Infantilização da criança ou realismo infantil?

Quando comecei a desenvolver a idéia para este site na minha cabeça e a discutir com a patroa, uma questão importante surgiu: deve-se dar respostas fantásticas para todas as perguntas?

Me explico: durante nosso período de tentativas e a curta gestação interrompida, a metade-cara leu muitos blogs e sites sobre gestações, bebês e crianças. Em vários deles, havia discussões quanto a que tipo de respostas devem ser dadas para as crianças, se era para os pais serem claros e responderem corretamente, apenas adaptando a linguagem, ou para dar respostas “bonitinhas” para proteger os filhos das coisas chatas da vida e que descobrissem mais tarde na escola.

Os defensores do “Realismo Infantil” (acabei de inventar, tá?) têm um ponto muito interessante: as crianças têm cada vez mais acesso a informação e cada vez mais cedo. Então, se você der uma resposta criativa, a criança vai descobrir a verdade na internet ou na TV – antes mesmo de chegarem na escola. A consequência disso pode ser uma falta de confiança nos pais por terem mentido.

Outros defensores dizem que as crianças têm cada vez mais cedo a capacidade de aprender e absorver conhecimento. Por isso, é melhor já vir aprendendo tudo desde pequeno para poder ir bem na escola, passar de primeira no vestibular, mandar bem na faculdade, conseguir um bom emprego e ganhar $30.000 por mês aos 25 anos de idade. Ufa!

Bom, eu claramente defendo que infância é infância. Defendo que a hora da brincadeira é o que estimula a criatividade, que o lazer é tão importante na vida de uma pessoa (mesmo de uma criança) quanto estudos e trabalho. Pro pessoal que se amarra nuns termos pseudo-intelectuais que saem no caderno de ciência do jornal, aí vai: a brincadeira criativa estimula a cognição, inteligência imaginativa, capacidade de adaptação, capacidade de extrapolação de situações, leva a um saudável desenvolvimento físico e é divertido.

Então, para o segundo argumento dos defensores do “Realismo Infantil” (olhaaaaa, tentando lançar moda), acabar com a infância divertida da criança, para mim, não é garantia de se criar um adulto bem-sucedido – apenas um amargo.

Quanto à primeira questão, eu concordo em termos. Para a maioria das perguntas (dependendo da idade da criança, é claro), sou a favor de uma resposta fantástica. No entanto, concordo que há algumas perguntas que, se não forem respondidas adequadamente, podem causar confusão na criança e talvez venham a causar problemas futuros.

Nas pesquisas da patroa pela internet, ela achou um texto que falava que vale a pena explicar, adaptando a linguagem à idade da criança, a fatídica pergunta “De onde vêm os bebês?” Falar de cegonhas, abelhinhas ou qualquer outro animal pode causar confusão e gerar certos desconfortos com sexo mais tarde.

Assim sendo, decidimos entre nós dois que, nestes casos, daríamos uma resposta correta e menos confusa possível. Neste projeto, eu tento seguir os preceitos do que definimos – até agora – sobre como cuidaremos dos nosso filhos. Por isso, estou trabalhando na melhor resposta possível que eu possa dar para a seríssima pergunta que todos os pais enfrentam.

Quanto ao resto das perguntas, respostas fantásticas estão a caminho.

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8 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Geli
    ago 27, 2010 @ 13:42:26

    Oi!!! Pra mim criança tem que ser criança. Acho um absurdo quando vejo criança adulta sabe? Criança tem que gostar de sorvete, hamburguer, batata-frita! Nada de gostar de matemática, moda, esmalte! Acho que todas as fases da nossa vida tem que ser vividas pra não correr o risco de virar adolescente aos 50 ou uma criança aos 30! Qualquer lembrança da realidade é mera coincidência.
    beijos

    Responder

  2. Vicky
    ago 27, 2010 @ 14:12:47

    Oi Nano!
    Saudades de tu!
    ;]

    Então, passei pra deixar um abração pra ti e pra Carol.
    Q o Senhor os abençoe muitíssimo e guie nos Seus caminhos.

    Amo vcs!
    ;*********

    Responder

  3. Keyla
    ago 27, 2010 @ 17:29:25

    Eu fui criada com conto de fadas, com felizes para sempre, com histórias e muita criatividade. Acho que isso me preparou para o mundo… fui criança quando devia ser e cresci quando chegou a hora… mas ainda tem um ladinho meu, que se recusou a crescer, que me permite sonhar, criar e ser uma pessoa melhor.

    A realidade infantil, como qualquer outra realidade, fica muito melhor quando divertida, não?

    Responder

  4. Maria Fernanda
    ago 27, 2010 @ 17:54:17

    Oi Pedro,

    Esse blog é maravilhoso, super lúdico e estimula o pensamente pueril que parece ter se perdido nos últimos tempos.

    Eu acho que a criança não entende um bocado de coisas se explicarmos no que vc chamou de “Realismo Infantil”. Não estou subestimando a inteligencia dos pequenos (que é extraordinária), mas eles guardarão a informação somente se nós dermos uma fantasiada. Do contrário, a explicação se perde e fica vazia, sem sentido para eles.

    Pode me fazer um favor? Minha querida sobrinha de 4 anos me perguntou por que os balões (aqueles que a gente compra na feira) subiam para o céu e outras vezes murchavam dentro de casa. Ajuda a titia aqui, por favor.

    Beijo grande

    Responder

  5. Renata
    ago 27, 2010 @ 17:59:46

    Adorei o blog, as perguntas, as respostas, tudo. Parabéns!

    Responder

  6. Nana
    ago 28, 2010 @ 15:28:01

    Pedro

    Minha experiência com a Maia é a seguinte: eu explico de forma realista tudo o que sinto que ela é capaz de compreender – e acredite, ela é capaz de compreender muito mais do que eu esperaria de uma criança de 2 anos – e explico de maneira fantástica tudo aquilo que teria uma explicação racional chata, desnecessária ou incompreensível para ela.
    Porém… essas explicações fantásticas sempre fazem parte de um jogo do qual ela é completamente consciente: ela entende a fantasia, entra na historia, se diverte, mas sabe que é um conto. São regras implícitas que ajudam a criança a distinguir fantasia e realidade, que estimulam a imaginação e que não geram decepção ou confusão quando ela descobre a resposta verdadeira na televisão, na escola ou por conta própria.
    Acho importante ter isso em mente na hora de contar para as crianças essas histórias fantásticas!!!
    Beijos

    Responder

  7. Sarah
    ago 30, 2010 @ 15:27:53

    Oi Pedro,
    Concordo com a ideia de que infância é infância e muitas respostas fantásticas podem ser dadas até que a criança tenha maturidade suficiente para ouvir a resposta correta. Algumas perguntas devem sim ser respondidas de forma mais direta, mas quem determina quais perguntas são essas e se a criança está pronta para ouvir a real são os pais. Não acho que estarão mentindo dando respostas fantasiosas, mas apenas preservando a infância e alimentando a imaginação. Só não sei se conseguirei ser tão criativa como vc… por isso enfatizo a publicação do seu livro! Aí, quando o Bento vier com uma pergunta cabeluda, corro lá e leio a resposta pra ele!! hahaha!!

    Responder

  8. odila eliana pereira
    nov 30, 2010 @ 15:08:29

    Esse blog é maravilhoso, super lúdico e estimula o pensamente pueril que parece ter se perdido nos últimos tempos.

    Eu acho que a criança não entende um bocado de coisas se explicarmos no que vc chamou de “Realismo Infantil”. Não estou subestimando a inteligencia dos pequenos (que é extraordinária), mas eles guardarão a informação somente se nós dermos uma fantasiada. Do contrário, a explicação se perde e fica vazia, sem sentido para eles.

    Pode me fazer um favor? Minha querida sobrinha de 4 anos me perguntou por que os balões (aqueles que a gente compra na feira) subiam para o céu e outras vezes murchavam dentro de casa. Ajuda a titia aqui, por favor.

    Beijo grande

    Responder

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