Por que a gente chora?

Quando a gente se machuca ou está muito triste ou feliz demais ou, às vezes, quando está com muito sono – é nessas horas que as lágrimas escorrem dos nossos olhos. É meio estranho ver lágrimas saindo do canto dos olhos, mas como a gente está tão concentrado no que deixou a gente triste ou no que fez doer ou no que deixou feliz ou no nosso sono absurdo, nunca paramos pra pensar no que está acontecendo: por que a gente chora?

Dizem que a Lágrima era uma mulher muito linda e muito sensível. Ela vivia andando pelos lugares observando as coisas e pessoas e sentindo o que essas coisas ou pessoas sentiam nos momentos. Só que ela sentia muito mais do que as próprias coisas ou pessoas sentiam. Então, se você se machucava e ela estava perto, ela berrava muito mais do que você. Se estava triste, ela estava mais triste ainda. Se feliz, ela estava que não se aguentava de tanta alegria. Até no sono ela praticamente desmaiava.

Isso acontecia porque a Lágrima gostava muito de todo mundo e não conseguia ver ninguém tendo algum sentimento forte sem que tivesse também. A Lágrima era a melhor amiga de todo mundo – mesmo que algumas pessoas não soubessem.

Mas tinha gente que sabia sim. Como a Lua. A Lágrima e a Lua eram melhores amigas. A Lua vivia muito contente por conta do seu namorico com o Sol e a Lágrima adorava ficar perto dela ouvindo suas histórias e transbordando de alegria junto com a apaixonada. Imagine: se uma pessoa feliz já deixava a Lágrima com um sorriso de orelha a orelha, a Lua, com todo aquele tamanhão e ainda alegre até não poder mais, era bom demais de ficar perto!

Só que a Lua e o Sol se desentenderam. E a Lua ficou muito triste. Muito mesmo. E a Lágrima estava lá para consolá-la e ficar triste junto. Mas a tristeza da Lua não tinha fim. E a Lua tem aquele tamanhão. E nada do que a Lágrima dissesse para a amiga servia para aliviar sua tristeza.

A Lágrima percebeu que a Lua precisava tirar de dentro aquilo que estava deixando ela triste. Quando estamos felizes, sorrimos ou gargalhamos – e por isso não explodimos de alegria. Mas não tinha nada que nos impedisse de explodir de tristeza.

A Lágrima, então, decidiu que deveria fazer algo pela grande amiga. A mulher virou líquido puro e começou a escorrer pelos cantos dos olhos da Lua. Cada gota que caía da triste apaixonada, tirava de dentro dela um pouco da tristeza que a consumia. Foi então que a Lua começou a chorar. E chorou tanto e por tanto tempo e com tanta força, que chegou até a ter consequências na terra. Afinal, a tristeza da Lua era imensa – como ela.

Enquanto ajudava a amiga a transbordar sua tristeza, a Lágrima ficou muito tempo escorrendo dos olhos da Lua. Quando, por fim, a Lua conseguiu se recompor e se sentiu um pouquinho melhor, a Lágrima percebeu o bem que fez para a amiga. Por isso, decidiu que sempre que alguém estivesse com um sentimento tão forte que estivesse a ponto de explodir, ela ajudaria a transbordar isso através do choro. E foi assim que surgiu o choro e é por isso que a gente chora.

Então não se preocupe em segurar o choro ou que alguém esteja vendo você chorar. Deixe a Lágrima te ajudar a se sentir melhor.

O que é o vento?

O vento realmente é algo que vem do nada e vai para o lugar nenhum. Se alguém tenta segui-lo para ver onde está indo, acaba se perdendo. Se tenta ver de onde saiu, tudo o que consegue é vento na cara e o olhar no horizonte.

Então de onde vem o vento? E quantos vento existem por aí? Para onde eles estão indo? Por que às vezes são quentes e outras vezes são frios?

Bom, uma pergunta de cada vez. Parece que há muitos anos, quando a Lua e o Sol começaram a namorar, a Lua vivia com saudades do Sol. Para matar um pouco dessa saudade, ela mandava beijos à distância para girar o planeta e encontrar a bochecha do Sol. Ele, por sua vez, lançava beijos de volta para a Lua, e eles passavam os dias assim, nessa gostosa brincadeira de namorados.

Depois que eles brigaram, o Sol chegou a receber uns beijos que a Lua tinha mandado ainda antes da briga. Pensando em reconquistar a Lua, ele tentou mandar beijos de volta para ela. Mas a Lua não quis saber dos beijos lançados pelo Sol e se esquivou deles.

Muito triste, o Sol decidiu que ele também não poderia aceitar os beijos da Lua até que ela aceitasse os seus. E decidiu que esses beijos soprados e não aceitos deveriam vagar eternamente, girando pela Terra até encontrarem suas bochechas de destino.

E assim continuam até hoje, os beijos do Sol e da Lua rodando o planeta. Os dele são mornos e carinhosos, os dela, friozinhos e saudosos. Até eles fazerem as pazes, os pobres beijos não terão descanso.

Enquanto isso, eu aproveito os dias em que estou muito triste e ponho minha cara bem no caminho do vento. Assim, ganho um monte de carinhos e beijinhos e me sinto muito mais feliz!

 :: Respostas Fantásticas para Perguntas Intrigantes :: Ilustração: Jomar Serpa
Ilustração by Jomar Serpa

Por que o Leão e o Mico-Leão Dourado têm juba se não são parentes?

Você já deve ter notado como o Mico-Leão Dourado tem uma juba muito parecida com a do Leão, não é? Não? Pois preste atenção! Viu como é igualzinha? Será que eles são irmãos, primos ou algo assim?

Bom, para poder responder essa pergunta, primeiro preciso contar de onde surgiram as jubas. Afinal de contas, é isso que eles têm em comum, então merece um destaque.

Há muitos anos, quando ainda não existiam jubas, o Sol e a Lua se separaram. Eles tinham namorado por um tempo, mas por um desencontro o namoro acabou.

O Sol estava muito triste com o ocorrido. Tão triste que às vezes chorava escondido atrás de alguma nuvem ou montanha alta. Quando isso acontecia, suas lágrimas douradas se esparramavam pela terra.

Só que lágrima de Sol não é que nem lágrimas minhas, suas nem mesmo iguais às da Lua. A lágrima do Sol é como se fosse luz em forma líquida, muito brilhante e dourada. É um líquido grosso, quase como se fosse geleca.

Mas, acima de tudo, a maior diferença é que as lágrimas do Sol são mágicas. Isso mesmo: mágicas. Por onde caía, nasciam lindos e enormes girassóis. É possível perceber os lugares onde o Sol preferia se esconder para chorar quando tem muito girassol junto, um do ladinho do outro. É muito bonito; e muito triste ao mesmo tempo.

Só que, um dia, uma lágrima de Sol caiu sobre o Leão. Isso nunca tinha acontecido antes e o Leão ficou com muito medo do que poderia acontecer. Já pensou se nasce um girassol na sua cabeça, que estranho e assustador isso seria? Pois é, o Leão tinha motivos para estar amedrontado. Mas o que aconteceu foi que, na mesma hora, cresceu uma linda juba ao redor de sua cabeça.

Acontece que, naquela época, ninguém conhecia jubas. Mas conheciam girassóis. E , por isso, os outros leões começaram a zoar com o Leão de juba. Diziam que mais parecia um girassol ambulante. Porém, quando as leões viram o pelo brilhante e macio da juba do Leão de juba, todas acharam lindo. O que deixou todos os leões sem juba com inveja.

E realmente tinha ficado muito bonito. Tão bonito que o próprio Sol gostou e passou a mirar suas lágrimas nos leões. Os bichanos foram ficando todos bonitões e os outros animais ficaram todos muito admirados.

Até que um pequeno macaco chamado Mico resolveu que ele queria ser como os leões. Acontece que o Mico era o menorzinho dos macacos e ninguém levava ele muito a sério. Assim, quando o Sol já tinha posto juba em todos os leões e tinha acabado de decidir que ia colocar também nas leoas, o Mico aproveitou a lágrima dourada seguinte e pulou na cabeça da leoa ia recebê-la antes que tocasse nela.

Na mesma hora, a juba cresceu ao redor da cabeça do Mico, que ficou muito bonito. Não preciso nem dizer que a leoa não gostou nem um pouco daquilo e botou o Mico para correr.

Mas o Sol achou aquilo incrível! Ele, que já vinha se sentindo um pouco melhor da tristeza da separação por conta da beleza da juba dos leões, ficou rindo à toa com a juba do Mico. Por isso, logo se esqueceu das jubas das leoas e decidiu que poria jubas era nos micos, isso sim.

Só que os micos são muito pequeninos e ariscos, sendo muito difícil de acertá-los. O Sol está até hoje tentando pegar todos, mas ainda não conseguiu. É por isso que tem micos normais e sem jubas e tem os Micos-Leões Dourados.

Então atenção em dia de Sol e chuva porque umas das gotas que estiverem caindo pode não ser água; mas uma lágrima de Sol. Já imaginou você com uma juba também?

Por que o mar é salgado?

A história de como surgiram os mares e os oceanos e de por que suas águas são salgadas é muito triste. É a história de uma desilusão amorosa.

Você sabia que muito antigamente todas as águas do mundo eram doce que nem água de rio? Pois é. Além disso, não haviam mares nem oceanos, apenas rios e alguns lagos. Os bichos podiam andar livremente pelo planeta sem precisar nadar ou voar para isso.

Naquela época, o Sol e a Lua já estavam de namorico. Eles tinham passado vários anos flertando um com o outro, sempre se vendo ao pôr-do-sol e na alvorada. Nessas horas, o Sol ficava vermelho quase rosa de vergonha de falar com a Lua e, por isso, eles passaram tanto tempo só se olhando.

Mas, um dia, durante um eclipse solar, quando a Lua ficou na frente do Sol no meio do dia e eles estavam cara-a-cara no céu, escondidos pela sombra do eclipse, a Lua foi e deu um beijo nele. A partir desse dia, quase todos os dias havia pelo menos um eclipse, solar ou lunar. Eles aproveitavam esse momento para namorar, já que estava tudo escuro.

Porém, aconteceu num dia de o Sol não aparecer para o encontro. A Lua ficou triste de não se verem, principalmente porque eles sempre marcavam o encontro seguinte cada vez que se viam. Sem terem se visto, não sabiam onde estariam no céu na hora do encontro para poderem ficar juntos de novo.

O Sol tentou entrar em contato com a Lua através de algumas estrelas, mas a Lua não queria saber, magoada que estava. Mesmo ele explicando que o desencontro tinha sido por conta do horário de verão, ela não deu o braço a torcer. Aquilo tinha sido claramente uma falta de respeito e ela não conseguia admitir isso.

Apesar de dura com o Sol, a Lua estava arrasada e passava dia e noite chorando. Foi um berreiro só, sem parar, um verdadeiro dilúvio. Aquela aguaceira toda foi caindo na terra e formando os mares e oceanos. Você já provou uma lágrima? É salgadinha, né? Pois as lágrimas da Lua são salgadonas!

Depois de um tempão chorando, a Lua começou a receber reclamações dos bichos. Estava tudo inundado, já não dava mais para andar por todo o planeta por conta dos mares e oceanos que tinham se formado. Tinha até surgido o problema entre os animais de engarrafamento no chão, levando alguns bichos a quererem voar. Se continuasse assim, não haveria mais chão para os bichos andarem.

A Lua percebeu isso e decidiu parar de chorar. Para não ficar mais triste, decidiu aparecer apenas de noite e não esbarrar mais com o Sol. Só que, de vez em quando, ainda acontecem, sem querer, os eclipses. O Sol tenta aproveitar a oportunidade para conversar com a Lua e convencê-la a voltar para ele, mas ela não dá a menor bola. Passa o tempo todo de costas para ele e não diz nem “tchau”.

Ainda hoje, quando tem um eclipse, dá para ouvir o Sol tentando falar com a Lua. Às vezes ele canta, às vezes ele conta piada, e se você prestar bastante atenção, dá até para escutar. Mas, até agora, o sol não teve sorte, tadinho.

Ilustração by Jomar Serpa

Por que se ouve o trovão depois de ver o raio?

Toda vez que chove muito é a mesma coisa: a cada raio que cai, eu tomo dois sustos, o do clarão e o do trovão. Às vezes, os dois vêm juntos, quando um raio cai muito perto. Porém, na maioria das vezes, são dois pulos. Mas, por que será que eles vêm separados?

Primeiro de tudo, há a pergunta ainda mais importante que essa: por que existem raios e trovões?

Comecemos do princípio, então: raios são as luzes que saem do meio das nuvens e trovões são os barulhos que eles, os raios, fazem. Certo? Bom, mais ou menos.

Dito isso, vamos responder a pergunta primária. Os raios e os trovões só caem quando está chovendo ou para anunciar que vai chover, não é? Provavelmente você, que sabe que os dragões moram nas nuvens, acha que eles têm alguma coisa a ver com isso. Bom, não está de todo certo, mas também não está de todo errado.

Acontece que quando começa a cair raios, os pobres dragões ficam com medo. Imagine, se já é assustador para a gente aqui embaixo, lá em cima, no meio das nuvens, do ladinho dos raios é mais do que qualquer um pode agüentar.

Para não ficarem com tanto medo, eles fazem que nem a gente. Nós, quando cai um raio que nos acorda no meio da noite e nos assusta não corremos para a cama dos nossos pais? Os dragões também não gostam de ficar sozinhos quando têm medo, por isso eles se juntam e contam histórias legais e piadas engraçadas uns para os outros. Mas, quando cai um raio, todos se assustam juntos e se abraçam com medo.

Você já ouviu berro de dragão medroso? Você acha que não, mas o trovão é exatamente isso: um monte de dragão morrendo de medo berrando junto. Aquele barulhão estrondoso que nos assusta tanto foi feito por todos aqueles dragões se tremendo, abraçados e com medo dos raios.

Eles ficam juntos, de uma nuvem para a outra, fugindo dos raios. Por isso, quando um raio cai longe e demora para escutarmos o trovão, é porque os dragões estavam lá longe junto com o raio. Mas, quando o raio cai pertinho da gente e nós ouvimos quase que ao mesmo tempo o trovão, é porque os dragões estavam numa nuvem bem em cima da nossa casa, com medo, coitados.

Mas o que é o raio, então? O raio é uma travessura das estrelas. Elas sabem que os dragões são muito medrosos e que têm medo dos raios, por isso elas saem lá de longe de onde moram, se escondem no meio da chuva e, do nada, passam voando bem rápido, parecendo um raio. Aproveitam que, no meio do temporal, a Lua não consegue identificar direito qual foi a estrela travessa que soltou o raio e não pode punir ninguém. Então elas passam a chuva toda assustando dragões, bichos e a gente.

Tadinhos dos dragões (e da gente também)!

Pedro e a Lua

Pedro, o serelepe
Triste, sai do colégio sério
Sua mãe tira seu quepe
E tenta resolver este mistério

– Pedro, o que acontece?
– Ai, mãe, algo me entristece
– Conte-me, filho, se é que consegue
-Ai, mãe, é a Lua que me persegue

Pedro, o inventivo
Deixa a mãe perplexa
Que situação complexa
A de ter um filho criativo

Pedro, a face franzida
Mostra à mãe divertida
Que é séria a situação
E não para gozação

Pedro, o perseguido
Pelo terceiro dia seguido
Acusa o rosto redondo da lua
De acompanhá-lo pela rua

Pedro, cheio de medo
Aponta para atrás da escola
E a mãe, com ar surpreso
Vê o satélite que descola

Pedro tinha razão
Diz a mãe olhando o edifício
Parece um espião
Pensar distinto é difícil

Pedro e a mãe, de mãos dadas
Seguem seu caminho, calados
Disfarçadamente dando olhadas
E ficando sempre espantados

Pedro jantou sem fome
E a mãe o deixou cedo dormir
Não queria o filho insone
Para a sua cisma diminuir

Pedro acorda assustado
Com o luar invadindo seu quarto
A mãe, quase tendo um infarto
Escuta o filho revoltado

Pedro, com a Lua, se exalta
E com ela a educação falta
Deixa a mãe, atrás da porta
Ruborizada enquanto o exorta

Pedro fez por onde
E espantou o celeste astro
Que atrás das nuvens se esconde
Some sem deixar rastro

Pedro, o exitoso
Dorme o sono descansado
A mãe, feliz com o vitorioso
Beija sua testa com um orgulho danado.

Para Pedro, meu xará super criativo de 3 anos
e sua mãe Juliana

Publicado originalmente em Contos que nem te conto

O que são as estrelas no céu?

Aqueles pontos luminosos que aparecem no céu de noite são as estrelas. Quer dizer, se você está vendo uma muuuuuuito grande, deve ser a Lua. E se a estrela estiver se movendo, pode ser um avião, um alienígena ou um dragão perdido.

O quê? Eu nunca contei que os dragões brilham no escuro? Isso é muito importante quando voam de noite, para não baterem uns nos outros. É por isso que, quando está uma noite nublada, às vezes dá para ver uma estrela no meio das nuvens. São os dragões escondidos lá.

Mas, bom, voltando, à resposta da pergunta, se aparece de noite, não é grande como a Lua e não se mexe, é uma estrela. As estrelas que aparecem de noite são todas que nem o Sol. Só que estão tão longe que parecem pequenas.

De resto, o Sol é uma estrela igualzinha às outras todas. São temperamentais, manhosas, choronas e gostam de tudo do jeito delas senão batem o pé e prendem a respiração. São bem complicadas mesmo.

Quem cuida das estrelas é a Lua. Ela passeia pelo céu de noite conferindo se estão todas comportadas e satisfeitas. Quando acontece de alguma estrela fazer birra ou uma travessura, a Lua vai lá para perto dela e brilha bastante. Isso impede que a estrela malcriada apareça e não há castigo pior para uma estrela do que não poder aparecer no céu. E não adianta chorar, fazer manha, bater pezinho nem nada, a lua só tira do castigo a estrelinha travessa depois que esta pede desculpas. Aí tudo volta ao normal e todas brilham juntas e muito bonitas no céu.

Por que as estrelas estão brilhando lá no céu? Ora, elas estão lá para brincarem de fazer desenhos no céu. Elas se juntam e formam lindas imagens.

Tem gente que diz que elas fazem os mesmos desenhos todas as noites, mas eu tenho certeza de que não é assim. É porque toda vez que olho para o céu cheio de estrelas, eu vejo uma forma nova e mais linda que a anterior.

É por isso que, toda noite, eu passo um tempo olhando para o céu e descobrindo os novos desenhos que as estrelas fizeram. É a minha forma de agradecer e valorizar o esforço das estrelinhas e deixar todas contentes pelo excelente trabalho.

Por que chove?

A chuva, apesar de deixar o sol triste e além de esconder os dragões nas suas nuvens, é muito importante para todo mundo. No entanto, seus motivos podem ser os mais variados.

O mais comum é que a chuva é a água que vem para regar todas as plantas do mundo. As árvores e flores precisam de água que nem a gente. Elas também sentem sede. Se uma plantinha não tem dono, ela depende da chuva para matar a sede.

Outro motivo importante para a chuva é quando está muito quente. O sol fica muito forte e está tudo fervendo. Aí, quando todo mundo acha que não pode mais aguentar o calor, começa a chover. As pessoas chamam de chuva de verão, mas eu chamo de “suor do mundo”. Pois é, assim como a gente, a Terra também sente calor. E, quando está quente, a gente não sua? A Terra também. Que nem o suor no nosso corpo, a chuva vem para refrescar um pouco as coisas.

Agora, tem vezes em que vem uma chuva nada a ver: não tá quente e nem as plantas estão com sede. Mas, mesmo assim, chove. E é sempre aquela chuvinha chata, fininha e que voa com mais leve vento. Que chuva é essa então?

Cada gotinha dessa chuva é um filhote-de-rio. O quê? Você não sabia que rio também tem filho? Pois é. Os filhotes-de-rio nascem onde os rios se encontram com o mar. Neste lugar, sempre tem a pororoca, que é como se chama quando o mar e o rio se tocam. Durante a pororoca, sempre tem bastante água se mexendo e fazendo muita espuma. É dessa espuma que nascem os filhotes-de-rio.

Como são gotinhas muuuuuito pequenininhas, o vento leva elas por aí até se juntarem todas numa nuvem e caírem. Depois que elas caem, elas procuram um lugar para virarem rios de verdade. Algumas dão azar e viram apenas água escorrendo pela rua. Outras encontram um leito de rio – um lugar onde os filhotes-de-rio se deitam – e viram um rio bonitão.

Mas como a gente pode saber se o que está chovendo é chuva de regar plantas, chuva de suor ou chuva de filhotes-de-rio? Bom, se estiver muito quente, é chuva de suor, e se as plantas estiverem pedindo água, é chuva de regar. Agora, para ter certeza de que a chuva é de filhotes-de-rio, você tem que pegar uma gotinha da chuva – só uma – e botar bem perto do ouvido. Se ela for uma filhote-de-rio, você conseguirá escutar o barulho de rio que ela faz.

Aproveite a próxima chuva e descubra de que tipo ela é.

Por que existem arco-íris no céu?

Na verdade, hoje em dia existem muito menos arco-íris do que havia antigamente. Há muitos anos atrás, havia arco-íris por todos os lados, o tempo todo. E digo mais: tinha arco-íris de tudo quanto era tamanho, também. Tudo por conta dos dragões.

Acontece que antigamente havia muitos dragões pelo mundo. Dragões de todos os tipos, cores e tamanhos. Tinha os gordinhos amarelos divertidos, os pequeninhos vermelhos e que ficavam enfezados quando chamavam eles de baixinhos, os azuis enormes – e muito brincalhões – que adoravam assustar os pescadores fingindo que eram uma baleia gigante e uns bem magrinhos e verdes que mais pareciam cobras com patas que qualquer outra coisa.

Todos esse dragões viviam andando por aí, nadando nos mares e rios e voando por cima de nossas cabeças. E, quando eles voavam, seus rabos deixavam um rastro no céu multicolorido: um arco-íris. Como tinham vários formatos de dragão, os arco-íris tinham várias larguras e formatos. Os Dragões Gordinhos Amarelos sempre deixavam um rastro bem largo e próximos do chão – era difícil voar muito alto para eles. Os Dragões Pequenininhos Vermelhos faziam arco-íris bem pequenos, mas vários, santando de um lado para outro, provavelmente correndo atrás de alguém que chamou eles de baixinhos. Os Enormes Dragões Azuis gostavam de fazer arco-íris que saía e entrava na água, que nem golfinhos saltando do lado de um barco – costumava ser a forma deles pedirem desculpas para os pescadores pelo susto que davam. Mas eram os Magrelos Dragões Verdes que gostavam mais de voar por entre as nuvens e fazer arco-íris lindos cruzando o céu.

E foi assim por muitos e muitos anos com os dragões fazendo a festa com seus rastros multicoloridos e nós assistindo.

Mas, um dia, um Pequeno Dragão Vermelho brigou de vez com uma criança que vivia chamando ele de baixinho. Ficou tão triste que resolveu ir embora e nunca mais voltar e chamou todos os seus amigos pequeninos e vermelhos para irem com ele.

Um Enorme Dragão Azul recebeu uma reclamação de um pescador para parar com as brincadeiras e parar de espantar os peixes. Ele ficou tão preocupado de estar atrapalhando seus amigos pescadores que avisou a todos os outros enormes dragões azuis para pararem com aquilo. Eles resolveram então se esconderem no fundo do mar, assim não atrapalham nenhuma pescaria.

Os dragões amarelos e gordinhos descobriram que podiam se divertir tanto rindo muito que chegavam até a inchar e flutuar no ar. Um dia, uma pessoa contou uma piada tão boa que todos os Amarelos Gordinhos começaram a rir sem controle. Eles começaram a inchar e não conseguiam parar. Quanto mais riam, mais inchavam; quanto mais inchavam, mais flutuavam e subiam até que sumiram por entre as estrelas no céu.

Preocupados com os destinos de seus amigos, os Dragões Magrinhos e Verdinhos resolveram se esconder no meio das nuvens e viver para sempre por lá. Eles se tornaram muito tímidos e medrosos, então eles só saem das suas casas nas nuvens nos dias chuvosos, protegidos pela chuva e pelas nuvens, para brincar uns com os outros. Às vezes, um ou mais deles são pegos de surpresa brincando mesmo depois da chuva ter acabado, e por isso podemos ver o rastro de sua passagem, o lindo arco-íris que aparece depois da chuva.

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Por que o céu é azul?

Essa é uma pergunta muito boa, mas não é a pergunta certa. A pergunta certa é “por que o céu às vezes é azul, outras cinza, outras laranja e de noite preto?”

Agora sim, uma pergunta completa. Acontece que o céu não costuma mudar de cor, não. Quem gosta de mudar a cor do céu é o Sol.

O Sol, como toda estrela, acha que é o centro do universo, adora aparecer e é muito sentimental. E, como ele é um excelente pintor, adora colorir o céu com sua luz de acordo com o que está sentindo.

No dia em que está feliz, está tudo bem, o céu está limpo e bonito, ele pinta tudo de um azul claro. É ótimo porque as pessoas olham bastante para o céu e acaba se destacando bastante.

No dia que está cheio de nuvens ou chovendo, ele fica triste porque não está aparecendo muito, porque ficou para trás e todas as nuvens resolveram aparecer mais que ele. Aí ele pinta o céu de cinza para mostrar que está muito triste.

Todo dia, antes de ele ir descansar do outro lado do mundo, ele colore o céu de amarelo, às vezes de laranja e, quando ele capricha bem, de rosa. Isso é fazer uma saída triunfal, para todos admirarem sua obra-prima antes partir. É para deixar todo mundo com um gostinho de quero mais.

E de noite, o céu fica preto que é a forma do Sol dizer “Olha, fui embora dar uma descansada. As outras estrelas podem aparecer agora. Fala para Lua capichar no visual.” Ele para de pintar e deixa o pessoal sair para fazer a festa.

Então, olhe bem para o céu sempre que você achar que está um dia muito bonito. Bata palmas para o pôr-do-sol. E desenhe um sol no chão quando estiver nublado ou chovendo para pedir a volta dele. Aprecie a Lua e as estrelas, mas não deixe de dormir a espera do Sol. Isso faz com que o Sol fique super feliz e capriche sempre nos seus coloridos.

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