Por que espirramos?

O espirro, geralmente, é resultado de alguma doença: um resfriado ou alergia etc. Só que há alguns espirros que vêm nos momentos mais inesperados e sem motivo. São esses que deixam a gente encucado. Se não estamos doentes, por que mesmo assim espirramos?

O espirro “fora de hora” é um sinal do nosso corpo. Não, não significa uma doença nova que ninguém conhecia. É um sinal beeeem diferente: ele é um sinal de que alguém quer falar com a gente.

Outro sinal é quando nossa orelha fica vermelha e quente. Se sua orelha está vermelha E quente E você tem um espirro “fora de hora”, em alguém precisando falar com você com muita vontade.

Não confunda esses sinais, no entanto, com coceira na palma da mão que só pode significar duas coisas:
1)    Eu você é uma criança que gosta de fazer arte, pintar o sete, deixar tudo bagunçado.
2)    ou Que você passou a mão em alguma erva daninha e vai ficar coçando por um tempão.

Mas como assim “é um sinal de que alguém quer falar com a gente”? Bom, você pode não acreditar, mas há muito tempo atrás, não existia celular. É verdade! E também não existia internet nem computadores. Serinho! Além disso, não havia telefones nem televisores nas casas. Impossível? Não, tudo isso aconteceu mesmo.

Nessa época, pra as pessoas se comunicarem de longe, só havia três maneiras: com um telefone de lata, através de um telefone sem fio e com o orelhofone.

O telefone de lata era duas latas ligadas por um barbante esticado. Era complicado porque a pessoa tinha que entregar uma das latas para a pessoa com quem queria falar e só depois ia para longe dela. As pessoas perceberam que era mais fácil falar com quem queria antes de se afastarem. Além disso, os barbantes que as pessoas tinham eram muito curtos, sendo mais fácil gritar a mensagem de tão perto que ficavam. E quem tinha barbantes bem longos, tinha o maior problema para carregar de um lado para o outro.

Quando as pessoas perceberam que os telefones de lata eram muito ruins por causa do barbante, inventaram o telefone sem fio. Não, não é aquele aparelho que a sua mãe tem na sua casa. Na verdade, não é nem um aparelho. O telefone sem fio funciona quando uma pessoa fala uma mensagem no ouvido da pessoa do lado e pede para ela passar adiante. A segunda pessoa fala no ouvido de quem está do outro lado dela e assim por diante até chegar à pessoa com quem se queria falar a princípio. Isso era problemático porque a mensagem final quase nunca era igual à inicial, as pessoas escutavam errado ou se esqueciam ou se confundiam e a mensagem final era quase sempre muito ouça. Além disso, isso gerava muita fofoca porque todo mundo ficava sabendo o que a gente queria contar para o nosso amigo e espalhavam tudo. E imagina se você quer falar mal de alguém e essa pessoa está antes do seu amigo! Já viu a confusão, né?

Foi aí que inventaram o orelhofone. Esse é um sistema de comunicação que as pessoas de hoje em dia não sabem mais muito bem como funciona. Quando inventaram o aparelho de telefone, as pessoas ficaram tão felizes que se esqueceram completamente como usar o orelhofone.

Só que ele continua funcionando! Só o que sabemos hoje em dia é que os espirros “fora de hora” são os avisos de que alguém está ligando. Ligações urgentes usam as orelhas vermelhas e quentes para se identificarem. Ligações muito urgentes usam tudo.

Pena que a gente não sabe como atender as ligações. Sim, todos sabemos como ligar: é só pensar com muita força na pessoa com quem se quer falar. Com certeza, nesse exato momento, ela vai espirrar ou sua orelha vai ficar vermelha ou quente. Ou tudo junto.

Então, fique atento ao telefone caso um dos sinais se manifeste em você. E pare de mexer em erva daninha ou de fazer travessura para a sua mão parar de coçar!

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Por que minha avó usa dentadura?

Essa é uma pergunta muito boa e inteligente. Você percebeu que a vovó usa dentadura e se lembrou da história de “Por que os dentes caem e para onde eles vão?”, não é? E deve estar se perguntando se os dentes da vovó também vão virar fadinhas, certo?

E eu também disse que os dentes que nascem na sua boca no lugar do que caíram são mais fortes e bonitões. Bom, esses dentes fortes e bonitões são os dentes que vão te acompanhar pela vida toda. Ou quase.

Conforme as pessoas vão ficando velhas, elas vão diminuindo de tamanho. Você já percebeu como a vovó é menor que a mamãe? Pois é, é como se o nosso corpo quisesse voltar a ser criança. As avós não trabalham mais, brincam mais com a gente e muitos até voltam a fazer pipi na cama, sabia?

O entanto, enquanto o corpo das avós diminue, seus dentes continuam do mesmo tamanho. E aí já viu, né? Acontece o contrário do que aconteceu com a gente quando nossos dentes caíram: os dentes estão grandes e a boca pequena. É como tentar calçar o sapato que tínhamos quando éramos bebês. Não cabe.

Por isso os dentes das avós caíram: não cabiam mais na boca. Para substituir os dentes que caíram, as avós usam uma dentadura.

E o que acontece com os dentes das avós que caíram? Aí já é outra história. Esses dentes têm que ser plantados no jardim ou num vaso. Pois é, esses dentes são como sementes e se forem bem plantadinhos vão virar lindas fores. Que tipo de flores? Bom, aí depende e qual dente é o plantado e quem era o seu dono. Alguns dentes podem virar rosas, outros margaridas, os grandes talvez um enorme girassol ou mesmo um cravo.

É muito importante plantar os dentes das avós porque depois eles podem precisar deles. Quando voltarem na forma de borboleta e estiverem com fome, é nessas flores que elas vão se alimentar.

Por isso, quando um dente da sua avó cair, peça ajuda da mamãe ou do papai para plantar bem direitinho para que nasça de cada um deles uma linda flor.

Infantilização da criança ou realismo infantil?

Quando comecei a desenvolver a idéia para este site na minha cabeça e a discutir com a patroa, uma questão importante surgiu: deve-se dar respostas fantásticas para todas as perguntas?

Me explico: durante nosso período de tentativas e a curta gestação interrompida, a metade-cara leu muitos blogs e sites sobre gestações, bebês e crianças. Em vários deles, havia discussões quanto a que tipo de respostas devem ser dadas para as crianças, se era para os pais serem claros e responderem corretamente, apenas adaptando a linguagem, ou para dar respostas “bonitinhas” para proteger os filhos das coisas chatas da vida e que descobrissem mais tarde na escola.

Os defensores do “Realismo Infantil” (acabei de inventar, tá?) têm um ponto muito interessante: as crianças têm cada vez mais acesso a informação e cada vez mais cedo. Então, se você der uma resposta criativa, a criança vai descobrir a verdade na internet ou na TV – antes mesmo de chegarem na escola. A consequência disso pode ser uma falta de confiança nos pais por terem mentido.

Outros defensores dizem que as crianças têm cada vez mais cedo a capacidade de aprender e absorver conhecimento. Por isso, é melhor já vir aprendendo tudo desde pequeno para poder ir bem na escola, passar de primeira no vestibular, mandar bem na faculdade, conseguir um bom emprego e ganhar $30.000 por mês aos 25 anos de idade. Ufa!

Bom, eu claramente defendo que infância é infância. Defendo que a hora da brincadeira é o que estimula a criatividade, que o lazer é tão importante na vida de uma pessoa (mesmo de uma criança) quanto estudos e trabalho. Pro pessoal que se amarra nuns termos pseudo-intelectuais que saem no caderno de ciência do jornal, aí vai: a brincadeira criativa estimula a cognição, inteligência imaginativa, capacidade de adaptação, capacidade de extrapolação de situações, leva a um saudável desenvolvimento físico e é divertido.

Então, para o segundo argumento dos defensores do “Realismo Infantil” (olhaaaaa, tentando lançar moda), acabar com a infância divertida da criança, para mim, não é garantia de se criar um adulto bem-sucedido – apenas um amargo.

Quanto à primeira questão, eu concordo em termos. Para a maioria das perguntas (dependendo da idade da criança, é claro), sou a favor de uma resposta fantástica. No entanto, concordo que há algumas perguntas que, se não forem respondidas adequadamente, podem causar confusão na criança e talvez venham a causar problemas futuros.

Nas pesquisas da patroa pela internet, ela achou um texto que falava que vale a pena explicar, adaptando a linguagem à idade da criança, a fatídica pergunta “De onde vêm os bebês?” Falar de cegonhas, abelhinhas ou qualquer outro animal pode causar confusão e gerar certos desconfortos com sexo mais tarde.

Assim sendo, decidimos entre nós dois que, nestes casos, daríamos uma resposta correta e menos confusa possível. Neste projeto, eu tento seguir os preceitos do que definimos – até agora – sobre como cuidaremos dos nosso filhos. Por isso, estou trabalhando na melhor resposta possível que eu possa dar para a seríssima pergunta que todos os pais enfrentam.

Quanto ao resto das perguntas, respostas fantásticas estão a caminho.

O que acontece depois que morremos?

A verdade é que ninguém sabe ao certo. Muitas pessoas têm suas opiniões, religiões e crenças. Pode ser que uma delas esteja certa (ou talvez todas, ou mesmo nenhuma), mas o que eu vou contar a seguir é o que eu acho que acontece.

Infelizmente, nas nossas vidas, há certas coisas que sem seu oposto, não existiriam: frio e calro, felicidade e tristeza, sorte e azar etc. Às vezes, essas duplas opostas podem ser os dois bons (como frio e calor, por exemplo), mas, na maioria das vezes, um deles pode ser algo que não queremos. E, para se poder viver, o oposto é morrer.

É muito triste isso porque deixamos de ter pessoas de quem gostamos muito ao nosso lado. Algumas pessoas dizem que quem faleceu nos deixa para sempre, mas eu penso diferente. Eu acho que as pessoas viram outra coisa, elas se transformam.

Como assim? Bom, nós temos dentro da gente as nossas essências que são todos os nossos pensamentos, sentimentos e vontades. Quando falecemos, é exatamente esta parte nossa que sai do nosso corpo. Só que ela sai num formato muito especial: como uma borboleta. Digo isso porque, sem o corpo, essa coisa pesada que levamos para uma lado e para o outro, ficamos muito leves a ponto de podermos voar.

Já vi muitas borboletas perto de pessoas queridas que se foram e tenho certeza de que elas estavam dando tchauzinho para mim. Eu já vi as borboletas mais coloridas e as mais cinzentas. E tudo depende de quem foi a pessoa que originou a criatura alada.

As pessoas alegres e cheias de carinho geralmente fazem bonitas e multicoloridas borboletas, daquelas que mais parecem lindas flores voando, pedaços de arco-íris ambulantes. Mas há pessoas que são tristes e amargas, pessoas sem cor na vida e que acabam virando borboletas sem cor, preta e branca ou apenas cinza.

Agora, aquelas borboletas enormes, quase do tamanho de um pássaro, são de pessoas que tinham o coração enorme, gente generosa e que se preocupava com os outros. As borboletas pequeninas eram pessoas egoístas que só se preocupavam com elas mesmas.

Então, eu acredito que todos deveríamos viver nossas vidas com muito carinho, alegria e generosidade para podermos virar uma enorme e maravilhosa borboleta. E se você vir uma borboleta voando, dê tchau. Pode ser alguém que você conheceu.

Se o mundo é redondo, por que a gente não cai quando ele gira?

Acredito que todos nós já brincamos de bola e ela acabou caindo na água ou na lama, não é? E aí, quando continuamos a brincar com ela, vimos que a lama ou a água saía toda da bola enquanto ela girava. E fez a maior sujeirada por tudo quanto é canto.

Aí a gente pensou “se o mundo é redondo que nem uma bola, por que a gente não é espirrado dele que nem a lama na bola e faz a maior sujeirada por todo o universo?”

Tem gente que diz que é porque existe uma força que faz a gente colar no chão. Tem outras pessoas que dizem que é porque somos muito mais pesados que a lama ou a água e que por isso ficamos por aqui mesmo. Tem ainda um pessoal que tem certeza de que é porque a Terra não é redonda nada e sim plana, que nem uma tábua.

Mas nós sabemos que não é nada disso. Esse pessoal aí em cima é muito doido. A verdade é que todos nós temos o nosso amigo-âncora do outro lado do mundo.

Você sabia que do outro lado do mundo vive gente? Gente que nem eu e você. A única diferença é que, como eles vivem do outro lado do mundo e o mundo é que nem uma bola, eles vivem todos de cabeça para baixo. Eu hein!

Mas, voltando, acontece que essas pessoas que moram do outro lado do planeta têm mais a ver com a gente do que você pensa! É do outro lado da Terra que está o seu amigo-âncora.

Hein? Como assim “amigo-âncora”? É um amigo chato? Ou um amigo gordo? Alguém que mora debaixo d’água e fica segurando barcos para eles não saírem navegando sozinhos? Que gente estranha essa que vive lá do outro lado, hein!

Não, nada disso. Seu amigo-âncora não é nada disso. Bom, pode até ser que ele seja chato ou gordo, mas definitivamente ele não fica segurando barcos debaixo d’água.

Não, ele é uma pessoa como você. Tem dois olhos, duas orelhas e um umbigo. Pois é. Mas você não conhece ninguém do outro lado da Terra, como pode ser seu amigo, não é? Não só tenho certeza de que ele é um amigo seu, como também sei que você é um amigo dele. Você é o amigo-âncora dele. Desde que nasceram.

Acontece que os amigos-âncora são pessoas que nascem no mesmo dia e horários, só que cada um de um lado do planeta. Quando duas pessoas nascem assim, elas têm uma ligação muito forte. E é essa ligação que não deixa que a gente caia da Terra enquanto ela gira e faça a maior sujeirada pelo universo.

Ainda bem, né? Já pensou se não fosse assim? Quem é que ia limpara a bagunça que nós faríamos por tudo quanto é canto. Já basta a que nós fazemos nos nossos quartos.

Existem perguntas irrespondíveis?

Talvez. Mas eu gosto de pensar que apenas não sabemos como respondê-las ainda. Acho que com calma, paciência e boa vontade, deve ser possível responder qualquer pergunta. Mas devo admitir que há perguntas que são mega-ultra-hiper-cabeludas e que chegam até a assustar no momento em que são feitas.

Eu tenho um amigo que tem uma filha de cinco anos. Ele é casado com uma professora de jardim de infância, uma pessoa cheia de pedagogias, psicologias e técnicas. Eles decidiram juntos que responderiam todas as perguntas da melhor forma possível para que pudessem ter uma relação de confiança e sinceridade com a filha.

Isso pode até parecer engraçado vindo do mesmo pai do caso do CACAu, mas pais compromissados também têm seus momentos de fraqueza.

Bom, um dia a menina chegou para o pai e soltou com a maior tranqüilidade a bendita pergunta: “Pai, seu bingulim é grande?”

Cara, essa pergunta é cabeluda estilo Valderrama, estilo Jackson 5, estilo Chewbacca!

Meu amigo, apesar do pensamento pedagógico e da veia cômica, ficou sem palavras. Desconversou e esqueceu do assunto.

Não sei como eu reagiria no lugar dele, pego de surpresa com uma pergunta tão complicada. Provavelmente faria o mesmo. A Metade-cara sugeriu dizer algo do tipo “Tamanho não importa” (e eu que pensei que mulheres já nasciam com essa pergunta implantada na mente). Eu acho que a criança ainda era muito pequena para entender essa resposta – ou mesmo para entender a própria pergunta que fez.

Pensando com calma na situação, acho que essa é uma pergunta infantil que gera outras perguntas de adulto: “Por que você quer saber isso?”, “De onde você tirou essa pergunta?” etc. Acho mais importante – neste caso – entender o que está passando na cabeça da criança e explicar o que é que ela está perguntando do que simplesmente dar uma resposta direta, seja ela qual for.

Acho que a pior resposta seria um “Isso é coisa de adulto” ou um “Não é da sua conta”. Esse tipo de atitude, a meu ver, só afasta a criança dos pais como fontes de conhecimento e pode atiçar a curiosidade. Dessa forma, a criança vai querer saber mais do que nunca do que se trata – de um tema que de repente nem queria saber tanto assim, como foi o caso. E pior, vai procurar sobre o assunto em lugares sem o seu apoio ou supervisão: amigos, TV e internet.

Eu espero, se/quando chegar a minha vez, poder ter calma e tratar do assunto com a seriedade, porém normalidade, que ele merece. O coitado do meu amigo ainda não respondeu para a filha (e suspeito que, por ele, nunca responderá). Mas a menina também nunca mais voltou a fazer essa pergunta. Bom para ele.

E você, o que faria no lugar do meu amigo?

O que é o Escuro?

Devo admitir que passei muitos anos da minha vida com medo do escuro. Por quê? Ora, porque ele é muuuuuuito escuro! Mesmo depois de descobrir quem é que fazia os barulhos de alguém tentando não fazer barulho no meu quarto de noite, o escuro ainda me assustava.

Para tentar fugir dele, eu dormia de cara para a parede. Dessa forma, quando eu começava a sonhar e vinha o escuro atrás de mim, eu já estava virado para o outro lado, prontinho para correr dele!

Você sabia que a posição em que a gente dorme é a que a gente estará quando começar a sonhar, não é? Não? Pois é, você nunca sonhou que ia ao banheiro e acordou de pé? Ou sonhou que brincava no computador e acordou sentado na cama? Eu já acordei nadando na minha cama, tinha arrancado todo o lençol. E teve aquela vez que sonhei que estava voando e acordei abanando os braços enquanto caía no chão.

E se funciona para quando você acorda do sonho, também funciona para quando você vai dormir! Por isso que eu digo que é muito importante você escolher a posição como vai dormir para não ter um sonho maluco em que nade numa geléia de abacaxi ou voe dentro da geladeira de um gigante.

Mas agora eu não tenho mais medo do escuro. Agora, nós somos grandes amigos. Como assim? Ué, eu descobri o que é o escuro. Ou melhor, descobri quem é o Escuro.

O Escuro é um desses seres fantásticos que habitam o nosso mundo. Ele é bem grandão, quase não fala nada, mas adora uma brincadeira divertida. Ele só fica triste quando está muito claro para ele sair e brincar. Mas, de noite, quando todo mundo apaga as suas luzes, é quando ele mais tem oportunidade para ele se divertir.

Uma noite, eu estava deitado na cama virado para a parede e pronto para poder fugir no meu sonho quando decidi encarar o Escuro. Virei de frente para ele e falei bem alto “eu não tenho mais medo de você!” É claro que eu ainda estava morrendo de medo, mas tinha me enchido de coragem para acabar com a perseguição nos meus sonhos.

Aí, virado de costas para a parede, enfrentando o Escuro, foi que ouvi uma voz muito grossa e profunda dizendo “Que bom!”

Como assim? Pois é, parece que o Escuro, na verdade, só estava atrás de mim para a gente brincar. Ele tinha várias brincadeiras legais para me ensinar: ver estrelas, fazer animais de sombra na parede, esconde-esconde e várias outras mais. A partir desse dia, nunca mais dormi de frente para a parede. Sempre fico de frente para o Escuro para nos encontrarmos nos sonhos e brincarmos muito!

O que é o barulho de alguém tentando não fazer barulho?

Às vezes, quando estamos sozinhos no quarto de noite, prontos para dormir, nós ouvimos um barulho estranho. O barulho de alguém tentando não fazer barulho.

Muitas vezes ajuda pedir para a mamãe ou o papai deixar a luz do abajur ou a do corredor acesa e a porta do quarto meio aberta. Mas a verdade é que a gente sabe que o barulho continua lá. É só a gente fechar o olho para dormir que ele volta.

O que é esse barulho? A verdade é que eu não sei.

Bom, como eu já disse antes, existem vários seres fantásticos no mundo. E também já contei que eles são muito tímidos e medrosos, então sempre esperam a gente dormir para aparecerem. E se a gente fingir que está dormindo, às vezes dá para ver um desses seres fantásticos fazendo suas coisas fantásticas. Provavelmente o barulho que escutamos é de um ou mais de esses amigos fantásticos que temos.

Não dá para saber com certeza qual deles que está fazendo o barulho. Eu não sei fingir que estou dormindo, então eles sempre me descobrem acordado. Mas eu tenho alguns suspeitos: o Bicho-Papão, o Monstro Debaixo da Cama e a Coisa que Mora no Armário. Vou explicar quem é cada um deles para você descobrir quem é o culpado:

O Bicho-Papão:
Como o nome diz, o Bicho-Papão é um bicho que adora comer. Ele é realmente muito guloso e muitas vezes está com tanta fome que fica agitado e faz barulho. Eu diria que ele é o candidato número 1 para responsável pelos barulhos noturnos no seu quarto.

Muita gente acha que o Bicho-Papão é mau e que ele gosta de comer criancinhas. Nada disso! O Bicho-Papão é muito bonzinho, adora criancinhas, é meio estabanado e muito medroso. Ele tem medo especialmente de pais. Tanto que ele fica se escondendo atrás de portas e móveis para não ser visto.

O que o Bicho-Papão gosta de comer então? Sonhos. Ele adora um lindo, criativo e suculento sonho de criança. Quanto mais maluco e fantástico, melhor. Enquanto a gente não dorme e sonha, ele fica agitado. E, trapalhão do jeito que é, ele acaba fazendo barulho sem querer.

Pode acontecer também de ele ter engolido um pesadelo. Ele morre de medo de sonhos assustadores. Se você estiver sonhando um pesadelo e acorda com algum barulho no quarto, com certeza é o medroso do Bicho-Papão se tremendo de medo.

Se ele estiver se incomodando muito, é só pedir para a mamãe ou o papai darem uma olhada atrás das portas e dos móveis no quarto antes de dormir que ele não terá onde ficar e não vai fazer barulho a noite toda.
O Monstro Debaixo da Cama:
Cuidado: o monstro debaixo da cama não gosta de ser chamado de monstro. Ele fia muito triste e pode passar a noite chorando debaixo da cama, tornando impossível dormir assim. Melhor chamá-lo de Fofi.

Fofi vive debaixo das nossas camas, é muito alegre e brincalhão. Ele fica esperando o dia inteiro para brincar com os nossos brinquedos embaixo da cama assim que dormimos.

Ele tem muito medo de luz. Quando iluminado, Fofi some, fica invisível e não consegue brincar. Por isso, quando você vai dormir e apaga a luz, Fofi puxa o primeiro brinquedo que vê pela frente e começa a brincar. Ele pode passar a noite toda brincando, então se ele estiver incomodando, é só acender um pouco a luz que ele para.

Agora, Fofi adora criança que faz xixi na cama. É quando ele fica mais animado, agitado e faz uma bagunça. É impossível dormir com o Fofi desse jeito. Por isso, segure seu pipi até de manhã senão a noite será complicada.
A Coisa que Mora no Armário:
A Coisa que Mora no Armário é, talvez, de todos os suspeitos, o mais difícil de ver ou mesmo de ter certeza de que ela está lá. Dizem que ela às vezes é pequenininha e outras é bem grandona. Ninguém sabe com certeza porque a coisa não gosta de ser vista. Na verdade, o que ela gosta mesmo é de brincar de esconde-esconde. Por isso, ela costuma fazer algum barulho no armário e sumir quando a gente abre pede para o nossos pais para verem o que é. Mas nós sabemos que, dentro do armário, só pode ter sido ela.

Muitas vezes, a Coisa decide brincar de esconder as nossas coisas: camisas, brinquedos, deveres de casa par ao dia seguinte etc. Ela é impossível! E não conta de jeito nenhum onde escondeu. A gente passa horas procurando e nada. Aí, depois que a gente desiste, a gente encontra o que procurava bem ali, debaixo do nosso nariz. Como pode? Foi a Coisa que Mora no Armário!

Agora, se você abriu sua gaveta de meias e só achou um pé descasada, o problema é outro. Não pense que a Coisa escondeu só um pé da meia de brincadeira. Ela comeu! Isso mesmo: a Coisa adora comer apenas um pé de meia do par. Ela come um pé de cada par, nunca os dois. É por isso que volta e meia a gente percebe que tem várias meias descasadas na gaveta.

E se a meia estiver suja e largada pelo quarto, na sala ou mesmo no chão do banheiro, isso é garantia da Coisa comer. Para ela, não tem nada mais irresistível que uma deliciosa meia sabor chulé de criança.

E o que podemos fazer para espantar a Coisa que Mora no Armário da nossa casa? Não sei. Até hoje eu tenho lá em casa as minhas coisas sumindo quando deixo tudo bagunçado. O que pode ser feito para limitar a ação da Coisa é deixar tudo arrumadinho no seu lugar. Porque, dessa forma, mesmo que a Coisa que Mora no Armário esconda algum objeto seu, você logo vai encontrar. Se estiver tudo bagunçado, você não vai encontrar nada nunca.

Pronto. Agora que apresentei os três principais suspeitos de fazer o barulho de alguém tentando não fazer barulho, você já pode dormir tranquilo. É só ler aqui como se prevenir contra cada um e ter uma fantástica noite de sono.

Por que os dentes caem e para onde eles vão?

Essa é uma pergunta dupla bem interessante porque tem uma resposta fácil e outra fantástica. A primeira parte da pergunta pode parecer a mais intrigante para quem está ficando banguela: “por que os dentes caem?”

Os dentes caem porque ficam frouxos na boca e caem de maduro. Como assim? Você já tentou calçar os sapatos do papai ou da mamãe? Percebeu que eles eram muito grandes para os seus pés? Por isso, toda vez que tentava andar, o sapato escorregava e caía, não é? Muito bem, é exatamente a mesma coisa que acontece com os dentes na boca.

Conforme vamos ficando mais velhos, vamos crescendo. A nossa boca cresce junto com a gente. Mas os dentes, não. Então, chega um momento em que o dente fica muito pequeno para a boca e cai.

Isso acontece com todo mundo – principalmente com as crianças que falam muito. A boca das crianças tagarelas cresce mais rápido do que a das crianças caladas. Isso acontece para poder caber tanta palavra dentro. E aí, acaba que, quanto maior a criança (ou quanto mais tagarela ela for), maior a boca; quanto maior a boca, mais rápido os dentes caem.

Mas não se preocupe: cada dente tem um “reserva” esperando para ocupar o lugar do que caiu. Os reservas são maiores, mais fortes e mais bonitos. É só esperar uns dias que eles aparecem.

Mas, se eles caem porque estão frouxos, porque você disse que eles caem de maduros? Nossos primeiros dentes são que nem frutas nas árvores. Quando as frutas estão maduras, prontas para serem comidas, elas caem das árvores e os fazendeiros colhem, mandam para a gente e nós comemos.

É claro que nós não comemos os nossos dentes. Ou não deveríamos, embora tenha algumas crianças que engolem os dentes que caem. Não tem problema engolir, só não tem gosto de nada. Nesse aspecto, nossos dentes não são nada parecidos com as frutas.

Ué, mas então porque eles “ficam maduros” se a gente não come eles? Agora é hora de responder à segunda parte da pergunta: “Para onde vão os dentes depois que caem?”

Muita gente nunca pensou sobre isso, para falar a verdade. Caiu o dente pequeno, eles ficam logo esperando pelo novo, todo bonitão, e se esquecem do velho lá, largado. Ou pior, no lixo.

Bom, tem gente que diz que vem um ratinho dos dentes para pegar o dentinho caído e trocar por um presente. Outras pessoas afirmam que é uma fada quem leva o dente e deixa o presente.

Ninguém sabe direito porque essas coisas só acontecem enquanto a gente está dormindo. Se a gente não dormir, nada acontece. E, dormindo, ninguém vê nada. É preciso entender que os seres fantásticos que habitam o nosso mundo são muito tímidos e medrosos. Se, numa noite, você acordar e vir um deles, finja que está dormindo e não os assuste. Se ficar bem quietinho, talvez dê para ver vários deles fazendo suas coisas fantásticas.

Bom, mas voltando às perguntas: “O que acontece com os dentes? Vem o ratinho ou a fadinha? E o que tem a ver os dentes ‘caírem de maduro’?”

Na verdade, acontece tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora. Como assim? Acontece que cada dente que cai das nossas bocas é um ovo de fadas maduro. De dentro de cada dentinho, nasce uma fadinha. Por isso que eles precisam estar maduros para cair, porque já é a hora da fadinha nascer. Então nem adianta tentar tirar o dente antes da hora pra ver o que acontece; tem que esperar a hora certa.

E os ratinhos? Eles são muito amigos das fadinhas. E como eles são pequenininhos e bem rápidos, as fadinhas pedem ajuda para eles para buscarem os dentes e levarem para um lugar seguro onde a fada possa nascer.
Quem guarda o dente caído bem bonitinho para o ratinho buscar ele agradece deixando uma moedinha ou presentinho ou docinho no lugar – depende do ratinho que você tem na sua casa.

Então, nada de se preocupar em ficar banguela que outros dentes bonitões vão nascer no lugar. E guarde bem seu dente maduro caído para o ratinho pegar e poder virar uma linda fada.

Como papai conheceu a mamãe?

Há alguns anos, no meu blog de contos pra gentigrandi, decidi escrever a história de como conheci a patroa, visando nossos filhos. Foi, de certa forma, o post precursor deste blog. Então, não podia deixar de entrar aqui: Como papai conheceu a mamãe?

Era uma vez…

Era uma vez um menino. Ele andava na rua sempre olhando pra baixo e tendo muito cuidado para não cair num buraco ou pisar em merda de cachorro. Só que ele vivia batendo com a cabeça em postes e placas de rua. Seus amigos reclamavam que passavam por ele e ele fingia não ver – quando na verdade ele realmente não os via por estar sempre com a cabeça baixa.

Era uma vez uma menina. Ele andava na rua sempre olhando pra frente e tendo muito cuidado para não bater em postes e placas e para não deixar desapercebidos seus amigos. Mas ela vivia caindo em buracos e pisando em merda de cachorro. Seus amigos viviam reclamando que ela chegava sempre suja ou machucada aos lugares.

Era uma vez um menino que conheceu uma menina. Ele andava na rua sempre olhando pra baixo. Ela vivia olhando pra frente. Um dia, ele estava amarrando o sapato e ela esbarrou nele. Assim se conheceram. Eles nunca mais bateram em postes e placas ou caíram em buracos ou pisaram em merdas de cachorros.

Publicado originalmente em 31/07/08, aqui.

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