Pedro, de onde veio?

Para ver mais uma aventura do Pedro, acompanha sua saga em Contos que nem te conto.

De onde vêm os bebês?

Juro para vocês que estou tentando pensar num texto legal para explicar isso.

Enquanto isso, aí vai um vídeo explicativo que conheci com um timming perfeito!

Fiquei com inveja! Queria ter tido essa idéia…

Por que os adultos são gente grande e as crianças são pequenas?

Muitas vezes a gente quer fazer alguma coisa e nossos pais não deixam. Eles sempre falam que é coisa de gente grande. Mas é uma injustiça os adultos serem grandes e poderem fazer coisas que as crianças, só porque são pequenas, não podem.

Bom, você já deve ter percebido que está sempre crescendo, não é? As roupas do uniforme da escola do ano passado não cabem mais, os dentes estão caindo e você consegue alcançar coisas que não conseguia antes. Só que tá demorando muito para ficar grande que nem gente grande? Você não sabe nada!

A gente já foi muito menor do que somos hoje. Verdade! Menor do que uma joaninha, do que um fio de cabelo, menor do que a menor coisa que a gente consegue pensar. Pois é, assim de pequeno.

E não só éramos tão pequenos, como também não estávamos inteiros. Como assim? Nós já estivemos divididos pela metade. Serinho! Uma metadinha do piquitito de gente que nós éramos estava com a mamãe e o outro pedacinho com o papai.

Um dia, eles resolveram juntar esses pedacinhos para a gente poder crescer. Foi preciso muito amor para poder colar um pedacinho no outro. Depois que eles colaram, guardaram na barriga da mamãe e a gente nunca mais parou de crescer.

Então, apesar de a gente ainda não ser adulto, já somos gente grande sim! Somos muito maiores do que já fomos. Já crescemos um montão! Já podemos fazer um monte de coisas que não podíamos fazer antes. Pergunte para a mamãe. E passou tão rápido que a gente nem lembra!

E não se preocupe com os adultos. Eles são apenas crianças que já pararam de crescer. Daqui a pouco a gente chega lá.

Infantilização da criança ou realismo infantil?

Quando comecei a desenvolver a idéia para este site na minha cabeça e a discutir com a patroa, uma questão importante surgiu: deve-se dar respostas fantásticas para todas as perguntas?

Me explico: durante nosso período de tentativas e a curta gestação interrompida, a metade-cara leu muitos blogs e sites sobre gestações, bebês e crianças. Em vários deles, havia discussões quanto a que tipo de respostas devem ser dadas para as crianças, se era para os pais serem claros e responderem corretamente, apenas adaptando a linguagem, ou para dar respostas “bonitinhas” para proteger os filhos das coisas chatas da vida e que descobrissem mais tarde na escola.

Os defensores do “Realismo Infantil” (acabei de inventar, tá?) têm um ponto muito interessante: as crianças têm cada vez mais acesso a informação e cada vez mais cedo. Então, se você der uma resposta criativa, a criança vai descobrir a verdade na internet ou na TV – antes mesmo de chegarem na escola. A consequência disso pode ser uma falta de confiança nos pais por terem mentido.

Outros defensores dizem que as crianças têm cada vez mais cedo a capacidade de aprender e absorver conhecimento. Por isso, é melhor já vir aprendendo tudo desde pequeno para poder ir bem na escola, passar de primeira no vestibular, mandar bem na faculdade, conseguir um bom emprego e ganhar $30.000 por mês aos 25 anos de idade. Ufa!

Bom, eu claramente defendo que infância é infância. Defendo que a hora da brincadeira é o que estimula a criatividade, que o lazer é tão importante na vida de uma pessoa (mesmo de uma criança) quanto estudos e trabalho. Pro pessoal que se amarra nuns termos pseudo-intelectuais que saem no caderno de ciência do jornal, aí vai: a brincadeira criativa estimula a cognição, inteligência imaginativa, capacidade de adaptação, capacidade de extrapolação de situações, leva a um saudável desenvolvimento físico e é divertido.

Então, para o segundo argumento dos defensores do “Realismo Infantil” (olhaaaaa, tentando lançar moda), acabar com a infância divertida da criança, para mim, não é garantia de se criar um adulto bem-sucedido – apenas um amargo.

Quanto à primeira questão, eu concordo em termos. Para a maioria das perguntas (dependendo da idade da criança, é claro), sou a favor de uma resposta fantástica. No entanto, concordo que há algumas perguntas que, se não forem respondidas adequadamente, podem causar confusão na criança e talvez venham a causar problemas futuros.

Nas pesquisas da patroa pela internet, ela achou um texto que falava que vale a pena explicar, adaptando a linguagem à idade da criança, a fatídica pergunta “De onde vêm os bebês?” Falar de cegonhas, abelhinhas ou qualquer outro animal pode causar confusão e gerar certos desconfortos com sexo mais tarde.

Assim sendo, decidimos entre nós dois que, nestes casos, daríamos uma resposta correta e menos confusa possível. Neste projeto, eu tento seguir os preceitos do que definimos – até agora – sobre como cuidaremos dos nosso filhos. Por isso, estou trabalhando na melhor resposta possível que eu possa dar para a seríssima pergunta que todos os pais enfrentam.

Quanto ao resto das perguntas, respostas fantásticas estão a caminho.

O que acontece depois que morremos?

A verdade é que ninguém sabe ao certo. Muitas pessoas têm suas opiniões, religiões e crenças. Pode ser que uma delas esteja certa (ou talvez todas, ou mesmo nenhuma), mas o que eu vou contar a seguir é o que eu acho que acontece.

Infelizmente, nas nossas vidas, há certas coisas que sem seu oposto, não existiriam: frio e calro, felicidade e tristeza, sorte e azar etc. Às vezes, essas duplas opostas podem ser os dois bons (como frio e calor, por exemplo), mas, na maioria das vezes, um deles pode ser algo que não queremos. E, para se poder viver, o oposto é morrer.

É muito triste isso porque deixamos de ter pessoas de quem gostamos muito ao nosso lado. Algumas pessoas dizem que quem faleceu nos deixa para sempre, mas eu penso diferente. Eu acho que as pessoas viram outra coisa, elas se transformam.

Como assim? Bom, nós temos dentro da gente as nossas essências que são todos os nossos pensamentos, sentimentos e vontades. Quando falecemos, é exatamente esta parte nossa que sai do nosso corpo. Só que ela sai num formato muito especial: como uma borboleta. Digo isso porque, sem o corpo, essa coisa pesada que levamos para uma lado e para o outro, ficamos muito leves a ponto de podermos voar.

Já vi muitas borboletas perto de pessoas queridas que se foram e tenho certeza de que elas estavam dando tchauzinho para mim. Eu já vi as borboletas mais coloridas e as mais cinzentas. E tudo depende de quem foi a pessoa que originou a criatura alada.

As pessoas alegres e cheias de carinho geralmente fazem bonitas e multicoloridas borboletas, daquelas que mais parecem lindas flores voando, pedaços de arco-íris ambulantes. Mas há pessoas que são tristes e amargas, pessoas sem cor na vida e que acabam virando borboletas sem cor, preta e branca ou apenas cinza.

Agora, aquelas borboletas enormes, quase do tamanho de um pássaro, são de pessoas que tinham o coração enorme, gente generosa e que se preocupava com os outros. As borboletas pequeninas eram pessoas egoístas que só se preocupavam com elas mesmas.

Então, eu acredito que todos deveríamos viver nossas vidas com muito carinho, alegria e generosidade para podermos virar uma enorme e maravilhosa borboleta. E se você vir uma borboleta voando, dê tchau. Pode ser alguém que você conheceu.

Existem perguntas irrespondíveis?

Talvez. Mas eu gosto de pensar que apenas não sabemos como respondê-las ainda. Acho que com calma, paciência e boa vontade, deve ser possível responder qualquer pergunta. Mas devo admitir que há perguntas que são mega-ultra-hiper-cabeludas e que chegam até a assustar no momento em que são feitas.

Eu tenho um amigo que tem uma filha de cinco anos. Ele é casado com uma professora de jardim de infância, uma pessoa cheia de pedagogias, psicologias e técnicas. Eles decidiram juntos que responderiam todas as perguntas da melhor forma possível para que pudessem ter uma relação de confiança e sinceridade com a filha.

Isso pode até parecer engraçado vindo do mesmo pai do caso do CACAu, mas pais compromissados também têm seus momentos de fraqueza.

Bom, um dia a menina chegou para o pai e soltou com a maior tranqüilidade a bendita pergunta: “Pai, seu bingulim é grande?”

Cara, essa pergunta é cabeluda estilo Valderrama, estilo Jackson 5, estilo Chewbacca!

Meu amigo, apesar do pensamento pedagógico e da veia cômica, ficou sem palavras. Desconversou e esqueceu do assunto.

Não sei como eu reagiria no lugar dele, pego de surpresa com uma pergunta tão complicada. Provavelmente faria o mesmo. A Metade-cara sugeriu dizer algo do tipo “Tamanho não importa” (e eu que pensei que mulheres já nasciam com essa pergunta implantada na mente). Eu acho que a criança ainda era muito pequena para entender essa resposta – ou mesmo para entender a própria pergunta que fez.

Pensando com calma na situação, acho que essa é uma pergunta infantil que gera outras perguntas de adulto: “Por que você quer saber isso?”, “De onde você tirou essa pergunta?” etc. Acho mais importante – neste caso – entender o que está passando na cabeça da criança e explicar o que é que ela está perguntando do que simplesmente dar uma resposta direta, seja ela qual for.

Acho que a pior resposta seria um “Isso é coisa de adulto” ou um “Não é da sua conta”. Esse tipo de atitude, a meu ver, só afasta a criança dos pais como fontes de conhecimento e pode atiçar a curiosidade. Dessa forma, a criança vai querer saber mais do que nunca do que se trata – de um tema que de repente nem queria saber tanto assim, como foi o caso. E pior, vai procurar sobre o assunto em lugares sem o seu apoio ou supervisão: amigos, TV e internet.

Eu espero, se/quando chegar a minha vez, poder ter calma e tratar do assunto com a seriedade, porém normalidade, que ele merece. O coitado do meu amigo ainda não respondeu para a filha (e suspeito que, por ele, nunca responderá). Mas a menina também nunca mais voltou a fazer essa pergunta. Bom para ele.

E você, o que faria no lugar do meu amigo?

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