Pedro e o Poder do Lápis

Pedro vai começar a escola
E antes do seu dia primeiro
Não conseguia tirar da cachola
O discurso de seus pais inteiro.

“Pedro, a escola abre sua cabeça”
Disse o pai pro filho atento
“Deixa você esperto à beça
E liberta seu pensamento.”

“Pedro, aprenderá um montão!
Um pouco de muito e muito de um pouco.”
“Isso parece uma grande confusão.
Vou terminar é muito louco!”

Pedro, completamente perdido,
Por não entender o que é “etcetera”
“Será letra, número ou algo fedido?”
Aos braços da mãe recorrera.

Pedro, após as lágrimas limpas,
A mãe pegou e um lápis deu.
“Com essa varinha mágica, em etapas,
Você poderá criar um mundo só seu.”

Pedro olhou o objeto cilíndrico
sem esconder o descrédito
ao tocar, sentiu leve choque elétrico
uma energia nova, um sentimento inédito.

“Pedro, vá para a escola e aprenda
letras, números e o que etcetera é.
Deixe que a escola acenda
e de sua imaginação seja o pontapé.”

Pedro, o grande arteiro
percebeu a grande oportunidade
de usar o conhecimento inteiro
para enriquecer sua criatividade.

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Por que a gente chora?

Quando a gente se machuca ou está muito triste ou feliz demais ou, às vezes, quando está com muito sono – é nessas horas que as lágrimas escorrem dos nossos olhos. É meio estranho ver lágrimas saindo do canto dos olhos, mas como a gente está tão concentrado no que deixou a gente triste ou no que fez doer ou no que deixou feliz ou no nosso sono absurdo, nunca paramos pra pensar no que está acontecendo: por que a gente chora?

Dizem que a Lágrima era uma mulher muito linda e muito sensível. Ela vivia andando pelos lugares observando as coisas e pessoas e sentindo o que essas coisas ou pessoas sentiam nos momentos. Só que ela sentia muito mais do que as próprias coisas ou pessoas sentiam. Então, se você se machucava e ela estava perto, ela berrava muito mais do que você. Se estava triste, ela estava mais triste ainda. Se feliz, ela estava que não se aguentava de tanta alegria. Até no sono ela praticamente desmaiava.

Isso acontecia porque a Lágrima gostava muito de todo mundo e não conseguia ver ninguém tendo algum sentimento forte sem que tivesse também. A Lágrima era a melhor amiga de todo mundo – mesmo que algumas pessoas não soubessem.

Mas tinha gente que sabia sim. Como a Lua. A Lágrima e a Lua eram melhores amigas. A Lua vivia muito contente por conta do seu namorico com o Sol e a Lágrima adorava ficar perto dela ouvindo suas histórias e transbordando de alegria junto com a apaixonada. Imagine: se uma pessoa feliz já deixava a Lágrima com um sorriso de orelha a orelha, a Lua, com todo aquele tamanhão e ainda alegre até não poder mais, era bom demais de ficar perto!

Só que a Lua e o Sol se desentenderam. E a Lua ficou muito triste. Muito mesmo. E a Lágrima estava lá para consolá-la e ficar triste junto. Mas a tristeza da Lua não tinha fim. E a Lua tem aquele tamanhão. E nada do que a Lágrima dissesse para a amiga servia para aliviar sua tristeza.

A Lágrima percebeu que a Lua precisava tirar de dentro aquilo que estava deixando ela triste. Quando estamos felizes, sorrimos ou gargalhamos – e por isso não explodimos de alegria. Mas não tinha nada que nos impedisse de explodir de tristeza.

A Lágrima, então, decidiu que deveria fazer algo pela grande amiga. A mulher virou líquido puro e começou a escorrer pelos cantos dos olhos da Lua. Cada gota que caía da triste apaixonada, tirava de dentro dela um pouco da tristeza que a consumia. Foi então que a Lua começou a chorar. E chorou tanto e por tanto tempo e com tanta força, que chegou até a ter consequências na terra. Afinal, a tristeza da Lua era imensa – como ela.

Enquanto ajudava a amiga a transbordar sua tristeza, a Lágrima ficou muito tempo escorrendo dos olhos da Lua. Quando, por fim, a Lua conseguiu se recompor e se sentiu um pouquinho melhor, a Lágrima percebeu o bem que fez para a amiga. Por isso, decidiu que sempre que alguém estivesse com um sentimento tão forte que estivesse a ponto de explodir, ela ajudaria a transbordar isso através do choro. E foi assim que surgiu o choro e é por isso que a gente chora.

Então não se preocupe em segurar o choro ou que alguém esteja vendo você chorar. Deixe a Lágrima te ajudar a se sentir melhor.

O que é o vento?

O vento realmente é algo que vem do nada e vai para o lugar nenhum. Se alguém tenta segui-lo para ver onde está indo, acaba se perdendo. Se tenta ver de onde saiu, tudo o que consegue é vento na cara e o olhar no horizonte.

Então de onde vem o vento? E quantos vento existem por aí? Para onde eles estão indo? Por que às vezes são quentes e outras vezes são frios?

Bom, uma pergunta de cada vez. Parece que há muitos anos, quando a Lua e o Sol começaram a namorar, a Lua vivia com saudades do Sol. Para matar um pouco dessa saudade, ela mandava beijos à distância para girar o planeta e encontrar a bochecha do Sol. Ele, por sua vez, lançava beijos de volta para a Lua, e eles passavam os dias assim, nessa gostosa brincadeira de namorados.

Depois que eles brigaram, o Sol chegou a receber uns beijos que a Lua tinha mandado ainda antes da briga. Pensando em reconquistar a Lua, ele tentou mandar beijos de volta para ela. Mas a Lua não quis saber dos beijos lançados pelo Sol e se esquivou deles.

Muito triste, o Sol decidiu que ele também não poderia aceitar os beijos da Lua até que ela aceitasse os seus. E decidiu que esses beijos soprados e não aceitos deveriam vagar eternamente, girando pela Terra até encontrarem suas bochechas de destino.

E assim continuam até hoje, os beijos do Sol e da Lua rodando o planeta. Os dele são mornos e carinhosos, os dela, friozinhos e saudosos. Até eles fazerem as pazes, os pobres beijos não terão descanso.

Enquanto isso, eu aproveito os dias em que estou muito triste e ponho minha cara bem no caminho do vento. Assim, ganho um monte de carinhos e beijinhos e me sinto muito mais feliz!

 :: Respostas Fantásticas para Perguntas Intrigantes :: Ilustração: Jomar Serpa
Ilustração by Jomar Serpa

Por que o Leão e o Mico-Leão Dourado têm juba se não são parentes?

Você já deve ter notado como o Mico-Leão Dourado tem uma juba muito parecida com a do Leão, não é? Não? Pois preste atenção! Viu como é igualzinha? Será que eles são irmãos, primos ou algo assim?

Bom, para poder responder essa pergunta, primeiro preciso contar de onde surgiram as jubas. Afinal de contas, é isso que eles têm em comum, então merece um destaque.

Há muitos anos, quando ainda não existiam jubas, o Sol e a Lua se separaram. Eles tinham namorado por um tempo, mas por um desencontro o namoro acabou.

O Sol estava muito triste com o ocorrido. Tão triste que às vezes chorava escondido atrás de alguma nuvem ou montanha alta. Quando isso acontecia, suas lágrimas douradas se esparramavam pela terra.

Só que lágrima de Sol não é que nem lágrimas minhas, suas nem mesmo iguais às da Lua. A lágrima do Sol é como se fosse luz em forma líquida, muito brilhante e dourada. É um líquido grosso, quase como se fosse geleca.

Mas, acima de tudo, a maior diferença é que as lágrimas do Sol são mágicas. Isso mesmo: mágicas. Por onde caía, nasciam lindos e enormes girassóis. É possível perceber os lugares onde o Sol preferia se esconder para chorar quando tem muito girassol junto, um do ladinho do outro. É muito bonito; e muito triste ao mesmo tempo.

Só que, um dia, uma lágrima de Sol caiu sobre o Leão. Isso nunca tinha acontecido antes e o Leão ficou com muito medo do que poderia acontecer. Já pensou se nasce um girassol na sua cabeça, que estranho e assustador isso seria? Pois é, o Leão tinha motivos para estar amedrontado. Mas o que aconteceu foi que, na mesma hora, cresceu uma linda juba ao redor de sua cabeça.

Acontece que, naquela época, ninguém conhecia jubas. Mas conheciam girassóis. E , por isso, os outros leões começaram a zoar com o Leão de juba. Diziam que mais parecia um girassol ambulante. Porém, quando as leões viram o pelo brilhante e macio da juba do Leão de juba, todas acharam lindo. O que deixou todos os leões sem juba com inveja.

E realmente tinha ficado muito bonito. Tão bonito que o próprio Sol gostou e passou a mirar suas lágrimas nos leões. Os bichanos foram ficando todos bonitões e os outros animais ficaram todos muito admirados.

Até que um pequeno macaco chamado Mico resolveu que ele queria ser como os leões. Acontece que o Mico era o menorzinho dos macacos e ninguém levava ele muito a sério. Assim, quando o Sol já tinha posto juba em todos os leões e tinha acabado de decidir que ia colocar também nas leoas, o Mico aproveitou a lágrima dourada seguinte e pulou na cabeça da leoa ia recebê-la antes que tocasse nela.

Na mesma hora, a juba cresceu ao redor da cabeça do Mico, que ficou muito bonito. Não preciso nem dizer que a leoa não gostou nem um pouco daquilo e botou o Mico para correr.

Mas o Sol achou aquilo incrível! Ele, que já vinha se sentindo um pouco melhor da tristeza da separação por conta da beleza da juba dos leões, ficou rindo à toa com a juba do Mico. Por isso, logo se esqueceu das jubas das leoas e decidiu que poria jubas era nos micos, isso sim.

Só que os micos são muito pequeninos e ariscos, sendo muito difícil de acertá-los. O Sol está até hoje tentando pegar todos, mas ainda não conseguiu. É por isso que tem micos normais e sem jubas e tem os Micos-Leões Dourados.

Então atenção em dia de Sol e chuva porque umas das gotas que estiverem caindo pode não ser água; mas uma lágrima de Sol. Já imaginou você com uma juba também?

Por que as bexigas às vezes sobem e às vezes murcham?

Você já parou para pensar por que esses balões que compramos na pracinha às vezes sobem até sumir no céu e às vezes murcham no nosso quarto? Eu também! Esse é um mistério que me deixa pasmado. Por que será?

Eu imagino que seja pelo que tem dentro desses balões. Ar, é claro que não é, já que quando a gente enche uma bexiga com a boca, não sobe para o céu.

O problema é que eu nunca consegui descobrir o que é que tem dentro. Sempre que eu tento abrir para ver, o que tem lá dentro escapa e vai todo embora. Só dá tempo de ver que é transparente.

Tem gente que diz que é bafo de Bicho Papão. Mas eu não acho que seja porque não tem cheiro e o bafo de um Bicho Papão é horrível. Outras pessoas acham que é pum de dragão. Além de achar um pouco nojento, duvido que um dragão peidaria dentro de um balão; eles são muito educados para isso.

Depois de ficar um tempão tentando imaginar o que pode ser que está dentro dos balões, imaginei que poderia ser um Lúcio. Ele é transparente que nem o ar e sabe voar. Aí, esperei ficar com um soluço e pedi para um amigo me dar um susto bem forte enquanto enchia um balão. Tudo isso para ver se conseguia prender um Lúcio dentro da bexiga.

Só o que consegui foi levar um baita susto que me deixou sem ar e me fez soltar a bexiga, que ficou voando pelo quarto até se esvaziar. Lúcio no balão, que é bom, nadica de nada.

Independente de conseguir pegar um Lúcio dentro de um balão, eu tenho certeza de que é um deles que está lá dentro. Acho que ele tenta subir para o céu para pedir ajuda para os outros Lúcios para se soltar. E eles murcham quando estão muito fracos para se sustentarem sozinhos, por fome ou por cansaço mesmo.

Então, o que eu sugiro são duas coisas: primeiro, se perceber que a sua bexiga está murchando, estoure ela rapidamente. Assim, o Lúcio poderá ir embora e recuperar suas forças. E, segundo, se você tentar pegar um Lúcio da mesma forma que eu tentei, não se esqueça de não soltar o balão por causa do susto, hein!

De onde vêm as flores?

Existem diversos tipos de flores, dos mais diversos tipos e tamanhos. E das mais incríveis e variadas cores também. Elas estão em praticamente todos os lados embelezando a nossa vida. Mas, como foi que elas surgiram?

Tem algumas flores, aquelas que alimentam as borboletas, que nascem dos dentes que caem dos nossos vovôs e vovós. Mas essas flores são muito especiais. Há muitas outras mais além dessas e são dessas outras que eu quero falar.

Bom, você já se perguntou o que fazem as fadas? Quero dizer, além de nascer dos nossos dentes de leite, colocar “botões mágicos” para a gente rir e se alimentar de nossas risadas. Acontece que as fadas passam seu tempo ajudando bichos, pessoas e outros seres fantásticos.

Lembra as vezes em que você estava louco procurando seu dever de casa que você tinha deixado largado sobre a mesa e a Coisa no Armário foi lá e escondeu? E aí você encontrou dentro da sua mochila ou sobre a cama? Pois é, foi uma fada quem ajudou.

Elas passam toda a sua vida ajudando quem estiver com problemas, sem descansar. Mas tem um momento em que elas param. Ninguém sabe muito bem quanto tempo vivem as fadas, mas sabemos muito bem o que acontece com elas depois que deixam de ser fadas.

“Deixam de ser fadas”? Como assim? Pois é, as fadas, depois que vivem toda a sua vida ajudando os outros e ficam cansadas, não morrem. Elas se transformam. Elas viram flores.

Você já deve ter percebido que há pessoas dos mais diversos tipos, né? Altas, baixas, gordas, magras, loiras, morena etc. Bom, as mais diversas pessoas fazem as ainda mais diversas fadas, de tudo quanto é cor e formato de asas. E são essas fadas que viram essa imensidão de lindas flores que temos pelo mundo, com todas as suas formas, cheiros e cores.

Aposto como você não esperava que aquele seu dente que caiu fizesse tanta coisa legal nesse mundo, né?

Como surgiram as cores?

Nós vivemos em um mundo muito bonito e cheio de cores. Para todo lado que olhamos, há diferentes cores para admirar. Mas, de onde saíram essas cores?

Bom, tem gente que acha que foram os dragões verdes e compridos que criou as cores. Só porque o seu rabo deixa um rastro de arco-íris. Mas não é verdade, já que já existiam cores antes, quando surgiram os dragões verdes, azuis, amarelos e vermelhos. E a cauda do dragão só junta as sete cores do arco-íris, não cria cores.

Tem gente também que acha que foram as flores que criaram as cores. E que depois, o resto das coisas no mundo acharam legal e resolveram se pintar com elas. Eu gosto muito dessa idéia, já que há realmente flores de todas as cores possíveis. Mas elas também apenas juntam em si as cores que gostam – e são muito criativas nisso!

Agora, você se lembra da resposta da pergunta “Por que o céu é azul?” Pois é, o Sol pinta o céu com cores conforme o seu humor e foi assim que ele criou as cores. São todas filhas do Sol.

No início, só havia o amarelo do Sol. Era tudo amarelado: amarelo claro, amarelo escuro e amarelo médio. Mas, nesse tempo, o Sol vivia feliz e não tinha nada a reclamar. Não havia nuvens no céu e tudo o que o Sol tinha que fazer era marcar os dias e as noites.

Mas, um dia, o Sol conheceu a Lua e se apaixonou perdidamente. Em todo nascer e pôr-do-sol ele a via e ficava todo rosa, vermelhão de vergonha. Durante o dia, ele só pensava nela e isso o levava a sair colorindo o céu com as cores dos seus sentimentos.

Percebendo que aquilo tava bem legal e querendo dar um presente bonito para a Lua, o Sol criou todas as cores. Ele deu nome para todas as cores e avisou a gente aqui embaixo – gente, plantas, bichos, coisas e seres fantásticos – que nós podíamos nos pintar com elas e ficarmos bem bonitos para quando a Lua aparecesse de noite.

As flores foram as que mais se empolgaram com a idéia e são as mais bonitas. E também são o que a Lua mais gostou. Foi daí, inclusive, que nasceu a idéia de dar lindas flores coloridas de presente para a pessoa amada.

Nem precisa dizer que a Lua amou o presente, né? Eles até namoraram por um tempo! Pena que não durou muito. Mas é bom saber que a beleza das cores é devido ao amor dos dois astros.

Por que o mar é salgado?

A história de como surgiram os mares e os oceanos e de por que suas águas são salgadas é muito triste. É a história de uma desilusão amorosa.

Você sabia que muito antigamente todas as águas do mundo eram doce que nem água de rio? Pois é. Além disso, não haviam mares nem oceanos, apenas rios e alguns lagos. Os bichos podiam andar livremente pelo planeta sem precisar nadar ou voar para isso.

Naquela época, o Sol e a Lua já estavam de namorico. Eles tinham passado vários anos flertando um com o outro, sempre se vendo ao pôr-do-sol e na alvorada. Nessas horas, o Sol ficava vermelho quase rosa de vergonha de falar com a Lua e, por isso, eles passaram tanto tempo só se olhando.

Mas, um dia, durante um eclipse solar, quando a Lua ficou na frente do Sol no meio do dia e eles estavam cara-a-cara no céu, escondidos pela sombra do eclipse, a Lua foi e deu um beijo nele. A partir desse dia, quase todos os dias havia pelo menos um eclipse, solar ou lunar. Eles aproveitavam esse momento para namorar, já que estava tudo escuro.

Porém, aconteceu num dia de o Sol não aparecer para o encontro. A Lua ficou triste de não se verem, principalmente porque eles sempre marcavam o encontro seguinte cada vez que se viam. Sem terem se visto, não sabiam onde estariam no céu na hora do encontro para poderem ficar juntos de novo.

O Sol tentou entrar em contato com a Lua através de algumas estrelas, mas a Lua não queria saber, magoada que estava. Mesmo ele explicando que o desencontro tinha sido por conta do horário de verão, ela não deu o braço a torcer. Aquilo tinha sido claramente uma falta de respeito e ela não conseguia admitir isso.

Apesar de dura com o Sol, a Lua estava arrasada e passava dia e noite chorando. Foi um berreiro só, sem parar, um verdadeiro dilúvio. Aquela aguaceira toda foi caindo na terra e formando os mares e oceanos. Você já provou uma lágrima? É salgadinha, né? Pois as lágrimas da Lua são salgadonas!

Depois de um tempão chorando, a Lua começou a receber reclamações dos bichos. Estava tudo inundado, já não dava mais para andar por todo o planeta por conta dos mares e oceanos que tinham se formado. Tinha até surgido o problema entre os animais de engarrafamento no chão, levando alguns bichos a quererem voar. Se continuasse assim, não haveria mais chão para os bichos andarem.

A Lua percebeu isso e decidiu parar de chorar. Para não ficar mais triste, decidiu aparecer apenas de noite e não esbarrar mais com o Sol. Só que, de vez em quando, ainda acontecem, sem querer, os eclipses. O Sol tenta aproveitar a oportunidade para conversar com a Lua e convencê-la a voltar para ele, mas ela não dá a menor bola. Passa o tempo todo de costas para ele e não diz nem “tchau”.

Ainda hoje, quando tem um eclipse, dá para ouvir o Sol tentando falar com a Lua. Às vezes ele canta, às vezes ele conta piada, e se você prestar bastante atenção, dá até para escutar. Mas, até agora, o sol não teve sorte, tadinho.

Ilustração by Jomar Serpa

Por que se ouve o trovão depois de ver o raio?

Toda vez que chove muito é a mesma coisa: a cada raio que cai, eu tomo dois sustos, o do clarão e o do trovão. Às vezes, os dois vêm juntos, quando um raio cai muito perto. Porém, na maioria das vezes, são dois pulos. Mas, por que será que eles vêm separados?

Primeiro de tudo, há a pergunta ainda mais importante que essa: por que existem raios e trovões?

Comecemos do princípio, então: raios são as luzes que saem do meio das nuvens e trovões são os barulhos que eles, os raios, fazem. Certo? Bom, mais ou menos.

Dito isso, vamos responder a pergunta primária. Os raios e os trovões só caem quando está chovendo ou para anunciar que vai chover, não é? Provavelmente você, que sabe que os dragões moram nas nuvens, acha que eles têm alguma coisa a ver com isso. Bom, não está de todo certo, mas também não está de todo errado.

Acontece que quando começa a cair raios, os pobres dragões ficam com medo. Imagine, se já é assustador para a gente aqui embaixo, lá em cima, no meio das nuvens, do ladinho dos raios é mais do que qualquer um pode agüentar.

Para não ficarem com tanto medo, eles fazem que nem a gente. Nós, quando cai um raio que nos acorda no meio da noite e nos assusta não corremos para a cama dos nossos pais? Os dragões também não gostam de ficar sozinhos quando têm medo, por isso eles se juntam e contam histórias legais e piadas engraçadas uns para os outros. Mas, quando cai um raio, todos se assustam juntos e se abraçam com medo.

Você já ouviu berro de dragão medroso? Você acha que não, mas o trovão é exatamente isso: um monte de dragão morrendo de medo berrando junto. Aquele barulhão estrondoso que nos assusta tanto foi feito por todos aqueles dragões se tremendo, abraçados e com medo dos raios.

Eles ficam juntos, de uma nuvem para a outra, fugindo dos raios. Por isso, quando um raio cai longe e demora para escutarmos o trovão, é porque os dragões estavam lá longe junto com o raio. Mas, quando o raio cai pertinho da gente e nós ouvimos quase que ao mesmo tempo o trovão, é porque os dragões estavam numa nuvem bem em cima da nossa casa, com medo, coitados.

Mas o que é o raio, então? O raio é uma travessura das estrelas. Elas sabem que os dragões são muito medrosos e que têm medo dos raios, por isso elas saem lá de longe de onde moram, se escondem no meio da chuva e, do nada, passam voando bem rápido, parecendo um raio. Aproveitam que, no meio do temporal, a Lua não consegue identificar direito qual foi a estrela travessa que soltou o raio e não pode punir ninguém. Então elas passam a chuva toda assustando dragões, bichos e a gente.

Tadinhos dos dragões (e da gente também)!

Pedro e a Lua

Pedro, o serelepe
Triste, sai do colégio sério
Sua mãe tira seu quepe
E tenta resolver este mistério

– Pedro, o que acontece?
– Ai, mãe, algo me entristece
– Conte-me, filho, se é que consegue
-Ai, mãe, é a Lua que me persegue

Pedro, o inventivo
Deixa a mãe perplexa
Que situação complexa
A de ter um filho criativo

Pedro, a face franzida
Mostra à mãe divertida
Que é séria a situação
E não para gozação

Pedro, o perseguido
Pelo terceiro dia seguido
Acusa o rosto redondo da lua
De acompanhá-lo pela rua

Pedro, cheio de medo
Aponta para atrás da escola
E a mãe, com ar surpreso
Vê o satélite que descola

Pedro tinha razão
Diz a mãe olhando o edifício
Parece um espião
Pensar distinto é difícil

Pedro e a mãe, de mãos dadas
Seguem seu caminho, calados
Disfarçadamente dando olhadas
E ficando sempre espantados

Pedro jantou sem fome
E a mãe o deixou cedo dormir
Não queria o filho insone
Para a sua cisma diminuir

Pedro acorda assustado
Com o luar invadindo seu quarto
A mãe, quase tendo um infarto
Escuta o filho revoltado

Pedro, com a Lua, se exalta
E com ela a educação falta
Deixa a mãe, atrás da porta
Ruborizada enquanto o exorta

Pedro fez por onde
E espantou o celeste astro
Que atrás das nuvens se esconde
Some sem deixar rastro

Pedro, o exitoso
Dorme o sono descansado
A mãe, feliz com o vitorioso
Beija sua testa com um orgulho danado.

Para Pedro, meu xará super criativo de 3 anos
e sua mãe Juliana

Publicado originalmente em Contos que nem te conto

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