Tudo passa pela Cricri. As suas mais diversas bocas com seus mais diversos formatos têm, cada uma, um gosto muito peculiar e único. Uma gosta de coisas verdes em forma de folha. Outra gosta de arvorezinhas brancas. Tem outra que quer comer coisas bem vermelhas. E por aí vai.

Isso tudo não é porque ela come a nossa comida. O que a Cricri come são as cores e as formas da comida que nós comemos. Ela vê o que chega na nossa barriga e cada boca come uma imagem até ficar satisfeita.

Dá até para enganar por um tempinho a Cricri e não dar tantas cores e formatos diferentes para ela se alimentar. Mas chegar uma hora em que a boca que não está sendo alimentada começa a reclamar e aí já viu, né?

Uma vez, eu parei de comer espinafre e couve-flor. Quando as bocas dessas cores e formas começaram a reclamar, foi terrível! Minha barriga ficou estranha, eu fiquei enjoado e não conseguia fazer nada. Só depois que eu prometi para a Cricri que voltaria a comer espinafre e couve-flor foi que as bocas me deram um descanso.

Desde então, eu como de tudo um pouco – mesmo que seja espinafre ou couve-flor. Eu, se fosse você, também comeria tudo o que sua minha mãe põe no prato. Não queira deixar a sua Cricri irritada.

Por que se ouve o trovão depois de ver o raio?

Toda vez que chove muito é a mesma coisa: a cada raio que cai, eu tomo dois sustos, o do clarão e o do trovão. Às vezes, os dois vêm juntos, quando um raio cai muito perto. Porém, na maioria das vezes, são dois pulos. Mas, por que será que eles vêm separados?

Primeiro de tudo, há a pergunta ainda mais importante que essa: por que existem raios e trovões?

Comecemos do princípio, então: raios são as luzes que saem do meio das nuvens e trovões são os barulhos que eles, os raios, fazem. Certo? Bom, mais ou menos.

Dito isso, vamos responder a pergunta primária. Os raios e os trovões só caem quando está chovendo ou para anunciar que vai chover, não é? Provavelmente você, que sabe que os dragões moram nas nuvens, acha que eles têm alguma coisa a ver com isso. Bom, não está de todo certo, mas também não está de todo errado.

Acontece que quando começa a cair raios, os pobres dragões ficam com medo. Imagine, se já é assustador para a gente aqui embaixo, lá em cima, no meio das nuvens, do ladinho dos raios é mais do que qualquer um pode agüentar.

Para não ficarem com tanto medo, eles fazem que nem a gente. Nós, quando cai um raio que nos acorda no meio da noite e nos assusta não corremos para a cama dos nossos pais? Os dragões também não gostam de ficar sozinhos quando têm medo, por isso eles se juntam e contam histórias legais e piadas engraçadas uns para os outros. Mas, quando cai um raio, todos se assustam juntos e se abraçam com medo.

Você já ouviu berro de dragão medroso? Você acha que não, mas o trovão é exatamente isso: um monte de dragão morrendo de medo berrando junto. Aquele barulhão estrondoso que nos assusta tanto foi feito por todos aqueles dragões se tremendo, abraçados e com medo dos raios.

Eles ficam juntos, de uma nuvem para a outra, fugindo dos raios. Por isso, quando um raio cai longe e demora para escutarmos o trovão, é porque os dragões estavam lá longe junto com o raio. Mas, quando o raio cai pertinho da gente e nós ouvimos quase que ao mesmo tempo o trovão, é porque os dragões estavam numa nuvem bem em cima da nossa casa, com medo, coitados.

Mas o que é o raio, então? O raio é uma travessura das estrelas. Elas sabem que os dragões são muito medrosos e que têm medo dos raios, por isso elas saem lá de longe de onde moram, se escondem no meio da chuva e, do nada, passam voando bem rápido, parecendo um raio. Aproveitam que, no meio do temporal, a Lua não consegue identificar direito qual foi a estrela travessa que soltou o raio e não pode punir ninguém. Então elas passam a chuva toda assustando dragões, bichos e a gente.

Tadinhos dos dragões (e da gente também)!

Como as pessoas aprenderam a falar?

Há muitos e muitos anos atrás, ninguém sabia falar. Os homens todos só sabiam grunhir. Nem os bichos sabiam falar. Quem ensinou todo mundo a falar foi o Palavrôncio.

O Palavrôncio é um desses seres fantásticos que habitam o nosso mundo. Ele é primo dos Lúcios mas, ao contrário dos Lúcios que tem um montão por aí, só tem um dele. Ele é único e com características muito especiais: ele come sons.
Não só ele come sons, como ouve cheiros, cheira cores e luzes e vê o sabor das comidas.

Como assim? Para ele, os cheiros podem estar agudos ou graves, afinados ou como um leve sussurro. As flores têm um cheiro bem agudo. O prato preferido que a mamãe faz quando a gente está doente é super afinado. Pão fresquinho que acabou de sair do forno é um sussurro muito do ritmado.

Ele gosta muito do cheiro do raio de sol que escapa por entre as nuvens. Arco íris tem um cheiro todo misturado e delicioso. Azul cheira meio mal, mas cor-de-burro-quando-foge tem um cheiro ainda pior. Um horror!

E quando ele vê uma comida, já percebe na hora se falta sal ou outro tempero só de olhar. Não pode ver a foto de um jantar que logo fica babando de saborear aquela imagem.

Enfim, o Palavrôncio é bem estranho, mas é um grande amigo de todos os homens e animais. Tudo começou quando ele se percebeu cansado de comer sempre os mesmos sons da natureza: o som da chuva caindo já não interessava tanto, o burburinho do riacho estava meio insosso e só de ouvir o vento ficava enjoado. Já tinha comido demais desses sons, precisava de uns novos.

Foi quando ele percebeu que os homens e animais também estavam fazendo sons, grunhindo. Ele achou aquele som gostoso e decidiu que ia ensinar novos sons para todos. Foi quando ele ensinou as palavras, que ganharam esse nome em sua homenagem. A primeira palavra inventada foi “Oi”, que ele achou tão divertida que ensinou para todo mundo que seria a primeira palavra a ser dita sempre que alguém encontrasse com outra pessoa.

E foi assim, aos poucos e sob os ensinamentos do Palavrôncio, que as palavras se juntaram e viraram a “fala”. De uma hora para a outra, o mundo ficou todo falado. E todo mundo batia papo com todo mundo: homens com antílopes, onças com tatuís, girafas com ornitorrincos. É claro que teve gente que falou mais do que outros – como, por exemplo, os pombos-correio que são os maiores leva-e-traz do mundo – e outros que são bem quietinhos e gostam do silêncio, como as tartarugas, principalmente o Senhor Tartaruga. Mas, em geral, todos se entenderam muito bem e começaram até a inventar formas de falarem mais e de mais longe.

O Palavrôncio ficou tão feliz que não conseguia parar de comer. Depois de um tempo, ficou tão fominha que achou que uma só “fala” não era mais suficiente para a sua fome por palavras. Assim, ele começou a inventar e a ensinar diferentes palavras e “falas” para os diferentes bichos.

E foi a maior confusão! Ninguém conseguia se entender mais. Mesmo bichos da mesma espécie não conseguiam se entender, pois falavam cada um uma “fala” diferente.

O Palavrôncio percebeu que aquilo não estava mais dando certo, mas não queria perder aqueles deliciosos sons novos que ele tinha inventado. Por isso, decidiu que cada espécie de bicho falaria uma palavra diferente e teria a sua própria “fala”. Dessa forma, pelo menos os familiares poderiam se entender entre si. Cada animal ficou com as suas próprias palavras.

E é assim até hoje, com cada bicho com as suas próprias falas, bem diferentes umas das outras. Demorou bastante tempo até que eles voltassem a entender um o que os outros falavam, mas isso já é outro “por quê”.

Por que rimos quando fazem cócegas na gente?

É incontrolável. Sentir os dedos de alguém fazendo cosquinha é ficar rindo, gargalhando sem parar. Muitas vezes, só da pessoa ameaçar e ficar mexendo os dedos no ar e na minha direção eu já me retorço e começo a risada.

É incrível como fazer cócegas na gente é garantia de a gente perder o controle e cair na gargalhada. Parece até que estão apertando botões mágicos que a gente tem, como se nós fôssemos robôs com o botão risada bem à vista para todo mundo ver e apertar quando quiser.

E é isso mesmo que acontece! Não, não somos robôs, mas temos botões mágicos que nos fazem cosquinhas e, por causa disso, rimos. Não há como resistir aos nossos botões; e eles estão por todos os lados. É verdade que tem gente que só sente cócegas com seus botões nas axilas, debaixo do braço, mas os nossos botões estão pelo pescoço e nos pés também. Aliás, os dos pés costumam ser os piores de resistir.

Mas, por que isso, porque a gente tem botões mágicos no corpo que nos fazem rir? Quem pôs isso na gente?

As fadas. Quem? As fadas! Pois é, as fadas colocaram esses botões mágicos na gente quando ainda éramos bebê. Tem uma fase, quando somos ainda nenéns, em que tudo é uma graça só, tudo nos faz rir à toa. Esse é o momento em que as fadas aparecem e ficam vendo onde são os melhores lugares para colocar os botões em cada bebê. E, por conta desses “testes” das fadas, os nenéns ficam rindo com gosto e do nada.

Acontece que as fadas se alimentam de risadas. Uma boa e forte gargalhada é tudo que uma fada precisa para ficar bem forte e poder fazer suas coisas de fada. Para uma fada, não há risada mais gostosa do que uma que sair da mesma boca de onde a própria fada nasceu. Por isso, as fadas que nasceram dos nossos dentes de leite ficam por perto da gente quando estão com fome. Elas ficam escondidinhas, só esperando uma risadinha.

Os botões mágicos são uma forma que as fadas encontraram para garantir sempre um riso bem gostoso. Muitas fadas estavam famintas porque tem gente que é muito séria e nunca ri. Nós mesmos, depois que crescemos e viramos adultos, diminuímos muito a quantidade de risos que damos. Assim, é só apertar os nossos botões que até mesmo os mais sérios caem na gargalhada e as fadinhas têm um banquete completo.

Por isso, sempre que você sentir cócegas, ria e gargalhe com vontade. Dessa forma, estará alimentando um montão de fadas.

O que é o soluço?

O soluço, muita gente diz, acaba se a gente tomar água de cabeça para baixo, prender a respiração ou tomar um susto, certo? Mais ou menos. A maioria das pessoas tenta todas essas técnicas sem perceber que a única que funciona de verdade é a última: tomar um bom susto.

Por que elas tentam as outras, então? Bom, as pessoas não sabem direito o que é um soluço, então não sabem como se curar dele. Como assim “se curar”? O soluço é uma doença? Não, o soluço não é uma doença. Mas é uma infecção, sim. Uma infecção de Lúcio.

Muito antigamente, as pessoas descobriram que era um Lúcio quem causava o soluço e diziam: “Ah, não se preocupe. Isso é só um Lúcio.” Daí que veio o nome: “só Lúcio”, soluço.

Mas não se preocupe que um Lúcio não é aquele seu amiguinho da escola. É só uma coincidência de nomes. O Lúcio de quem eu estou falando não é gente, não. Ele é um daqueles seres fantásticos que habitam o nosso mundo com a gente e ninguém percebe.

O Lúcio de quem estou falando é como se fosse um vento. Ele não pode ser tocado nem visto, apenas sentido. Ele gosta de procurar bocas abertas para entrar. Sua mãe já deve ter falado para você que se ficar com a boca aberta, vai entrar uma mosca, não é? Na verdade, o que vai entrar é um Lúcio!

Uma vez que entra pela boca, o Lúcio fica fazendo as pessoas terem um “só Lúcio”, ou um soluço. É assim que ele se alimenta: das palavras que a gente tenta falar, mas não consegue por causa do soluço. Ele come essas palavras e é por isso que elas somem da nossa boca quando estamos com soluço.

Eu já vi uma menina ficar dias sem conseguir falar uma palavra direito. Mas isso aconteceu porque a mãe dela não sabia o modo infalível de se livrar dos Lúcios: um bom susto. Os Lúcios são muito, mas muito medrosos mesmo. Qualquer sustinho que ele leva, logo se evapora e vai embora. O problema é que, quanto mais tempo ele fica dentro de uma pessoa, mais forte ele fica. Por isso, o susto tem que ser o melhor e mais inesperado possível. Tem que ser caprichado.

Então, se você vir um amigo soluçando por aí, chegue bem de mansinho pelas costas dele e aplique um susto muito bem dado para ele se livrar do Lúcio. E cuidado para não ficar de boca aberta dando mole por aí! Pode ter um Lúcio passando bem na hora e te pegar. Em boca fechada, não entra Lúcio.

Se eu colocar as mãos sobre os meus olhos, alguém pode me ver?

Esta é uma ótima pergunta que muitas crianças fazem. E a resposta para ela é, na verdade, “pode ser”.

Como assim “pode ser”? Bom, acontece que, sozinhas, as pessoas não conseguem sumir dessa forma. Isso só é possível na presença e com a ajuda da Cuca.

A Cuca é um desses seres fantásticos que habitam o nosso mundo junto com a gente. Os adultos e muitas crianças mais velhas acham que ela não existe. Mas isso só acontece porque a Cuca evita se mostrar para esse pessoal. Na verdade, a Cuca gosta mesmo é de brincar com bebês e crianças bem pequenininhas.

A Cuca gosta de brincar de sumir e de aparecer do nada na frente das pessoas. Os bebês e as crianças pequenas adoram essa brincadeira e riem um montão. Só que, depois de certa idade, a gente perde a capacidade de curtir esse joguinho e começa a se assustar. E isso não é legal. A Cuca também não gosta de dar sustos nas pessoas. O dia mais triste na via de uma Cuca é quando a criança se assusta pela primeira vez. Tadinha.

Bom, para poder sumir, a Cuca põe suas mãos sobre o rosto e simplesmente some. Ela pode aparecer de novo em qualquer lugar, mas ela sempre aparece na frente da criança. Ela também pode ensinar uma criança a sumir rapidamente. Ela faz isso para a menina ou o menino também poder brincar da mesma forma que ela.

Embora a criança só consiga sumir rapidamente e por pouco tempo, isso já causou confusão com os pais das crianças sumidas. Principalmente porque a Cuca não tem hora nem lugar para brincar, podendo ser dentro de um supermercado cheio, no meio do carnaval ou em pleno parque de diversões. Mas não fiquem chateados, não, papais. É só a Cuca e seus filhos brincando. Logo, logo eles aparecem.

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