Existem perguntas irrespondíveis?

Talvez. Mas eu gosto de pensar que apenas não sabemos como respondê-las ainda. Acho que com calma, paciência e boa vontade, deve ser possível responder qualquer pergunta. Mas devo admitir que há perguntas que são mega-ultra-hiper-cabeludas e que chegam até a assustar no momento em que são feitas.

Eu tenho um amigo que tem uma filha de cinco anos. Ele é casado com uma professora de jardim de infância, uma pessoa cheia de pedagogias, psicologias e técnicas. Eles decidiram juntos que responderiam todas as perguntas da melhor forma possível para que pudessem ter uma relação de confiança e sinceridade com a filha.

Isso pode até parecer engraçado vindo do mesmo pai do caso do CACAu, mas pais compromissados também têm seus momentos de fraqueza.

Bom, um dia a menina chegou para o pai e soltou com a maior tranqüilidade a bendita pergunta: “Pai, seu bingulim é grande?”

Cara, essa pergunta é cabeluda estilo Valderrama, estilo Jackson 5, estilo Chewbacca!

Meu amigo, apesar do pensamento pedagógico e da veia cômica, ficou sem palavras. Desconversou e esqueceu do assunto.

Não sei como eu reagiria no lugar dele, pego de surpresa com uma pergunta tão complicada. Provavelmente faria o mesmo. A Metade-cara sugeriu dizer algo do tipo “Tamanho não importa” (e eu que pensei que mulheres já nasciam com essa pergunta implantada na mente). Eu acho que a criança ainda era muito pequena para entender essa resposta – ou mesmo para entender a própria pergunta que fez.

Pensando com calma na situação, acho que essa é uma pergunta infantil que gera outras perguntas de adulto: “Por que você quer saber isso?”, “De onde você tirou essa pergunta?” etc. Acho mais importante – neste caso – entender o que está passando na cabeça da criança e explicar o que é que ela está perguntando do que simplesmente dar uma resposta direta, seja ela qual for.

Acho que a pior resposta seria um “Isso é coisa de adulto” ou um “Não é da sua conta”. Esse tipo de atitude, a meu ver, só afasta a criança dos pais como fontes de conhecimento e pode atiçar a curiosidade. Dessa forma, a criança vai querer saber mais do que nunca do que se trata – de um tema que de repente nem queria saber tanto assim, como foi o caso. E pior, vai procurar sobre o assunto em lugares sem o seu apoio ou supervisão: amigos, TV e internet.

Eu espero, se/quando chegar a minha vez, poder ter calma e tratar do assunto com a seriedade, porém normalidade, que ele merece. O coitado do meu amigo ainda não respondeu para a filha (e suspeito que, por ele, nunca responderá). Mas a menina também nunca mais voltou a fazer essa pergunta. Bom para ele.

E você, o que faria no lugar do meu amigo?

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6 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Geli
    ago 25, 2010 @ 00:02:51

    Ui! Nossa, que barra! Vou ver na minha bola de cristal! hahahahaha
    No meu trabalho as pessoas nao te pedem as coisas, elas supoem que vc sabe o que elas querem. Não sou advinha, como poderia saber se ninguém me contou, neam?
    Foi um surto revoltado, nada mais.
    Quanto a essa resposta, acho que ficaria com cara de não sei e tentaria responder, mas nem imagino como.
    beijos

    Responder

  2. Tatiana T
    ago 25, 2010 @ 09:19:29

    Oi Pedro… eu iria pelo mesmo caminho que vc… “pq vc quer saber isso?” – seria a primeira pergunta, com certeza.

    Eu já passei dos 30, e lendo suas histórias, vou lembrando das minhas…
    Sou a mais velha da segunda geração da minha familia, por parte de mãe, e uma vez, eu devia ter uns 13, e a minha prima (2° da lista) uns 6. Ela perguntou pra mãe dela de onde os bebês vinham… minha tia muito “da esperta” falou pra ela perguntar PRA MIM!

    Primeira coisa que eu fiz: “pq vc quer saber?”
    Ela: “pq sim…”
    Eu: o.O

    Dai contei a boa e velha história da sementinha na barriga da mamãe…

    Ela: “Mas como a semente vai parar na barriga da mamãe?”
    Eu: o.O (duplo)
    (continuei): O papai que coloca lá dentro.

    Ela: “Como?”
    Eu: o.O (triplo /e pensando que horas ela ia parar de perguntar)
    (continuei): Ele coloca lá num dia muito especial pra eles.

    Ela: “Um dia especial? Que nem Natal?”
    Eu: Isso! Um dia bem especial, que nem o Natal.
    Ela: “Ah, tá…”
    Eu: (vivaaaaaa, parou de perguntar)

    Hahahahaha… divertido lembrar dessas coisas.

    Abraço pra vc e pra Carol.

    Responder

    • petrusrocha
      ago 26, 2010 @ 11:51:16

      HAHAHAHAH

      Que espertinha a sua tia, hein!

      Devo admitir que essa também é uma pergunta que tenho uma certa preocupação quanto a responder a verdade, mas adaptada à realidade e linguagem de uma criança. Sua saída foi muito boa. Acho que devo seguir mais ou menos por aí também…

      Bjs!

      Responder

  3. Maura
    ago 25, 2010 @ 16:03:56

    Oi Pedro!

    Acompanho o blog da Carol e foi assim que cheguei aqui.
    Adorei a idéia, parabéns pela criatividade e imaginação!
    Um abraço,
    Maura

    Responder

  4. Sarah
    ago 27, 2010 @ 10:47:38

    Ai caramba… sabe que já me peguei pensando em como responder essas perguntas cabeludas pro filhote?? Essa e todas as relacionadas ao assunto, tipo “Cadê seu bingolim mamãe?”… Mas concordo que fugir da resposta ou dizer que é assunto de adulto só atiça mais a curiosidade, não leva a nada. Acho que eu tentaria responder de forma simples, tentando não levar a outra pergunta, como fez a Tatiana aí em cima, no alto da sabedoria dos 13 anos! 😛

    Responder

  5. Trackback: Infantilização da criança ou realismo infantil? « Respostas Fantásticas para Perguntas Intrigantes

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