Quem inventou o pique-esconde?

Uma das minhas brincadeiras preferidas sempre foi o pique-esconde – ou esconde-esconde, como preferir. Poder me tornar invisível no meio do recreio, andar que nem um ninja para não ser descoberto e, por fim, me salvar é pura emoção. Ou ser quem procura e pegar todo mundo, um por um, em seus esconderijos. É divertido demais!

Na última vez que brinquei, fiquei pensando em quem teria inventado essa brincadeira tão legal. E, por conta disso, acabei sendo descoberto. Isso que dá ficar viajando enquanto brinca de algo tão sério…

Mas, voltando à questão, de onde será que veio essa brincadeira?

Parece que, a muitos anos atrás, quando ainda não existia gente e só tinha bicho falando por esse mundão afora, na floresta não se falava de outra coisa se não do Camaleão. Era um bicho que tinha acabado de chegar no bosque. Era meio estranho, tinha os olhos virados para lados diferentes, parecia uma lagartixa e seu rabo vivia enrolado.

Porém, o mais incrível dele, na verdade, não era nada disso. Ele dizia que quando se escondia, ninguém podia encontrar. Um verdadeiro mestre de esconder.

Vários animais o admiraram muito pelo que disse, mas outros tantos desconfiaram do que ele havia dito, achando que não podia ser verdade aquele bicho estranho ser mestre de qualquer coisa.

O Camaleão então desafiou quem quisesse para que tentasse encontrá-lo em um concurso. Nesse momento, o Seu Tartaruga, que passou a ter medo de concursos, já foi logo saindo de perto e se escondendo. Mas vários animais aceitaram o desafio, enquanto outros só se animaram por ver um evento tão incrível acontecendo.

Entre os desafiantes, estava o Falcão, tido como os melhores olhos de toda a floresta; o Cachorro, não havia cheiro que seu nariz não encontrasse; e um passarinho que, na época, se chamava Joaquim.

O Falcão e o Cachorro todo mundo entendia acharem que podiam encontrar aquele convencido do Camaleão, mas o Joaquim? Ele era um pássaro pequeno, de bico pequeno, olhos pequenos e só. Como ele poderia querer encontrar qualquer coisa daquele jeito?

Acontece que o Joaquim só queria mesmo era se divertir, participar da brincadeira. Achar o Camaleão não importava, o legal era a busca.

Bom, o Camaleão então combinou com os três desafiantes que deveriam fechar seus olhos e contar até 10 para só então saírem à procura dele. Todos aceitaram e assim foi criada a primeira regra do pique-esconde.

Voltando à história, os três fecharam os olhos e contaram. O resto dos animais, para não estragar a brincadeira, também fecharam os olhos e contaram. Quando abrira, o Camaleão tinha sumido! Ninguém sabia para onde tinha ido ou onde tinha se escondido.

O Falcão logo levantou voo e ficou circulando a área lá de cima, usando seus olhos de falcão para encontrar aquela lagartixa metida a besta. Girou, girou, girou e nada de encontrar o Camaleão. Acabou caindo, zonzo e com os olhos tortos de tanto procurar; e nada de achar.

O Cachorro rapidamente botou o focinho para funcionar e rapidamente encontrou o cheiro do Camaleão. Assim, foi seguindo seu odor até chegar em um momento em que não tinha mais para onde ir. Segundo seu nariz, o Camaleão tinha que estar ali, mas ele não estava! O Cachorro procurou e cheirou e deu voltas e cheirou mais um pouco, mas nada de encontrar o Camaleão. Por fim, o Cachorro caiu exausto no chão e desistiu também.

O que ninguém sabia é que o Camaleão era um mestre de esconder não era à toa: ele podia mudar de cor e ficar igualzinho ao que ele estiver por cima. Se estiver sobre o tronco de uma árvore, ele fica marrom igualzinho. Se estiver sobre uma flor, ele fica da cor da dita cuja. Se estiver sobre uma pedra, fica cinza e é impossível percebê-lo sobre a rocha.

E foi exatamente isso que o Camaleão fez, mudou de cor sobre um galho de árvore e ficou quietinho assistindo aos desafiantes procurá-lo e nada encontrar. Ele só ria por dentro.

O Joaquim tinha visto o que tinha acontecido com o Falcão e com o Cachorro e ficou preocupado. Não é que aquele tal de Camaleão era bom mesmo de se esconder? Ora, mas já que ele estava ali para procurá-lo, melhor era pelo menos tentar, né?

Ele deu uma voada por onde o Falcão procurou e não achou nada. Aí deu uma procurada por onde o Cachorro farejou e também não encontrou nada. Já cansado – lembre-se que ele era um pássaro pequeno, de olhos pequenos, bico pequeno, mas também de asas pequenas -, ele decidiu pousar em um galho perto para descansar.

No que ele encostou a pata no galho, percebeu que tinha algo errado bem do seu lado. O galho tinha um caroço estranho, parecia uma verruga. Era da cor do galho, mas muito estranho, de um jeito que ele nunca tinha visto antes.

Então ele percebeu o que era: o Camaleão! Aí ele começou a gritar “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”

Todo mundo foi ver o que o Joaquim tanto falava e encontraram o Camaleão vermelho de vergonha por ter sido encontrado por um passarinho tão pequeno, com bico pequeno, olhos pequenos e asas pequenas. E o Joaquim, este continuava bem orgulhoso a gritar “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”

A partir daquele dia, ninguém mais duvidou dos bichos pequenos em nenhum concurso. Ninguém mais queria brincar de esconde-esconde com o Camaleão, já que ele não se escondia, só mudava de cor, o que não é o espírito da brincadeira.

E o Joaquim? Ninguém nunca mais chamou o passarinho daquele nome. A partir daquele dia, ele ficou conhecido como Bem-te-vi. E ele continua bradando até hoje para quem quiser ouvir seu triunfo sobre o Camaleão com altos e sonoros “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”

Pedro Brincando de Advinhar

Pedro com seu pai passeia
E na rua a tudo observa
Como novidade nunca rareia,
a curiosidade se conserva.

Pedro, aproveitando a chance
Convida o pai para um jogo
Este, rápido no lance,
aceita, sabendo mexer com fogo.

“Pedro”, seu pai pergunta,
“é fino no meio, no alto largo
sobe marrom e verde disjunta.”
“Árvore”, diz o filho, sem retardo.”

“Pedro”, seu pai continua,
“é preto, espalhado e com curvas,
manchas brancas a descontinua.”
“Essa é fácil: a rua!”

“Pedro”, diz o pai sorrindo,
“é verde, depois amarelo e depois vermelho,
depois verde de novo, infindo.”
Pensa e responde “Sinal!”, num centelho.

Pedro, o pai diz ser
para lá de inteligente
e sugere seu filho fazer
as perguntas daqui pra frente.

Pedro começa então:
“É alto como um prédio,
rápido, forte, tem um abração
E nunca me deixa no tédio.”

Pedro, seu pai deixou perdido
“Que louca combinação de atributos!
E que pensamento mais desmedido.
Meu filho é doido absoluto.”

Pedro, mestre dos mistérios
acaba com a dúvida que ao pai corrói.
“Para com os critérios,
só mesmo meu pai, meu herói!”

Pedro e o Poder do Lápis

Pedro vai começar a escola
E antes do seu dia primeiro
Não conseguia tirar da cachola
O discurso de seus pais inteiro.

“Pedro, a escola abre sua cabeça”
Disse o pai pro filho atento
“Deixa você esperto à beça
E liberta seu pensamento.”

“Pedro, aprenderá um montão!
Um pouco de muito e muito de um pouco.”
“Isso parece uma grande confusão.
Vou terminar é muito louco!”

Pedro, completamente perdido,
Por não entender o que é “etcetera”
“Será letra, número ou algo fedido?”
Aos braços da mãe recorrera.

Pedro, após as lágrimas limpas,
A mãe pegou e um lápis deu.
“Com essa varinha mágica, em etapas,
Você poderá criar um mundo só seu.”

Pedro olhou o objeto cilíndrico
sem esconder o descrédito
ao tocar, sentiu leve choque elétrico
uma energia nova, um sentimento inédito.

“Pedro, vá para a escola e aprenda
letras, números e o que etcetera é.
Deixe que a escola acenda
e de sua imaginação seja o pontapé.”

Pedro, o grande arteiro
percebeu a grande oportunidade
de usar o conhecimento inteiro
para enriquecer sua criatividade.

Cada Pedroca no seu Galho

Pedro, visitando a vó
Logo inventou brincadeira nova
Que na cabeça dela deu nó
Mas que é digna de uma trova.

Pedro viu que na fazenda
Os macacos só andavam na árvore
Resolveu virar uma lenda
Se libertar do chão, esse cárcere.

Pedro, quando a vó viu
Já alcançava a folha mais alta
Seu coração pela boca quase saiu
“Mas que menino mais peralta!”

“Pedro, vou te puxar com um laço!
É perigoso, vai se machucar!”
“Tudo bem, vó, sei o que faço.
O chão nunca mais vou tocar.”

“Pedro, deixe de dizer asneira!
Pois virou menino-mico?”
“O vó, não é brincadeira
Agora, só em galho fico.”

Pedro a vó deixou preocupada
E aos pais decidiu ligar
Pois aquela macacada
Precisava terminar.

“Pedro n’árvore está trepado
E de lá não quer descer!”
“Tudo bem. Quando estiver cansado,
O braço dará a torcer.”

“Pedro sua mãe deixou louca!”
Com seus botões a vó pensou.
“De gritar já estou rouca
E ela nem se alterou.”

“Pedro é menino esperto
Mas é claro que posso enganá-lo.
Preciso que chegue bem perto
Ou meu plano desce pelo ralo.”

“Pedro-mico, olha que bacana
Tenho pra você algo fabuloso
Será que gosta de torta de banana?
Ninguém resiste a algo tão cheiroso!”

Pedro, ao sentir tal cheiro
Já começou a sorrir
Mesmo o menino mais arteiro
À torta da vó não pode resistir.

Pedro, de galho em galho,
Rumo à casa ia
Como um castelo de cartas de baralho
Sua louca aventura ruía.

Pedro entrou pela janela
E atacou direto a torta
A vó assistiu à cena bela
Com risinhos atrás da porta.

Pedro comeu freneticamente
E logo um sono bateu
“O que será que passa nessa mente
Enquanto está nos braços de morfeu?”

Pedro tangido foi
Pela vó orgulhosa
Até a cama feito boi
“Que vó maravilhosa!”

Pedro, agora só em sonhos.
A vó quase deu enfarte
Mas fez um dia bem risonho
“Que menino pra inventar arte!”

O que acontece num piscar de olhos?

Provavelmente você já deve ter escutado alguém falando que algo aconteceu num piscar de olhos. Ou seja, que foi muito rápido. Mas já parou para pensar o que realmente acontece enquanto piscamos os olhos?

É claro que a maioria das coisas que dizemos que aconteceu num piscar de olhos durou muito mais do que isso, né? É só uma forma divertida de falar que foi muito rápido. Mas algo acontece durante a piscada de verdade e nós não conseguimos ver porque… bom, porque estamos com os olhos fechados, ora!

Antes de dizer o que acontece, é importante saber por que piscamos, né? Afinal, se fosse por mim, eu ficaria com os olhos abertos o tempo todo, sem parar, só pra ficar vendo um monte de coisa legal que tem por aí. Se desse pra dormir de olhos abertos, eu dormiria! Já pensou? Aposto que um monte de coisa estranha entraria nos nossos sonhos porque passaram em frente os nossos olhos durante o sono. Bom, mais estranhas do que já dão um pulinho por lá.

Voltando ao assunto, nós piscamos porque este é o tempo de dar uma olhadinha pra dentro da cabeça. Hein? Olhar pra dentro da cabeça? Pois é! Quando fechamos os olhos, se prestarmos bastante atenção, dá pra dar uma conferida no que está lá no fundo da cabeça. (Tente ver agora o que está láááá no fundo da cabeça, bem na nuca, aquele lugar que você achou só servia para coçar depois de alguns dias sem tomar banho.)

Ué, mas por que fazemos isso? É que vemos muita coisa ao longo do dia e, se não tomarmos cuidado, muitas dessas coisas saem da nossa cabeça e não ficam na memória. Sabe quando alguém diz que o falaram entrou por um ouvido e saiu pelo outro? É quase isso que acontece com o que vemos se não tomarmos cuidado. (Isso do ouvido também acontece, mas é história pra outro conto).

Quando piscamos os olhos e vemos o que temos no fundo da cabeça é pra lembrarmos do que estamos vendo. Assim, podemos guardar na memória o que estamos vendo e não nos esquecermos. Quando não conseguimos lembrar de algo que vimos ao longo do dia [como aquela aula chata], é porque não piscamos direitinho para podermos lembrar. Ou porque estávamos com o olho fechado bem na hora e aí não vimos nada mesmo (é bom parar de dormir na sala de aula, hein!).

Não deixe de piscar bem para não se esquecer de nada. Ué, e o que acontece enquanto piscamos então? Tudo aquilo que não vamos lembrar porque nunca vimos, oras! É por isso que a piscada é tão rápida, para não deixarmos de ver nadica de nada do que acontece no mundo.

Mas, se você é não consegue segurar sua curiosidade e quer porque quer ver o que acontece enquanto pisca seu olho, só tem uma solução para isso: pare na frente do espelho e tente piscar mais rápido do que sua imagem. Se você for rápido e esperto o suficiente, conseguirá enganar o espelho e vai ver o que acontece enquanto você piscou. ;-p

Por que a gente chora?

Quando a gente se machuca ou está muito triste ou feliz demais ou, às vezes, quando está com muito sono – é nessas horas que as lágrimas escorrem dos nossos olhos. É meio estranho ver lágrimas saindo do canto dos olhos, mas como a gente está tão concentrado no que deixou a gente triste ou no que fez doer ou no que deixou feliz ou no nosso sono absurdo, nunca paramos pra pensar no que está acontecendo: por que a gente chora?

Dizem que a Lágrima era uma mulher muito linda e muito sensível. Ela vivia andando pelos lugares observando as coisas e pessoas e sentindo o que essas coisas ou pessoas sentiam nos momentos. Só que ela sentia muito mais do que as próprias coisas ou pessoas sentiam. Então, se você se machucava e ela estava perto, ela berrava muito mais do que você. Se estava triste, ela estava mais triste ainda. Se feliz, ela estava que não se aguentava de tanta alegria. Até no sono ela praticamente desmaiava.

Isso acontecia porque a Lágrima gostava muito de todo mundo e não conseguia ver ninguém tendo algum sentimento forte sem que tivesse também. A Lágrima era a melhor amiga de todo mundo – mesmo que algumas pessoas não soubessem.

Mas tinha gente que sabia sim. Como a Lua. A Lágrima e a Lua eram melhores amigas. A Lua vivia muito contente por conta do seu namorico com o Sol e a Lágrima adorava ficar perto dela ouvindo suas histórias e transbordando de alegria junto com a apaixonada. Imagine: se uma pessoa feliz já deixava a Lágrima com um sorriso de orelha a orelha, a Lua, com todo aquele tamanhão e ainda alegre até não poder mais, era bom demais de ficar perto!

Só que a Lua e o Sol se desentenderam. E a Lua ficou muito triste. Muito mesmo. E a Lágrima estava lá para consolá-la e ficar triste junto. Mas a tristeza da Lua não tinha fim. E a Lua tem aquele tamanhão. E nada do que a Lágrima dissesse para a amiga servia para aliviar sua tristeza.

A Lágrima percebeu que a Lua precisava tirar de dentro aquilo que estava deixando ela triste. Quando estamos felizes, sorrimos ou gargalhamos – e por isso não explodimos de alegria. Mas não tinha nada que nos impedisse de explodir de tristeza.

A Lágrima, então, decidiu que deveria fazer algo pela grande amiga. A mulher virou líquido puro e começou a escorrer pelos cantos dos olhos da Lua. Cada gota que caía da triste apaixonada, tirava de dentro dela um pouco da tristeza que a consumia. Foi então que a Lua começou a chorar. E chorou tanto e por tanto tempo e com tanta força, que chegou até a ter consequências na terra. Afinal, a tristeza da Lua era imensa – como ela.

Enquanto ajudava a amiga a transbordar sua tristeza, a Lágrima ficou muito tempo escorrendo dos olhos da Lua. Quando, por fim, a Lua conseguiu se recompor e se sentiu um pouquinho melhor, a Lágrima percebeu o bem que fez para a amiga. Por isso, decidiu que sempre que alguém estivesse com um sentimento tão forte que estivesse a ponto de explodir, ela ajudaria a transbordar isso através do choro. E foi assim que surgiu o choro e é por isso que a gente chora.

Então não se preocupe em segurar o choro ou que alguém esteja vendo você chorar. Deixe a Lágrima te ajudar a se sentir melhor.

Por que a gente boceja?

Tem gente que só faz no fim do dia, perto da hora de dormir. Outras pessoas fazem muito de manhã, indo para o colégio. Mas tem um pessoal que passa o dia inteiro fazendo. Do que estou falando? De bocejar!

A pessoa inspira o ar, abre o bocão e solta tudo o que tem nos pulmões com um gostoso “Uaaaaaaaa!”. Eu, que sou dos que boceja o dia inteiro, adoro bocejar e não perco uma oportunidade de abrir o bocão. Até porque seria perigoso se eu não fizesse isso.

Como assim? Você não sabia dos perigos de não bocejar? É perigosíssimo! Mas, para saber o porquê, antes você tem que saber o que é um bocejo. E antes de saber o que é o bocejo, temos que saber o que é a fala.

A fala? Como assim? Bom, a fala acontece de uma forma muito particular: a gente pensa nas palavras e elas surgem na nossa boca. Incrível, né? Pois bem, há um “armazém de letras” dentro da gente e é de lá que as palavras saem.

Ao longo do dia, a gente pensa muito mais coisas do que fala. Com isso, o “depósito de letras” vai se enchendo aos poucos. Chega um momento em que não cabe mais nada, uma palavrinha pensada a mais que seja e tudo pode se complicar.

Ouvi a história de um garoto que aprendeu tanto o que falava, que as palavras começaram a sair pelos cotovelos. Tem também a história das menina que de tanto não falar, seus cabelos ficaram em pé e formavam imagens do que ela estava pensando. Um terror para pentear!

Essas histórias são assustadoras, mas não precisam acontecer. Há uma solução bem simples para isso: bocejar. Isso mesmo! Quando você boceja, não faz um gostoso “Uaaaaaaaa!”? Então, assim você está esvaziando um pouco o seu depósito de letras.

Então não deixe de bocejar sempre que sentir necessidade. E também não deixe de falar o que estiver pensando. Principalmente se pensar uma pergunta legal!

Por que a Aranha tem oito pernas?

Muita gente faz essa pergunta, principalmente as pessoas que têm medo de aranhas. “Ai, por que tinha que ter tanta perna? Socorro!” Mal sabem essas pessoas que as aranhas são supersimpáticas.

Mas, afinal, a aranha tem oito pernas ou oito braços? Isso é um discussão que, não só a aranha, como o polvo, a lula, a centopeia e vários outros bichos têm entre si. E tudo começou quando eles perceberam que tinham um pouco mais de pernas ou braços do que a maioria dos bichos.

O polvo, por exemplo, só foi perceber que tinha oito seja-lá-o-que-for-isso num dia que se sentia muito só. O porco-espinho, reconhecidamente o animal mais carinhoso da floresta, percebeu que o polvo estava triste e foi fazer companhia para ele. O polvo ficou tão feliz que, no calor do momento, deu um grande e forte abraço no porco-espinho. Não preciso nem dizer que ficou todo espetado, coitado. Foi tirando todos os espinhos, um por um, de cada um dos braços/pernas que ele percebeu que tinha um montão!

Com a aranha, foi um pouco diferente. Por aquela época, ela já adorava tecer com suas teias, coisas como meias e tocas pro frio. Todo mundo adorava tudo o que a aranha fazia e viviam pedindo mais para ela. Assim, ela começou a ousar mais nas coisas que fazia, deixando de fazer só meias e passando a fazer casacos, inclusive para elefantes!

Vendo que estava dando certo, ela decidiu ir além: construir uma casa de teia. Ela fez a primeira pra si mesma para testar – e adorou. Os outros animais também acharam muito interessante, e pediram para ela fazer uma casa assim para eles também.

Só que seus amigos começaram a aparecer reclamando da casa de teia. Todos se enrolavam completamente e quase não conseguiam sair. A aranha, que não entendia o porquê daquilo, já que andava na sua casa de teia sem o menor problema, ficou perdida com aquela reclamação toda.

Quando apareceu o papagaio reclamando, ela não se conteve e disse que a culpa era deles, que eram atrapalhados. Ela mesma, não tinha problema nenhum com sua casa de teia. O papagaio, irritado por ter ficado horas pendurado na teia até que a maritaca apareceu para ajudar – não sem antes ter rido por uma boa meia hora – rebateu imediatamente: “também, com todos esses braços!”

Os outros bichos todos concordaram e acabaram indo embora, entendendo o que tinha acontecido. Mas a aranha ficou cheia de vergonha e decidiu não usar mais sua teia para ajudar ninguém, só para ela mesma. O que é uma pena, já que suas teias são muito lindas!

E, para entender melhor aquele monte de braços ou pernas, ela juntou todos os outros animais que também tinham mais pernas do que o comum e formou o grupo dos multibraços. Só que, como dito antes, eles nunca conseguiram sair da discussão de se tinham muitos braços ou se eram muitas pernas. Então nunca conseguiram chegar na parte de por que tinham mais do que o resto dos bichos.

Acho que quanto mais braços, mais falam pelos cotovelos. Eu, hein!

Por que os gatos têm sete vidas?

Você já ouviu alguém dizer que seu gato tem sete vidas? E você sabe o porquê?

Bom, muita gente acha que é uma brincadeira, apenas uma forma de dizer que os gatos são muito safos e escapam de qualquer enrascada. Mas a verdade é que os gatos têm sete vidas de verdade!

Tudo começou há muitos anos atrás quando ainda havia poucos animais no mundo. Os bichos que havia vivam tranquilamente na floresta, todos muito educados e respeitosos.

Só que, um dia, apareceu o Papito. Papito foi o primeiro gato no mundo! Todos os outros animais o receberam super felizes por terem um novo companheiro na floresta.

Mas rapidamente os bichos começaram a se incomodar com ele. Acontece que o Papito não conseguia parar quieto. Ele vivia pululando de um lado para o outro, correndo e saltando, uma energia infinita. Os outros animais eram todos calmes e passavam seus dias comendo e descansando.

Não preciso nem falar que o Papito deixou os outros bichos loucos, né? Imagina, você lá relaxando e curtindo uma sonequinha quando aparece alguém pulando de um lado para o outro sem parar e ainda falando pelos cotovelos. E o pior: causando todo tipo de confusão.

Sim, confusão! Uma vez, o Sr. Tartaruga estava calmamente tomando seu chazinho e lendo um livro quando o Papito de um pulo do nada com uma bexiga que acabou estourando bem no ouvido do coitado do Sr. Tartaruga. Suspeito até que foi aí que o pobre Sr. Tartaruga começou a ficar meio surdo.

E a vez com a Dona Preguiça? Ela estava tranquilamente se dedicando à soneca do pós-lanche de meio da manhã na sua rede preferida. Sim, a preguiça tinha várias redes espalhadas por toda a floresta. Mas essa era a sua preferida: com pouca luz o dia todo, com uma leve brisa do leste que fazia o gostoso barulho de folhas roçadas pelo vento.

Só que o Papito não sabia de nada disso. Aliás, ele não queria saber de nada disso e sim da brincadeira de pique-pega com o vento em que ele estava. Quando a brisa passou “correndo” pela rede da Dona Preguiça, o gatinho sapeca saltou para por fim agarrá-la e acabou agarrando a rede.

A coitada da Dona Preguiça ficou tão enroscada na rede que foi preciso uns 10 siris cortando com suas pinças para ela se livrar do apuro. Depois disso, ela rapidamente aprendeu a se pendurar nas árvores dormindo com as mãos mesmo.

Isso sem contar os casos com o Seu Tamanduá, a Sinhá Galinha d’Angola e com o Pavão. Basta dizer que o Seu Tamanduá não usa mais canudinho para comer, só a língua, que a Sinhá Galinha d’Angola, antes tão confiantes, depois do trauma com o gato, só faz repetir “Tô fraca! Tô fraca!”, e que o Pavão, de susto, ficou todinho branco.

A situação chegou a tal ponto que teve até uma assembleia de bichos para definir o que fazer com o Papito. Afinal, os animais estavam ficando com medo de sair de suas casas – e isso não era legal.

Acontece que, no meio da reunião, começou a chover. Mas não era uma chuvinha qualquer, era a Lua chorando por causa do Sol. Era uma chuva que não parava mais e começou a inundar tudo!

Os animais começaram a fugir todos, desesperados com o que acontecia, mas não estava dando tempo e alguns bichos já começavam a se afogar.

E foi quando chegou o Papito. Ele começou a resgatar os animais mais pesados, os que tinham ficado para trás e estavam se afogando. Um por um, o Papito ia lá, tirava da água e levava para um lugar seguro. Apenas para, em seguida, voltar para a água para salvar outro bicho.

No entanto, apesar de todo o esforço do bravo gato, eram muitos para ele sozinho e toda a sua energia começou a se esgotar. Quando ele já estava morto de cansaço sem conseguir dar nem um passo mais, o Sol interveio. Sabendo que tudo aquilo foi causado por ele e, sem conseguir a Lua, resolveu que tinha que ajudar o Papito em sua tarefa. Para isso, foi e lhe deu um novo fôlego, uma nova “vida”.

Com as energias restauradas, Papito rapidamente pôs-se a trabalhar no grande resgate. E toda vez que ficava a ponto de não poder dar uma miada sequer de cansaço, o Sol ia lá e ajudava.

Lá pela sétima ajuda do Sol, o Papito finalmente conseguiu salvar o último bicho: exatamente a Dona Preguiça, que se pendurou numa árvore e, achando que estava salva, aproveitou para tirar um cochilo. Só foi acordar quando a água já cobria sua cabeça.

E ela foi a primeira a pedir desculpas ao Papito por estar chateada por ele ter tanta energia, seguida por todos os outros bichos.

Por conta de seu fôlego de sete vidas, Papito ficou famoso por ter sete vidas de verdade. Mas ele, depois desse episódio, ficou bem mais calmo, ainda cansado de todo o trabalho. Hoje em dia, o Papito – e todos os outros gatos – só fazem um esforço sobre-humano é para fugir de água.

Por que o espelho repete tudo o que a gente faz?

Quando eu era mais novo, um dia eu reparei o espelho. Fiquei olhando para ele e não gostei, não. Ele era estranho! Tudo ao contrário do que estava fora dele.

Fiquei com medo de ficar olhando muito tempo para ele e as coisas fora dele também começarem a ficar tudo ao contrário. Já pensou? O doce virar salgado, o alto ficar baixo, o seco virar molhado. Eu, hein!

Depois de um tempão sem querer nem ver um espelho, por acaso me peguei olhando para um. Eu estava escovando os dentes e vi que ele fazia o mesmo. Como sabor da pasta de dentes não mudou, acabei perdendo o medo do espelho.

Na verdade, fiquei preocupado com ele. Se ele só fazia o que eu fazia, eu tinha que ajuda-lo. Eu ia escovar os dentes todos os dias, após as refeições na frente dele. Imagina se meu espelho fica com cáries! Eu tomava banho e trocava de roupa na frente do espelho para ele não ficar sujo nem pelado. Até estudar na frente do espelho eu fazia para ele não ficar burro!

Só que um dia, eu fui na casa de um amigo e sujei minha roupa. Ele me emprestou uma dele para eu usar. Quando cheguei em casa, passei na frente do espelho e vi que ele estava usando a mesma roupa que eu. Mas como?

Aí eu vi que eu não tinha que me preocupar com o espelho. Ele não fazia as coisas junto comigo. Ele é um macaco de imitação, isso sim! Ok, ele não é um macaco de verdade, mas que ele fica me imitando, isso sim.

O que eu ainda não descobri é por que ele fica me copiando. Eu já tentei perguntar, mas ele não responde. Só que hoje, quando eu voltar da escola, vou pregar uma peça nele: eu vou parar na frente dele e vou fazer tudo o que ele fizer!

Aí eu quero ver se ele acha divertido isso. Quem sabe ele até me conta por que me imita. Quem sabe? Tenta você aí na sua casa também e depois me conta!

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